terça-feira, 30 de dezembro de 2008

insonia dançante

'vou cantar um blues pra quem já amou um dia
e hoje só tem a solidão como companhia
pra quem bebe sozinho numa mesa de bar
e nao tem pra quem voltar
(...) pra quem tem medo e vai
e tá largado nesse mundo
vou cantar um blues.' Bartô Blues Band, Blues da Solidão.

naquela noite ela não dormiu. se revirava na cama, sentia ansia de vomito, seu nariz lhe incomodava e a musica nao lhe agradava nada.

2 da manhã. 'ótimo' ela pensou resolvendo deitar em outra posição. 'logo o sono vai chegar.' não chegou.

3 da manhã. 'excelente' ela agora estava se sentando á beira da cama com o edredon enrolado na cabeça.

uma eternidade se passara. 3 e 15. '3 e 15?????????????? não é possivel, isso é pior que aula de historia e sistemas e psicofisiologia juntas!' ela já não sabia o que fazer. mas lembrou de um certo cara:

'eu danço pior que boi manco.' ela dizia.

'dançar é uma coisa que se faz sozinho no seu quarto às 3 da manhã' ele respondeu a afirmativa.

ela resolveu tentar. mesmo que fosse no ritmo do silencio.

domingo, 28 de dezembro de 2008

e eu.

'eu te amo.' as três palavras mais simples lhe pareciam tão impossíveis de serem faladas.

'voce nunca vai me deixar?' ele parecia ansioso.

'nunca.' mas ela pensava ao dizer essas palavras. ela odiava mentir, embora nao parecesse. ela sabia que era tão volátil quanto um litro de álcool em um vidro aberto. e que ele não iria tampá-la, de jeito algum. e isso doía, estar tão só, tão livre: pela primeira vez ela desejava que não fosse assim, que ela estivesse realmente presa a ele. mas não era tangível, não era possível. ela o queria demais, tanto que machucava. ela tinha se tornado teimosa demais para desistir.

'eu te amo. de verdade.' ele reafirmava.

e isso só tornava as coisas mais difíceis do que já eram. mas de repente ela se lembrou dos ultimos meses, das suas noites no bar, das suas noites em claro, das sua páginas lidas, dos seus escritos. e ela agora tentava entender que talvez nao o amasse.

'eu também.' ela agora não mentira, mas omitira as três letras que lhe apontaria como mentirosa.

o brilho eterno.

havia milhares de coisas que a intrigavam por aqueles dias: o pensamento que lhe fugia do radar para encontrar 'ele', as páginas que pareciam já terem sido viradas voltando para lhe mostrar que a leitura não havia sido bem feita fazendo-a sentir como se só pudesse virar páginas molhando os dedos - com suor, com saliva ou na pior de suas expectativas, com lágrimas.

ela estava intrigada com os sonhos do seu pequeno amor que lhe diziam mais que qualquer monólogo que ele já tinah feito - voce estava grávida de gemeos, eu era o pai e nós íamos casar, mas algo me dizia que ele era o pai e voce estava tentando me enganar. loucura. ou não.

e mais lhe intrigava ainda que ele, o ele que o outro enfatizava em suas palavras, andasse a visitando. mesmo que amasse outra. amasse outra. outra. tra. a. (os pensamentos ecoavam em sua cabeça) e ela sabia que não amava ele. sabia bem. mas odiava não ser o objeto de adoração de alguém, odiava não poder destruir a vida de mais um. odiava.

e ela sabia que amava o outro. sabia melhor ainda. sabia que a página estava sim virada. mas por alguma razão estranha ela sentia que não. fazendo-a sentir como se só pudesse virar páginas molhando os dedos - com suor, com saliva ou na pior de suas expectativas, com lágrimas. ela já tinha suado e salivado, lhe faltavam as lágrimas.

e naquele dia ela decidiu que ia chorar. mas nada lhe ocorria. nada lhe socorria.

is it all just wasted time (can u live with yourself when u think of what u've left behind?)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

:)

'tenho que te confessar uma coisa' dessa vez ela foi rápida, sucinta.

'?' ele não entendeu quando eles entraram e nem como entraram nesse confessionário.

