domingo, 26 de julho de 2015

como se a folha que paira no ar deixasse de ser folha só porque o resto do mundo não lhe faz margem. com ose a falta de contato com a árvore fizesse da folha coisa menor. Talvez uma folha sem vida mas ainda assim menos folha?
como se o vácuo já não importasse e apesar da falta dos limites alheios que esbarram em mim me fazendo contrair e sentir minha presença eu agora pudesse ser mesmo que no vacuo. ah, livremente. e aí eu vejo meus proprios limites, por mim, e noa pelos limites alheios. e eu gozo com isso. eu estou satisfeita.


sexta-feira, 13 de março de 2015

o espaço branco me encara como se me interrogasse. poderia ter acontecido com qualquer pessoa que tenta se agarrar à vida com o que julga ser suas últimas forças. poderia ter acontecido com qualquer um que achasse que aquela era sua última chance e tivesse na conta bancária uns trocados e na cabeça pouco ou quase nenhum juízo. poderia ter acontecido com qualquer um, mas aconteceu comigo.
no meu aniversário de 19 anos eu não tinha perspectivas, e eu passei a semana trabalhando em algo tedioso e que pagava uns 10 reais a hora. eu nem sabia o que fazer com aquele dinheiro que, para mim, que sempre tive pouco, era demais. 
naquela sexta-feira eu acordei muito cedo e não consegui mais dormir. vi o sol nascendo pela varanda do apartamento que era virado para a nascente. eu me sentia como um zumbi e fazia dias, semanas ou meses, eu já nem sei contar os dias, que eu mal dormia e que dormia mal. um sono atormentado, que me cansava, que me deixava com bolsas cada vez maiores embaixo dos olhos. mas eu já nem ligava. assim eu completei 19 anos depois de uma noite insone, descolorindo meu cabelo antes do sol nascer, sozinha - embora eu morasse com minha familia. pintei meu cabelo de laranja porque não havia nada melhor a se fazer naquele dia. minha vida nunca mais foi a mesma. eu nunca mais seria capaz de ser a mesma.

poderia ter acontecido com qualquer um, mas eu deixei e fiz acontecer comigo. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

leve. (d.,f.)

"me toma
me engole
como veneno
como remédio
trai a ti mesmo
me muda, adultério
me leva contigo
me leve à loucura
só não me leve a sério"