sábado, 3 de janeiro de 2009

os 11 mandamentos do amor ♥

quando o amor é em preto e branco e a distância, a cidade é silenciosa e fatal e todos estão em viagem de férias, é muito fácil falar de sempre.

ele nunca entendera o que era aquilo: um buraco negro no peito quando ela ia embora, as mãos tremendo enquanto a esperava, a urgência de fazê-la pensar nele o tempo inteiro, a vontade de que ela não tivesse tantos amigos, como se impressionava todos os dias com as idéias dela. ele nunca entendera. mas tinha necessidades que ele conhecia como ninguem.

naqueles dias, sentia como se já estivesse morto e nada lhe socorria, era mais de 2 da manhã.

'ei garoto, saudades. amor, N.' uma mensagem cheia de substantivos e inesperada, bem a cara dela. às 2:17.

'eu acho que não vou voltar.' ele respondeu, os dedos ainda tremendo.

'oi? do que voce tá falando?' ela sentiu as pupilas dilatarem mais ainda, mesmo que já estivesse no escuro. ela sentia culpa talvez. culpa por questionar o amor por ele, culpa por deixá-lo ir. mas muito mais que culpa, ela sentiu medo. medo de que aquele tivesse sido seu ultimo abraço.

'me ajuda, voce é meu unico motivo agora.'

'olha, não faz nada. volta. pra mim. por mim. que, pelo menos por agora, eu seja seu motivo suficiente. volta.' ela sentiu mais medo. apertou forte o travesseiro e doía. ela concluiu que o amor doía.

'eu sempre vou te amar, sempre. eu te amo tanto, eu te amo.' ele parecia desesperado. até demais. e ela o conhecia como ninguem, ele sabia que ela entenderia.

'volta vivo, foi o que eu quis dizer. deixa eu te abraçar mais uma vez, olhar nos seus olhos. eu nao quero que voce vá. prometa pra mim.' ela não deixou espaço para ele.

'ok, o que voce quiser. obrigada por existir, eu te amo.' ele se sentiu abrigado, acolhido. ela sabia fazer isso como ninguem.

ela descansou na cama, a tensão nas suas costas se desfez. 'sabe, aproveitando a oportunidade... sinto muito por aquele dia no carnaval. eu...' ela não lembrava como dizer aquilo em portugues 'i didn't mean that. desculpa por te magoar.'

era a primeira vez que eles admitiam que ela havia o magoado. 'tá tudo bem, beijos podem significar muitas coisas. eu to ficando com uma menina legal por aqui'

ela sentiu um pouco de vingança talvez. mas o que sentiu mais mesmo foi que ela era uma boba.

'legal :) volta logo. te amo.' ela escreveu um pouco sucinta demais. tão anti-ela.

'só se voce prometer que as coisas vão mudar, que voce nao me deixa mais sozinho. e que voce vai me amar de verdade, como antigamente'

ela hesitou. o que era o amor? até ali ela tinha concluído em seu pequeno dicionario da vida:

1- o amor dói.
2- amar é como alugar uma casa: um abrigo, mas voce sempre pode ser despejado...
3- o amor não é como um pano que se voce tentar cobrir varias coisas ele rasga. muito pelo contrario, quanto mais se ama, maior a qualidade do tecido. e sempre dá pra fazer um remendo. paninho esquisito o amor...
4- amor não é divisível, só mutiplicável (oras, eu amo todos os homens do mundo, i can't help it!)
5- amor não-correspondido ainda é amor. que droga.

6- ah, e não se escolhe quem se ama. p.s.: que droga!
7- não dá pra conceituar o amor.
8- amor não é paixão.
9- amor não é amar.
10- e por ultimo, mas nao mais importante: amar dói! p.s.3: DROGA!

quase quatro da manhã. 'e agora? porque ele sempre tem que fazer as coisas tao mais dificeis? como antigamente? antigamente doía bem mais pra mim e bem menos pra ele. ah, que maravilha. como se eu ainda tivesse 14 anos! cut it out!' ela pensou mais. 'droga.'

'prometo amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saude e na doença. como se eu ainda tivesse 14 anos. mas sinta-se casado.' ela respondeu impaciente, as coisas tinham ficado dificeis agora.

e ao enviar a mensagem, adicionou ainda em seu caderninho:

11- amar é fazer uma mentira se tornar realidade. mesmo que essa seja uma realidade filha da puta que vai te fazer ficar mal umas noites aí, só pra fazer a pessoa que voce AMA feliz. p.s.4: DROOOOOOOOGA.

chuva de verão.


era um dia quente, fazia sol. era duas da tarde quando ela acordou. de pijama ainda ligou o radio bem alto ao ouvir os rolling stones cantando brown sugar e começou a correr dançando pela casa, como sempre fazia quando tinha a sonhada casa vazia.

correu pela casa por horas, até perceber que o dia havia escurecido pela metade. tomou assento na varanda e percebeu que, dividindo o céu ao meio com uma linha exata, havia uma grande nuvem cinza que varria a limpeza do dia de verão. ela esperou um pouco e acompanhou com o olhar a trajetoria da nuvem, que dominava o céu antes claro.