'sabe, eu queria agradecer o *****. queria abraçar ele bem forte e dizer: 'cara, obrigada. eternamente obrigada.' e abraçar mais forte ainda.' ela soltou o elo sem o resto da corrente do pensamento.

'o quê? voce tá LOUCA?' ele deixou em letras garrafais. 'voce prefere ele? aquele bebado?'

'calma.' ela sorriu pra ele, transmitindo a calma que era uma parte dela. 'deixa eu terminar'

ele parecia intolerante, com suas sombrancelhas marcantes quase grudadas em seus cílios. ela contiinuou.

'eu queria agradecer ele. de verdade. abraçaria ele e diria assim 'obrigada. obrigada por fazer daquela noite uma noite tão vazia, uma noite tão deprimente, uma noite tão dolorida. obrigada por se embebedar e me tratar como uma qualquer. obrigada por não me fazer sentir especial. obrigada por ser idiota. obrigada por não ligar no dia seguinte. você é ótimo nisso. obrigada por me fazer sentir mal pela primeira vez em um ano. obrigada, porque tudo isso me fez lembrar que eu tinha alguém gentil, amável e doce que apesar de não ter sido capaz de tocar uma única parte do meu corpo, foi capaz de me amar como ninguém mais amou. obrigada, porque se não fosse voce, aquele ponto que, na verdade eram reticencias, teria se tornado o ponto final. infinitamente obrigada.'

ele descruzou os braços antes amarrados a seu corpo. seus olhos estavam abertos de maneira incomun, sua boca talvez sorrisse. mas ele ainda nao tinha entendido.

'e sabe... eu lembrei de voce quando eu acordei na minha cama, sozinha e com mutia dor de cabeça. lembrei porque eu tinha feito tudo aquilo: pra te esquecer. lembrei das coisas ruins que voce quis dizer, lembrei de tudo. lembrei de como eu amava voce de uma forma tao infantil, eu era so uma criança mesmo. lembrei que voce ainda estava em algum lugar desse mundo, talvez precisando de mim pra te amar. talvez nao. mas lembrei de voce. eu era feliz, mas não era igual, faltava o entusiasmo que eu sentia só de pensar em voce voltando de algum lugar longe, faltava algo que eu nao sabia nomear. amor? não sei, só sei que doia quando voce me falava aquelas coisas, mas incrivelmente doia mais estar tão longe de voce.'

ela ainda continuou, mesmo que sentisse as lágrimas brigando contra sua força de não parecer fraca. 'hm... *risinhos* ... e entao eu corri pro computador e te escrevi aquela mensagem que voce responderia meses depois.'

'eu lembro' e ele sorriu.

'mensurando os dias de verão
apenas concluo que eles se desmancharam em cinzas
as horas me trazem dor

pensando em como tudo era
será que voce ainda lembra daqueles dias
e pensa em nós de novo?

eu penso.' ela pausou. 'é tangerine, do led zeppelin. minha musica favorita.'

'eu sei.' ele sorriu amavelmente, como fazia poucas vezes.

eles ficaram quietos por um instante.

'eu também sou grato a ele.' ele disse ainda sorrindo. 'muito grato.'

'tis strange but true...

... for truth is always strange.'

ela teve flashbacks naqueles dias, talvez em decorrencia da correria natalina. se nao fosse ela, ela estaria vendo filmes inteiros que ela nao queria ver.

mas naquele dia 25 foi diferente. ela sentiu como se ele ainda estivesse ali, do seu lado. sentiu medo mas nao sentiu saudade. e foi enfrentar o medo: de frente mesmo, como sugere o verbo. sentou e procurou alguma coisa que ela nao sabia, mas procurou com força, com vontade. queria encontrar alguma coisa que, apesar de ela nao fazer ideia do que fosse, lhe explicaria tudo. via fotos, cartões, escritas.

e ela encontrou. diferente do que ela esperava e ao mesmo tempo igual: algo assustador, horrivel, quase nao podia olhar e ao mesmo tempo nao desgrudava o olho. ela fechou a pagina no computador. esperou. mal percebeu que tremia. sacudiu a cabeça desgrenhando seus cabelos já despenteados.

