terça-feira, 22 de junho de 2010

vuelvo al sur

o inverno se anunciou na cidade, ele também. o frio a colocava de cama, ele adorava isso. os jogos a pintavam, ele achava lindo. ela fazia seu show, ele pedia bis. ela tirava as máscaras, ele se despia. as folhas já tinham caído, ele só via flores nos olhos dela. ela cozinhava, ele se satisfazia com o aroma. as expressões duras dançavam sobre a face dela, ele ficava instigado. As sombras e luzes corriam pelas curvas dela, derrapando; ele ia devagar. "você é ilogicamente linda." ele disse. ela mudou de assunto. o inverno se anunciou na cidade, ele pediu um café. ela bebeu sem titubear, ele nao sorriu. O receio lhe cortou a língua, ele a deixou correr. "desenho, escrevo, componho, toco, sou auto-didata e estou a caminho do 4º idioma. sou criativa, versátil e carismática.", ela disse. ele adicionou "e doce". ela sorriu generosamente. "si vuelvo al sur, vuelves conmigo?"

segunda-feira, 21 de junho de 2010

I couldn't even recognize your face. It means now I just opened my eyes and realized who you really are: and you're such a piece of shit. I couldn't even recognize your face.

domingo, 20 de junho de 2010

eu sou carne, eu sou sangue. eu me dou, eu me vendo, eu compro. eu rio, eu me esvaio, eu morro. eu faço, eu me deixo fazer, eu deixo estar. eu fico. eu sou preto, eu sou branco, eu sou cinza(s). eu queimo, eu explodo, eu brilho. eu apago. eu quero, eu não quero, eu consumo e eu evito. eu pinto, eu escrevo, eu desenho, eu rascunho, eu rabisco, eu corto, eu costuro.




eu sinto muito - estou viva.

sábado, 19 de junho de 2010

epifanias

desceu ao fundo do poço em busca do tesouro
lambeu o chão imundo que tinha o mesmo sabor do teu beijo
dentro dos teus olhos mais perdidos que ela mesma
úmido, solitário e cheio de podridão
não se sabe ao certo se é o fundo do poço
ou teu coração
eis o pior e o pior de ti
a solidão e as tuas companhias
quem você foi e quem voce seria
teu espelho e teu retrato
não são nem mais dignos de estarem no seu quarto
não existe amor e nem respeito no fundo do poço
só auto-piedade e um medo louco
da solidão e do futuro
e por ter ficado em cima do muro
a ela restou cair com a primeira brisa
no fundo do teu poço
que hoje sabe-se que é um esgoto
não há moedas de desejos e nem tesouro...
foi tudo pura perda de tempo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

sombra e luz

era tarde da noite, a música amena emoldurava o momento, ela jogada na cama após uma surra de sentimentos, afetos e desafetos. Ela tinha uma mente brilhante, o que evidenciava ainda mais as sombras na sua pessoa pequena, solo, precoce. A leveza da juventude ia ficando pra trás e ela se via pesada: no mundo ideal uma pluma e uma bigorna atingiriam o solo ao mesmo tempo após a queda livre. o mundo não era ideal. As primeiras rugas apareciam no canto dos lábios, os olhos ficavam cada vez mais fundos, as olheiras mais roxas e as maquiagens já não eram capazes de camuflar sua falta de sono. Esteve observando sua existência do lado de fora do próprio corpo por meses, sem prazer algum de ser e de estar, frigidez emocional e apatia. Ela derramou lágrimas em luto à auto assassínio que cometia diariamente ao sentir o impacto de retornar ao próprio corpo.
O sussurro do homem lhe causava um calafrio estranho, o aroma de café fresco e o cheiro de inverno, seu cachecol cinza chumbo tão pesado quanto a sua sobriedade. Ela assumiu uma dúzia de verdades universais, sabia que não era uma mulher interessante e que também não era uma garota interessante, era bonitinha mas ordinária, leu nos dedos quietos do homem. Ela se calou, ele a desejou com intensidade. Ela não era mais doce nem amável, lembrou um velho amigo. Pela primeira vez alguém a desejou em silêncio, provando que seu rosto era bem mais brilhante que sua mente. Ela caiu em prostração, isso era o sinal dos tempos: o brilho da sua mente estaria se esvaindo para lugar nenhum?
Ela permaneceu deitada na cama com suas melhores roupas, se perguntou o que faria se ele pudesse ver o lado mais escuro dela. Ela sabia que ele viraria as costas e apagaria alguma última vela antes de sair, o que não importava a ela - o escuro sempre foi o lugar dos sentidos...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