'hm... não dá pra ver mais nada. fora o inverno e o tempo ruim, eu não sei o que espera por mim, sábio matanza...'

e sentiu o vento forte tentnando despi-la. contemplou mais o silencio da cidade em feriado, a chuva que se precipitava. chuva de verão. ela adorava chuvas de verão, eram como um alívio. mas odiava dias nublados e cinzas, eram tão entediantes e previsiveis! as chuvas de verão eram como festas surpresa.

e a primeira gota de chuva caiu bem no seu nariz. pling. 'nossa! eu tô viva.' ela concluiu, mas nao tristemente. mais gotas cairam, começando a encharcá-la. 'eu sobrevivi!!!' e riu.

riu como se tivesse passado por uma longa estiagem. e realmente, tinha.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

insonia dançante

'vou cantar um blues pra quem já amou um dia
e hoje só tem a solidão como companhia
pra quem bebe sozinho numa mesa de bar
e nao tem pra quem voltar
(...) pra quem tem medo e vai
e tá largado nesse mundo
vou cantar um blues.' Bartô Blues Band, Blues da Solidão.

naquela noite ela não dormiu. se revirava na cama, sentia ansia de vomito, seu nariz lhe incomodava e a musica nao lhe agradava nada.

2 da manhã. 'ótimo' ela pensou resolvendo deitar em outra posição. 'logo o sono vai chegar.' não chegou.

3 da manhã. 'excelente' ela agora estava se sentando á beira da cama com o edredon enrolado na cabeça.

uma eternidade se passara. 3 e 15. '3 e 15?????????????? não é possivel, isso é pior que aula de historia e sistemas e psicofisiologia juntas!' ela já não sabia o que fazer. mas lembrou de um certo cara:

'eu danço pior que boi manco.' ela dizia.

'dançar é uma coisa que se faz sozinho no seu quarto às 3 da manhã' ele respondeu a afirmativa.

ela resolveu tentar. mesmo que fosse no ritmo do silencio.

domingo, 28 de dezembro de 2008

e eu.

'eu te amo.' as três palavras mais simples lhe pareciam tão impossíveis de serem faladas.

'voce nunca vai me deixar?' ele parecia ansioso.

'nunca.' mas ela pensava ao dizer essas palavras. ela odiava mentir, embora nao parecesse. ela sabia que era tão volátil quanto um litro de álcool em um vidro aberto. e que ele não iria tampá-la, de jeito algum. e isso doía, estar tão só, tão livre: pela primeira vez ela desejava que não fosse assim, que ela estivesse realmente presa a ele. mas não era tangível, não era possível. ela o queria demais, tanto que machucava. ela tinha se tornado teimosa demais para desistir.

'eu te amo. de verdade.' ele reafirmava.

e isso só tornava as coisas mais difíceis do que já eram. mas de repente ela se lembrou dos ultimos meses, das suas noites no bar, das suas noites em claro, das sua páginas lidas, dos seus escritos. e ela agora tentava entender que talvez nao o amasse.

'eu também.' ela agora não mentira, mas omitira as três letras que lhe apontaria como mentirosa.

o brilho eterno.

havia milhares de coisas que a intrigavam por aqueles dias: o pensamento que lhe fugia do radar para encontrar 'ele', as páginas que pareciam já terem sido viradas voltando para lhe mostrar que a leitura não havia sido bem feita fazendo-a sentir como se só pudesse virar páginas molhando os dedos - com suor, com saliva ou na pior de suas expectativas, com lágrimas.

ela estava intrigada com os sonhos do seu pequeno amor que lhe diziam mais que qualquer monólogo que ele já tinah feito - voce estava grávida de gemeos, eu era o pai e nós íamos casar, mas algo me dizia que ele era o pai e voce estava tentando me enganar. loucura. ou não.

e mais lhe intrigava ainda que ele, o ele que o outro enfatizava em suas palavras, andasse a visitando. mesmo que amasse outra. amasse outra. outra. tra. a. (os pensamentos ecoavam em sua cabeça) e ela sabia que não amava ele. sabia bem. mas odiava não ser o objeto de adoração de alguém, odiava não poder destruir a vida de mais um. odiava.

e ela sabia que amava o outro. sabia melhor ainda. sabia que a página estava sim virada. mas por alguma razão estranha ela sentia que não. fazendo-a sentir como se só pudesse virar páginas molhando os dedos - com suor, com saliva ou na pior de suas expectativas, com lágrimas. ela já tinha suado e salivado, lhe faltavam as lágrimas.

e naquele dia ela decidiu que ia chorar. mas nada lhe ocorria. nada lhe socorria.

is it all just wasted time (can u live with yourself when u think of what u've left behind?)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

:)

'tenho que te confessar uma coisa' dessa vez ela foi rápida, sucinta.

'?' ele não entendeu quando eles entraram e nem como entraram nesse confessionário.