'não... preciso... olhar... não...' e abriu de novo a pagina. era horrivel mesmo.

ela parou. olhou. desviou o olhar. olhou de novo. 'ninguem precisa disso!' e fechou a pagina.

ao mesmo tempo que estava satisfeita, estava terrificada com a visão, era horrivel. 'meu Deus! NINGUEM precisa disso!'

e riu. riu porque era boba. riu porque todos tinham sua época de errar. riu porque a dela já tinha passado - pelo menos naquele assunto. riu porque no fundo ela sabia que aquilo era algo do que se rir. pelo menos agora. riu porque já tinha chorado, riu porque ja tinah sofrido.

riu porque ela agora estava viva de novo. e ele? pelo menos no mundo dela não. nem morto nem enterrado - cadáveres podem ser exumados, zumbis existem.

riu porque sabia que no escuro tudo era beeeeeeem mais facil. mas que agora era hora de realmente acender as luzes e começar o show.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

férias.

'aaaaaaaaah, como é bom voltar pra casa depois de um semestre daqueles!' ela pensava.


e lembrava que esse talvez tenha sido o ano mais longo de sua vida. que 6 meses lhe acrescentaram mais que talvez 6 anos. que uma noite em claro poderia valer muitas notas boas, mas custar muita saúde. que procastinação é o passatempo de quem não tem nada a fazer. que dormir é necessário. que comer não é tão necessário assim. que algumas obrigações podem ser adiadas. que mentir um pouquinho às vezes nao faz mal a ninguém. que omitir faz menos mal ainda. que algumas coisas devem ser mentidas. que pra tudo - ou quase tudo - tem uma solução. que panetone e pisca-pisca podem ser vistos em qualquer época do ano. que nem todos os homens são idiotas. que nem todos os homens que são idiotas são gays. que nem tudo que reluz é ouro, e muito menos nem todo gay é bichona. que a perda de um grande grande amor pode doer uma noite... uma semana... um mês... ou nunca parar de doer. e que ainda assim se continua vivendo. que às vezes voce vai crescer metros, mas que nem todo mundo vai perceber. que às vezes a gente precisa fazer coisas que não quer, mas que vão fazer toda a diferença. que - sim, a gente vai sofrer por isso - a gente vai passar por tudo isso, mas só porque tem alguém especial pra segurar a mão.


e ela concordava com vinicius: tudo bem que morram todos os meus amores, mas eu sofreria infinitamente se perdesse todos os meus amigos. e talvez ela já não sentisse tanta paz em voltar pra casa.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

inveja

ela era só mais uma garota: mediana, não medíocre. tinha uma ânsia das coisas mais difíceis, das coisas mais bobas, das coisas mais descartáveis.

e ele não era só mais um cara. ele tinha mais problemas do que alguém desejava ter, tinha ãnsias de vômitos em função da medicação pesada.

'sabe, eu queria ser como voce. eu lembro de quando te conheci: uma menina ainda, na escola, com trancinhas e aquele uniforme que fazia todo mundo parecer feio. lembro da sua vontade de trabalhar com desenho - ainda acho que voce etá no curso errado... mas voce sempre se sai bem no que diz que vai fazer. lembro do seu cabelo estranhamente de duas cores que mudavam conforme seu humor. e também lembro do seu violão desafinado e da sua voz feia, haha.' ele listava, se deleitava com essas lembranças futeis.

'besta. se eu era menina, voce era o que? eu sou mais velha que voce' e sorriu, ajeitando o cabelo que cobria metade de sua face. 'e é fato que o uniforme azul enfeiava todo mundo - menos voce, voce sempre foi bonito da escola.' ela olhava pra ele: foi. 'agora eu... azul ou não eu ficava feia do mesmo jeito, eu nunca fui bonita.' ela nem se incomodava mais, a anti-beleza era até sua amiga agora.

'é, pode não ser bonita, mas sabe que eu conheço dezenas de garotas que queriam ser você? levar sua vida, ter o que você tem, saber o que você sabe, estar onde voce está...' ele enumerava

'estar com quem estou?' ela agora apontava ele. 'elas são tolas. ser quem eu sou... hmpf. o preço é alto.' ela agora parecia se queixar.

'é?' ele não entendia.