dynamite et moi

naquela noite minhas unhas eram cinza chumbo e meus dedos pesavam mais de uma tonelada; um calafrio brincou de hide-n-seek no meu corpo, correndo dos braços para procurar abrigo na nuca, chegando por fim nos meus ouvidos que se levantavam em denúncia. the cold weather makes me sick: lovesick, homesick, buenos-aires-sick. eu já não sei se é o frio ou se o tremor da minha mandíbula tem algum outro significado subliminar. eu já não sei se são os 20 que me consomem ou se eu que consomo os anos, insaciável como sempre - eu trago tudo em mim: o verão, a região dos lagos, os churrascos, as pizzas, os rodízios, as viagens, as estradas, a família, os amigos, os livros, as palavras, o álcool, teu cheiro de cigarro barato, teu cabelo intocável, tua barba recém-nascida, uma vida toda pela frente, os doces, tua mão quentinha, tuas roupas cinzas, teus versos, minhas divagações e devaneios, a amargura do whisky sem gelo, uma prepotencia inerente aos 20 anos de idade, aquela vã, mas necessária.

eu não sou nada além de poesia, embriaguez e amargura - um whisky que ainda tem que curtir muito até poder ser consumido...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

You're awful bright, you're awful smart

I must admit you broke my heart
The awful truth is really sad
I must admit I was awful bad

se mesmo os stones caminharam pelas ruas do amor alagadas, porque eu não as atravessaria também? minha mãe sempre me ensinou a nadar...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

MM

que tuas mãos não se calem jamais:
que haja sempre o bar mais próximo
o amor mais próximo
e a próxima dose nas tuas palavras
que não te falte linhas para percorrer
mas sobretudo
que não me faltem ouvidos
para ouvir teu trem vindo

terça-feira, 8 de junho de 2010

e todo mundo admitia

são 09:13 em brasília, o sol perfura minhas cortinas, teu retrato revira o que os românticos chamam de coração e eu chamo de estômago. Mais um day off, mais um texto pobre, mais uma hora em casa e um anúncio que eu esperei por anos: I'm leaving the city, I'm striking off once again. Hit me.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

confissões matutinas e conversas consigo mesmo

"quando as coisas dão errado eu insisto em fingir que o passado não é real, mas... negar a des-sorriso agora é ignorar as rugas que começam a despontar na minha face: pura hipocrisia. e eu sempre guardei meu dom de mentiras para os outros, não vou provar do meu remédio e do meu veneno."

não-alcoólicos anônimos

as horas passaram calmas, o sono permaneceu. caminhando entre as gôndolas e as araras ela encontrava a paz que nunca tinha perdido: ela nunca tinha é comprado. Ela esperou que a vida se repetisse, que seus versos se repetissem, que seus olhos se repetissem pelo excesso de rotina, sem perceber que a rotina nada mais era que uma longa sequencia de fatos irrepetíveis. colocou em um papelzinho qualquer as obrigações daquela semana, calculou seu tempo de pensar, seu tempo de ser, seu tempo de estar e principalmente de bem estar. só esqueceu de contar as horas pra amar, essas eram longas...

antes de dormir, naquela noite ela separou as velhas fotos - uma desculpa pra revê-las antes de prendê-las a sete chaves no passado. ela fez um sinal da cruz antes de se acomodar no travesseiro, pensando na carta de alforria assinada pelos médicos: um dia de cada vez. sem alcoólico, só com o anônimo.

sábado, 5 de junho de 2010

do amor e do rock n roll

a chuva cai nas ruas do amor
não há mais campos de morangos pra sempre
e ninguém arrisca viver de olhos fechados
o amor é forte, eu ainda sou doce
she loves you - no no no
e eu prefiro ser uma pedra rolando morro abaixo
que ser só uma pedra sem história nenhuma...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Para aquele que não quiser ler

Brasília, 4 de junho de 2010.

