quinta-feira, 29 de abril de 2010

bad time

quando o sangue escorre pelas pernas
e eu ouço tua voz muda em sussurros que saem dos teus olhos de vidro
enquanto tua boca bem desenhada permanece estática
o calor que corre em minhas veias redesenha meus batimentos cardíacos
responde a todos os questionamentos metafísicos
com o impulso de um toque ou dois teus e é assim
é assim que eu sei que há mais vida em todos os meus suspiros
do que na morte.

terça-feira, 27 de abril de 2010

hotel

ela disse sem palavras o que lhe afligia mais e o que mais amava: deixou-a escolher por uma hora entre as peças de prata a que mais lhe agradasse, aguardou pacientemente. ela reservou duas, um anel envelhecido com um brilhante e uma pulseira com cinco estrelas pendendo. a mais velha lhe sorriu, fez sinal para que esticasse o braço e abotoou a pulseira no braço da outra. ela que sempre foi de um afeto silencioso deixou escapar em algumas palavras:

é porque você é uma garota 5 estrelas...

re(volta)

Gostar mais de voltar que de ir não é delito, a terra tem tremido em todo o lugar e desabado, desandado. Hoje eu gosto mais de imagens e de cores feitas com os olhos que com a boca, talvez por falta de firmeza e excesso de tremor nas mãos, suores, etc. O outono voltou sem nem ir na minha vida, é coisa que eu gosto, é das quedas e da melancolia, das folhas secas e das cores mudando. O pôr-do-sol em Brasília. E contudo eu insisto em me apaixonar outra vez todos os dias, nem que seja pela mesma pessoa. Alguns hábitos a gente dificilmente muda.
Meu primeiro bom dia já não vem mais em comprimidos, a receita venceu. Quero dizer, a preguiça venceu. Hmmm. Certamente ainda encontrarei nas palavras muito do que preciso, nas suas, nas minhas, nas nossas. Achados e perdidos. Com certeza nas imagens eu ainda vou me estampar muito, me expor muito, me achar demais.

As certezas são vãs, as vaidades são justas e a minha maior verdade é que meu silêncio é que me condena.

DEAL WITH THAT, SIR! I'M BACK!