sábado, 30 de outubro de 2010

pra não dizer que não falei das flores

tenho necessidade de apagar certas coisas, outras, apesar de tudo, permanecem. pra não dizer que não falei das flores, pra não dizer que não falei de amores, digo - antes tarde do que nunca - que ambos vivem em mim de certa forma, junto com as borboletas e todos os outros bugs que insistem em me rodear:  i love you and all that jazz... numa madrugada de sábado. e então eu me dei conta que de todas as flores, o cactus foi o único que sobreviveu à estiagem. cheio de espinhos, mas sempre fiel. um incenso e um jogo noturno - pra não dizer que não falei dos cactus.

i love you all
and all that jazz.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

dois

a amargura deixava agora espaço na minha língua pros sabores mais simples: um gosto de fim de tarde, de céu nublado, de chuva na universidade, de conversa com conhecidos sobre intimidades. sem me dar conta que dois meses tinham se passado desde aquele dia em que resolvi amar um pouco mais - é impossível não se apaixonar diariamente pelas ruas de pedra, pela primeira chuva em 100 dias, pelas luzes.

as noites etéreas e o álcool nos copos certos mas nas doses erradas, do jeito que eu gosto. perder foi o jeito como me encontrei, um pedaço em cada parte do mundo. the way you make me feel/ you really turn me on. eu sentia de novo as borboletas no estômago, o sangue correndo em minhas veias, a satisfação pós-meia-noite que eu não sentia há 3 anos. brindei aqui, ali, em todo lugar. dancei aqui e la, em todo lugar. com a mesma prepotência de quem pensa que sabe tudo que eu exibia na universidade.

tomei um fôlego, tomei uma dose, tomei vergonha na cara. meu caso era de urgência na fila pra psicoterapia, mas dois meses se passaram. e eu passei com eles.  hoje eu sei que gosto de ser mulher, de fazer psicologia e que eu falo até dormindo. hoje eu sei que me encontrei quando perdi - a vergonha, o medo, as meias...

sábado, 23 de outubro de 2010

life in mars

Queria te falar da minha vida no novo continente, das ruinas que vi e vivi, dos olhos vermelhos e das doses a mais de álcool, sem família ou cama de hotel, sem roupas caras ou sapatos bonitos. eu vivo quando saio daqui, quando me deixo fluir com a vida, bem mais simples do que nós jamais imaginamos, cara pálida: cores, texturas, sabores, cheiros, pessoas, dentes, barraquinhas, carros e buzinas. minha fé cresce um pouco a cada dia, meus pulmões também. percebi que vivemos no limite, a mais de 400 dias por ano, ultrapassando a barreira do som, destruindo as estruturas do amor e de todas as outras coisas singelas, todas simples demais para nós.
Aos meus amigos minha gratidão e meus melhores desejos de uma vida cheia de coisas simples - ou cheia de uma simples coisa, que seja. Escrevo menos agora, ouço mais, vivo mais. Meu querer é simples, minha ambição é uma só. Sem pedidos de desculpa - algumas coisas dificilmente mudam. Mas percebo que estava errada e que viver de olhos fechados e se enganar só é facil na música dos beatles. minha consciência é meu sentido mais aguçado.
Não explodo mais com tanta facilidade, não falo mais tanto sem pensar, não tomo mais porres homéricos na minha cidade mas ainda atraio todos os caras gays. Algumas coisas dificilmente mudam. Mas hoje leio filosofia e penso em política genuinamente enquanto espero meu cabelo secar.
Queria te falar de toda beleza que eu vi, de toda vida que se passou diante dos meus olhos. Queria te falar das cores, do meu trabalho, do que eu descobri dentro e fora das páginas dos livros, dentro e fora da academia. Queria te falar de tudo isso, mas as palavras eram complexas demais. E eu quero uma vida simples.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

rolling stones

eu gostaria de ter ainda um pouco de voce em minhas entrelinhas, mas eu sei que a página já foi virada. ainda assim eu assino com saudades. não é crime, né?

sábado, 2 de outubro de 2010

perfect strangers

and if you hear me talking on the wind
you got to understand
we must remain
perfect strangers...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

panamá

quando cinco são doze e a primeira chuva de setembro molha outubro, não importa de quantos nãos a razão é feita, eu sinto tua falta miseravelmente numa sexta-feira à noite: um crime, um pecado, um sacrilégio. os oceanos separam alguns continentes, um canal é o que nos distancia ao invés de mandar as mensagens. descansei minha cabeça no travesseiro tão macio quanto o teu colo, infelizmente faltavam dedos. (...) somos feitos de ar. e você, de terra, sepultou meu coração, colocando uma cruz - que ninguém sabia se era religião ou sinalização do mapa do tesouro.
o tédio acabou em minhas mãos, as férias agora eram mera formalidade, eu estudava de janeiro a janeiro e você comprava a sua próxima passagem para a-gente-sabe-bem-onde, de encontro marcado com um novo estilo de vida, de encontro marcado com uma nova perspectiva de eu. eu e eu éramos nós afinal de contas. a um oceano de distancia estava o velho continente, a um vôo de distância estava o lado latino da américa, a um canal de distância estava você:

(tive receio das linhas seguintes, deixei o cansaço me abater sem misericórdia: é sexta-feira)

um canal de distância, bastava dedos e coragem pra ligar.