Caro leitor,
antes de tudo gostaria de lhe condenar pela prepotência da tua razão que se diz esclarecida, pela tua petulância de desconstruir minhas palavras no intuito de hermeneutizar minha essência: não há nada de ciência em ser humano, só há sentir e sentido não nas linhas ou entrelinhas, mas no que está por trás do papel - diga-se de passagem, eu. A psicologia não é a resposta e nem eu sou a pergunta, percebo que a psicologia é a ferramenta e que a maioria de nós dois não tem nenhum preparo para pegar nessa enxada - e o diploma não faz do engenheiro um bom mestre de obras. Os números vão ilustrar, mas só as palavras vão fazer de tudo isso arte e da ciência, tecnologia. (Insira aqui tua risada ou teu meio sorriso de pseudocientista convencido que um dia o ser do humano será passível do método científico tal qual o universo).
Sem tomar meus remédios tudo me incomoda: o sol que me pinta a cara pela manhã na cama, os gritos de discussão pela madrugada na rua, o frio da rodoviária depois das 10 da noite, o carro amassado no estacionamento e principalmente a face apática dos que se escondem em laboratórios de 8 às 8 e que com certeza condenam os que se escondem em escritórios de 8 às 8 e os que se escondem em ateliers de 8 as 8. Tudo me incomoda e eu já não me envergonho do dom do paladar, quem tem lingua quer sentir o sabor doce, mas inveitavelmente vai sentir o amargo. Não quero viver de língua queimada, não quero perder o sentido do sabor e do saber.
O grande sábio recém-formado em psicologia me recomendou auto-negligência como remédio para o meu sentir imaturo e patológico, eu cuspiria todas as minhas pílulas na sua cara e carimbaria na sua consciência pesada minha carta de despedida e o convite para o meu funeral e de todos aqueles que ele certamente já havia matado silenciosamente em seu passado, sem melhor e nem pior de si, o que lhe restava era a maturidade que ele me vendia como o produto mais requisitado da sociedade pós-moderna. BULLSHIT. Ele cantarolou a minha canção em forma da sua mais sucinta maturidade no alto de seus 25 anos bem vividos. Se eu não havia morrido de inveja, com certeza iria me matar - ou não. Eu percebi que nem meu corpo aguentaria mais um instante de tanta maturidade que com certeza o deixava bem mais perto do apodrecimento do que eu,  verdinha no alto da árvore.
Em um outro canto da cidade o telefone tocou. O telefone dele já não tocava mais, ele não quis sentir nada, só quis pensar. Ela não quis pensar, só pegou as chaves do carro e saiu em direção à outra pra professar a maior das verdades que ninguém nunca quis ouvir: Nadie se curo, sino se puso enfermo /Y es tan frecuente como extraño/ Si no puede hacerte daño, no te ara feliz. Eu agradeço. Não posso negar a fé e nem meu paladar, não posso negar que sou teísta e nem que eu sinto muito, não posso negar nada disso mas não me peça pra arguir com você e lhe dar meia dúzia de argumentos lógicos pra provar tudo isso: viver não é lógico, sentir menos ainda.
Nunca me dediquei aos estudos de gramática, à leitura de clássicos, aos estudos físicos e matemáticos, à geometria ou ao desenho técnico, muito menos à física da música e suas teorias. Nunca me dediquei à filosofia. Ponto. Nunca li uma obra completa de Machado de Assis. Não decorei as letras de Chico Buarque e muito menos Caetano, não elocubrei interpretações para as poesias. Mas escrevi, toquei, desenhei, rabisquei, pintei, cantei e amei tudo que já fiz e toda a imaturidade que ainda sou. Abracei a mulher com quem discuto todos os dias sobre defeitos que provavelmente nunca se moverão enquanto ainda me ressentia pelo dia anterior e lhe disse que a amava. Não esqueci nada, mas perdoei tudo.
Não me negue o direito de perdoar fechando os olhos para a culpa, não me negue o direito de te amar, de te fazer e de te destruir, de te odiar, de te desprezar profundamente, de ter nojo de você e da sua condição imundamente humana, da sua prepotência infantil e dos seus vícios ridículos, da sua maturidade entre aspas da qual eu já experimentei e cuspi de volta no prato - maturidade essa que é entorpecimento puro. Não me negue o direito de amaldiçoar, de te machucar e de partir sua cara em dois. Não me negue o direito de espalhar cartazes pela cidade ridicularizando suas manias, não me negue o direito de me ressentir. Mas principalmente lhe peço que não SE negue o direito de tudo isso: de ser odiado, desprezado e ressentido por todas as coisas que fez. Não se negue a lei da física dividindo na mesa de bar minha vitimização sem sentido e o quanto vocês todos cientistas são maduros. Não me negue o direito de ser humana.
Hoje escrevo de baixo, entre os cobertores da minha cama e uma satisfação imbecil e vã toca minhas maçãs do rosto toda vez que percebo nos reflexos que sou verde, imperfeita, impassível de ciência. Que sou frágil, que a vida é frágil e o amor mais ainda. Que eu posso desmanchar na primeira chuva de verão. Que todos os conceitos que aprendi não me dão o dom da predição e que apesar de toda a certeza que carrego de que eu amo o que sou, não posso garantir a você que podemos baixar a guarda e seguir lado a lado. E tudo isso me satisfaz, o modo como eu não hesitarei em pular dos mais altos dos prédios com a certeza de que não há grades de proteção lá embaixo só pela liberdade da queda, sem negar os urros de agonia quando o fim chegar. E eu quero que você ouça cada um deles.
Ele me disse que eu sabia como você era e que eu não podia sentir muito por isso. Agora eu digo que todos vocês sabiam como eu era e que eu decreto aberta a temporada de ser humano: salve-se quem puder, não haverá ciência ou método científico capaz de predizer meus comportamentos. E eu, meu bem, meu amor, meu cretino, sinto muito: só posso viver o futuro se eu viver o presente.

