domingo, 31 de janeiro de 2010

meu papel

descobri que não gosto das palavras ou dos traços, gosto mesmo é do papel, instituição quase mágica na minha vida. Entre dobras, lápis, tesouras, emoções, rascunhos e formas, o que eu mais gosto mesmo é saber que ele é o que eu faço dele: o meu papel, dramaticamente... as folhas de platisco agora são last week, o negócio são os sentimentos de papel...


sábado, 30 de janeiro de 2010

editorial


e como duvidar do futuro se ele quase sempre já é passado? minhas unhas estão grandes e pintadas, já não podem fazer as velhas carícias no corpo do violão, que permanece a um canto do quarto, empoeirado, ressentido. sem mais falácias e nem jujubas a vida não parece tão fácil, o futuro diminui conforme eu cresço. A existência vem de bandeja, e esse é o tempo em que a gente aprende que precisa pintar os cabelos, as unhas, os olhos - e o que mais der - pra colorir a vida. Os passatempos agora são fichinha, difícil mesmo é sobreviver a tudo isso.

garçom, esquece a fluoxetina e me traz o meu menino, por favor?

domingo, 17 de janeiro de 2010

folhas ao não-vento

o sol derrete o inverno tão rápido
as idéias implodem em preguiça
ainda assim não se abrem caminhos
para que o amor seja via de mão dupla...

atualmente preciso de um banho de chuva pra que meu poder de fogo possa florescer, crescer, se escrever...

sábado, 16 de janeiro de 2010

cores

a caneta se calou e o pincel se fez cores em todos os lugares em que ela insistia em sonhar. a vida era mais leve e os sonhos mais vívidos na presença da dose diária das 4.

mas as memórias e os pensamentos corriam mais rápido que nunca.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

boom

não consigo esperar ou adiar tanto
enquanto eu escondo a embriguez
correr em círculos
não termina a jornada
não consigo mais procastinar
não há dias ensolarados
eu começo a vacilar
meu coração desmancha quando voce se derrama no copo
eu me indefino quando tu sorri
não é simples
quando tu sorri não é facil
todos os meus problemas parecem desmanchar
e amanhã vai ser outro dia...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

intoxicação por acetona

aos 20 anos, quando tudo é cor
os cabelos se confundem
as cores se misturam
os sabores se perdem
os sentidos se recriam
sem livro ou dicionário

aos 20 anos, quando tudo é maquiagem
eu sussurro no teu ouvido
make me
a noite é manhã
a tarde é sessão coruja
e eu alvoreço azul

aos 20 anos, quando a gente já dançou no gargalo
se convenceu de tudo
eu continuo pintando as unhas
sabendo que a beleza
se dissolve em água
acetona
ou no tempo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

irremediável

enquanto isso, seus pés tamborilavam uma canção que ela adorava na parede azul céu com nuvens que ela mesma tinha pintado. os sinos tocaram, eram 18 horas e nenhum desejo quis calar. os sorrisos eram negociáveis, os olhos também, mas a saudade continuava irremediável. e doendo