'sabe, eu queria agradecer o *****. queria abraçar ele bem forte e dizer: 'cara, obrigada. eternamente obrigada.' e abraçar mais forte ainda.' ela soltou o elo sem o resto da corrente do pensamento.

'o quê? voce tá LOUCA?' ele deixou em letras garrafais. 'voce prefere ele? aquele bebado?'

'calma.' ela sorriu pra ele, transmitindo a calma que era uma parte dela. 'deixa eu terminar'

ele parecia intolerante, com suas sombrancelhas marcantes quase grudadas em seus cílios. ela contiinuou.

'eu queria agradecer ele. de verdade. abraçaria ele e diria assim 'obrigada. obrigada por fazer daquela noite uma noite tão vazia, uma noite tão deprimente, uma noite tão dolorida. obrigada por se embebedar e me tratar como uma qualquer. obrigada por não me fazer sentir especial. obrigada por ser idiota. obrigada por não ligar no dia seguinte. você é ótimo nisso. obrigada por me fazer sentir mal pela primeira vez em um ano. obrigada, porque tudo isso me fez lembrar que eu tinha alguém gentil, amável e doce que apesar de não ter sido capaz de tocar uma única parte do meu corpo, foi capaz de me amar como ninguém mais amou. obrigada, porque se não fosse voce, aquele ponto que, na verdade eram reticencias, teria se tornado o ponto final. infinitamente obrigada.'

ele descruzou os braços antes amarrados a seu corpo. seus olhos estavam abertos de maneira incomun, sua boca talvez sorrisse. mas ele ainda nao tinha entendido.

'e sabe... eu lembrei de voce quando eu acordei na minha cama, sozinha e com mutia dor de cabeça. lembrei porque eu tinha feito tudo aquilo: pra te esquecer. lembrei das coisas ruins que voce quis dizer, lembrei de tudo. lembrei de como eu amava voce de uma forma tao infantil, eu era so uma criança mesmo. lembrei que voce ainda estava em algum lugar desse mundo, talvez precisando de mim pra te amar. talvez nao. mas lembrei de voce. eu era feliz, mas não era igual, faltava o entusiasmo que eu sentia só de pensar em voce voltando de algum lugar longe, faltava algo que eu nao sabia nomear. amor? não sei, só sei que doia quando voce me falava aquelas coisas, mas incrivelmente doia mais estar tão longe de voce.'

ela ainda continuou, mesmo que sentisse as lágrimas brigando contra sua força de não parecer fraca. 'hm... *risinhos* ... e entao eu corri pro computador e te escrevi aquela mensagem que voce responderia meses depois.'

'eu lembro' e ele sorriu.

'mensurando os dias de verão
apenas concluo que eles se desmancharam em cinzas
as horas me trazem dor

pensando em como tudo era
será que voce ainda lembra daqueles dias
e pensa em nós de novo?

eu penso.' ela pausou. 'é tangerine, do led zeppelin. minha musica favorita.'

'eu sei.' ele sorriu amavelmente, como fazia poucas vezes.

eles ficaram quietos por um instante.

'eu também sou grato a ele.' ele disse ainda sorrindo. 'muito grato.'

'tis strange but true...

... for truth is always strange.'

ela teve flashbacks naqueles dias, talvez em decorrencia da correria natalina. se nao fosse ela, ela estaria vendo filmes inteiros que ela nao queria ver.

mas naquele dia 25 foi diferente. ela sentiu como se ele ainda estivesse ali, do seu lado. sentiu medo mas nao sentiu saudade. e foi enfrentar o medo: de frente mesmo, como sugere o verbo. sentou e procurou alguma coisa que ela nao sabia, mas procurou com força, com vontade. queria encontrar alguma coisa que, apesar de ela nao fazer ideia do que fosse, lhe explicaria tudo. via fotos, cartões, escritas.

e ela encontrou. diferente do que ela esperava e ao mesmo tempo igual: algo assustador, horrivel, quase nao podia olhar e ao mesmo tempo nao desgrudava o olho. ela fechou a pagina no computador. esperou. mal percebeu que tremia. sacudiu a cabeça desgrenhando seus cabelos já despenteados.

'não... preciso... olhar... não...' e abriu de novo a pagina. era horrivel mesmo.

ela parou. olhou. desviou o olhar. olhou de novo. 'ninguem precisa disso!' e fechou a pagina.

ao mesmo tempo que estava satisfeita, estava terrificada com a visão, era horrivel. 'meu Deus! NINGUEM precisa disso!'

e riu. riu porque era boba. riu porque todos tinham sua época de errar. riu porque a dela já tinha passado - pelo menos naquele assunto. riu porque no fundo ela sabia que aquilo era algo do que se rir. pelo menos agora. riu porque já tinha chorado, riu porque ja tinah sofrido.

riu porque ela agora estava viva de novo. e ele? pelo menos no mundo dela não. nem morto nem enterrado - cadáveres podem ser exumados, zumbis existem.

riu porque sabia que no escuro tudo era beeeeeeem mais facil. mas que agora era hora de realmente acender as luzes e começar o show.