Sem mais ou com ainda uma eternidade por vir,
F.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

cenas

(a cena se passa em um dos espaços verdes da universidade entre o instituto de artes e a galeria piloto, às raízes de uma grande árvore, a mulher senta-se em uma das raízer maiores, coloca a bolsa cuidadosamente em outra raiz e tira os sapatos, posicionando-se de forma a esconder o rosto com um livro fechado entre seus braços. O jovem se aproxima da moça, pulando de raiz em raiz, sorrateiramente até ser percebido pela jovem que, ao levantar o rosto, enxuga lágrimas de maneira desajeitada)

rapaz: oi, eu tava passando por aqui e vi que você tava com uma cara um pouco...
moça: inchada?

(ela seca mais os olhos e dá uma profunda fungada. o rapaz sorri, de pé, olhando para ela)

rapaz: não, hesitante.
moça: é, um pouco disso também.

(a moça sorri com os lábios, os olhos permanecem molhados. o rapaz faz menção de se aproximar)

rapaz: posso?

(fala enquanto se aproxima indicando que vai sentar)

moça: à vontade, eu gosto muito desse lugar, sabe?
rapaz: eu também, sempre passo por aqui.

(silêncio)

rapaz: e então? você quer falar alguma coisa? se não quiser também não tem problema... eu posso só ficar aqui, do seu lado.
moça: obrigada.
rapaz: quando eu fico assim, sabe o que eu faço?
moça: hã?
rapaz: eu tenho uma overdose de arte, eu leio um livro enquanto ouço musica e assisto televisão. se eu pudesse, tomava banho também, tudo ao mesmo tempo. é assim que eu amo, é assim que eu odeio: eu faço do meu sentir, arte. você não precisa temer o leão, raposinha.

(a moça sorri, o rapaz permanece atento, olhando para o outro lado do cenário)

rapaz: minha professora chegou, eu preciso ir. mas você vai ficar bem, não vai?
moça: sim, pode ir tranquilo. obrigada!

(o rapaz levanta e ajuda a moça a levantar)

rapaz: me dá um beijo?

(a moça o abraça forte e lhe beija a bochecha)

moça: boa aula!
rapaz: segue teu caminho, só não fica fria, raposinha. deixa queimar.

(o rapaz sorri enquanto a moça saltita pelas raízes buscando a calçada, descalça, segurando os sapatos nas mãos)

terça-feira, 1 de junho de 2010

14 horas

e 4 dias. duas certezas, o frio invadiu a cidade, a ilusão se perdeu na neblina do lago. O ônibus atravessa oceanos em questão de minutos, todos os caminhos mapeados e os mapas não são legíveis depois das 10 da noite. e já são 11. os motoristas e os cobradores, os passageiros e os permanentes, as prostitutas e os necessitados. é tudo noite, eu não sou e nem a meia dúzia que se esconde por trás do volante financiado em 5 anos e da liberdade de pensamento. É triste ver que os monstros na cabeça não são páreo pra você mesma, sua pior inimiga; triste mesmo é ver tu definhando. O inverno traz a chuva seca, a estiagem que consome até a lembrança, não se derramou mais uma lágrima sequer desde o outono: vai e vem, é tudo em vão, é tudo vão, VÃO. VÁ. as luvas saem das gavetas e as meias também, só tem gente que não sai do armário...

Ah o inverno. O inverno pede cinza por excelência: e eu por prazer, queimo.

16 horas. 4 dias. nada apaga o inverno dos nossos rostos cansados. e a gente queima, queima, queima....

cartas na árvore

por entre as árvores, encontrei palavras impressas e deixadas ao vento. Alguém diria que foi o maior ato de covardia, eu diria que foi a legítima coragem de se abandonar a qualquer mão amiga. A carta destinada a ninguém e a todo o mundo pintava o presente em tons de cinza, no lado em branco de uma folha já usada:

não evitarei que meu pescoço se vire procurando o passado, e nem negarei a nostalgia ao meu peito brilhante, recheado de pó de estrelas e coração. Não negarei aos meus pulsos os rabiscos que desenham seu rosto miserável, o amor, teus beijos: um brinde à distância. Não negarei a tristeza e nem as estradas, nem as forças e nem as risadas. Não negarei teu convite sem braços abertos para um abraço apertado, não negarei a oportunidade de me perder outra vez, não nego a oportunidade de perder outra vez. Mas eu gostaria que apesar de tudo você ficasse: quero que você seja minha recompensa. 

era o início de mais uma tarde maçante com gente chata na universidade: algum coração - ou pelo menos o que restou dele - ainda batia em algum canto daqueles concretos que queriam ser arte.  sorri feito boba, sorri como se eu fosse eu outra vez...