domingo, 10 de janeiro de 2010

carta na manga

"meu caro,
hoje assino embaixo. é o dia em que saio da história para entrar na vida, com os olhos pintados e as mãos limpas, com o sorriso cinico de quem viveu seis vidas e não quer saber de quantas se faz um gato: se a gente cai de pé eu não sei, mas que a gente sempre se levanta, disso eu tenho certeza.
morrer é facil, viver tambem. dificil mesmo é deixar ir, ainda mais sem olhar pra trás - eu diria impossível. sei que minhas letras ainda estão marcadas em alguma parte do teu caderno de notas póstumas, com todo meu sentimento e pesar de saber que minhas palavras estavam secando. meu lirismo vive de doer, e os 20 - não sei se anos, amores ou miligramas de fluoxetina - não me permitem chorar. a estiagem chegou e eu bem sei que nunca soube poupar nada, nem amor, nem melancolia, nem doces e muito menos palavras.
as lembranças ainda me fazem cócegas nas esquinas dos lábios, as melodias insônes ainda ricocheteam meus ouvidos nas noites mais longas. e o presente definitivamente me coloca sorrisos nos lábios; e esse é o dia em que a poesia se esgota, sem terminar jamais. eu já não sou mais tão cretina: um ano se fez pesar junto com as folhas caídas do calendário.
minha poesia não viverá jamais de bons hábitos, amores perfeitos e vontade de viver; minha poesia não será jamais pintada com as cores do verão tropical ou de desejos realizados. a bagunça me agrada, e quando tudo está em seu lugar eu simplesmente não posso me encontrar: é explícito demais. deixo nos rascunhos a melancolia, os tons de cinza e a desgraça iminente; deixo nos rascunhos e nunca mais nas entrelinhas - já não posso me deixar subentender sem deixar mortos e feridos.
para que eu já não minta mais, calo todo e qualquer lirismo de seis da tarde, a hora mais dolorida de minha existência. para que eu já não me procure mais, para que pare o genocídio que se tornou meu delírio existencial me deixo encontrar na vida, e com isso perco minhas palavras. e que tu guarde na lembrança e na ponta do teu lápis o que eu já fui de melhor e de pior, vivendo no escuro, enquanto eu sinto meu brilho se extinguir por ter encontrado a luz no fim do túnel, minha melhor amiga agora.
diga a ela que a amei e que a amo, diga a eles que mandei minhas lembranças, diga a ele que mandei minha juventude e a economia de combustível que só um 1.9 pode proporcionar. saio das linhas, meu caro, eu e o amor somos obsoletos just in case you haven't noticed yet. a estiagem chegou, mas o inverno e as noites em slowmotion e vermelho sempre serão nossas.

sem pontos finais, porque a vida sempre continua (...) "

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

estrada parque

o carro ia devagar, a esquerda estava livre. ela gritou enquanto meu coração hesitava do outro lado da cidade. ele avançou em disparada contra os dois pedaços de mim, o motor zunindo, minha cabeça também. a respiração foi suspensa, a direção hidráulica mostrou a que vinha.

dois segundos salvaram minha vida. e os meus amores.

domingo, 3 de janeiro de 2010

terceiro

(se é para o bem de mim mesma e felicidade geral dos amigos, digo ao povo que comecei a escrever meu livro)

apenas um motivo foi procurado para manter os próximos 96 dias, o dezoito à beira do penhasco, a queda livre de tudo aquilo que foi deixado em suspensão. não quis saber a razão da vida, apenas quis viver, cansada de sobrevivência. a vida continuava, o show já tinha acabado há muito tempo, só ela ainda ouvia a música zunindo em seus ouvidos. suspiro.

à beira dos vinte muita música sem sentido se fez entender, os anos pesaram mais que nunca. meu paladar ficava cada vez melhor, e assim também meu olfato - ou apenas mais ilusório, ou alucinante. a máxima dos 19 era ah, já não há mais (insira sua nostalgia e rabugice aqui) como antigamente... nem as músicas, nem os programas, nem os filmes, nem eu mesma, nem a literatura. as 4 mãos que ultimamente haviam sido minha esperança - mayer e dica, que as mãos não tenham se calado definitivamente - escreveram suas últimas linhas com palavras de adeus, tive de dar pêsames a mim mesma na falta de companhia.

continuei procurando alguma coisa que fosse digna de permanecer nos traços, na memória - minha e de outros. era facil demais escrever para os outros, mas destinar cartas a mim nunca tinha sido mais difícil...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

diferente

o álcool percorreu o mesmo caminho, mas agora seu destino era outro: a grama da entrada do prédio em que ela morava. ela sorriu. adeus, ano velho. a boca continuou seca, seus olhos também. o telefone tocou e ela lembrou que depois da estiagem sempre vinham os ipês amarelos e a primavera - não que o inverno não deixasse saudade, mas as cores primárias sempre lhe chamaram muito mais atenção.

"this is the springtime of my loving, the second season i'm to know, you're the sunlight in my growing... but i know that i love you so"