'nao sei se a inveja mata, mas nesse caso, mataria... ah, se mataria...'

sobre as alegrias e tristezas de ser uma jujuba de sabor diferente.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

amor: substantivo masculino, abstrato.


ela era uma garota conceitual, embora nao fosse um conceito. sua memória era assustadoramente sua amiga, apesar de ser uma garota tão distraída. e sentia uma necessidade incessante de nomear tudo, de classificar tudo, de saber tudo em minúcias, ...
estavam a garota e o garoto talvez no ponto mais alto da cidade, admirando o céu nublado ao longe. ora andavam em círculos, ora paravam.
'o que voce tá pensando?' o garoto perguntou ao perceber que a garota ia longe, mais longe que ele pudera ir.
'tô olhando as pessoas fazendo coisas ridículas lá embaixo' ela apontou dando risadinhas contidas, talvez para não mostrar os dentes (será que tinha algum pedaço de biscoito preso neles?) ele contemplou. 'as pessoas são tão pequenas daqui de cima, é tudo tão pequeno daqui da cima.' ela continuou.
'é.' ele pontuou, monossilábico como sempre. (silêncio) 'faz tempo que voce nao vinha aqui?' ele agora interrogou.
'uhum.' ela continuou admirando o quão grande era ser pequeno. um pequeno universo estava contido em cada um daqueles pontinhos que vagava pela imensidão dos gramados verdes lá embaixo. 'fazia tempo, acho que três anos ou mais...'
eles pausaram. o vento bateu forte, bagunçando ainda mais os cabelos milimetricamente desarrumados dele e lutando contra os cabelos dela. 'eu vou sentir saudade também, mas eu volto.' ele olhou ao longe.
'promete?' ela questionou, ainda se pergutnando internamente se ele voltaria pro mirante ou pra ela. ou pros dois, ao mesmo tempo, quem sabe...
e ela sorriu ao perceber a afirmativa dele com a cabeça e se contentou com isso, sentindo milhares de cristaizinhos se espalharem pelo seu peito com a explosão de sentimentos estranhos que ela nao sabia nomear.
e nem queria nomear.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

bad medicine?

'sabe, acho que voce é meu cloridrato de venlafaxina.' ela disse um pouco tímida.

'é, te faço vomitar, te deixo tonta e com a boca seca.' ele respondeu.

'é, mas eu não posso viver sem. os efeitos colaterais valem a pena, voce não tem idéia do quanto isso me faz bem.' ela agora justificava a drogadição.

e aquilo que os outros chamavam de doença ela chamava de cura.

sábado, 6 de dezembro de 2008

cloridrato de venlafaxina

A venlafaxina (como cloridrato de venlafaxina) é um antidepressivo da classe dos inibidores selectivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina. Não está relacionada quimicamente com os antidepressivos tricíclicos ou tetracíclicos
eles estavam ali, poucos metros de distancia fisica. ela não estava atrasada dessa vez. abaixou a cabeça e se aproximou dele, que também fingiu que não a vira.

(...)

e eles se abraçaram longamente sem dizer uma única palavra.

'eu senti tanta saudade de voce!' ela quebrou o silencio sem quebrar o abraço.

'eu também.' ele respondeu.

e se abraçaram mais forte ainda, como se nunca mais fossem se separar. de novo em silêncio.

pela primeira vez ela ficara em silencio por mais de 5 minutos, porém isso significava muitas coisas.

'i could die right now, ..., i'm just happy!' Eternal Sunshine of The Spotless Mind.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

anybody seen my baby

'ele disse que se sentia preso e que nao sabia mais

pra onde estava indo ou de onde tinah vindo

que não era como ele tinha planejado

que ele teve a cahve pra porta mas não quis abrir


e eu sei, parte de mim diz pra seguir em frente

a vida acontece de alguma forma

mas nao sei, nunca funcionou antes

mas desta vez e ufarei qualquer coisa

qualquer coisa pra me sentir melhor


(...) voce é a unica que me conhece

e que nao ignora que as alamas tambem sangram


eu sei que parte de mim diz pra ir em frente

que tudo tem sua época

mas não sei, cada dia é igual ao anterior

mas dessa vez, farei qualquer coisa só pra me sentir melhor.'


Just Feel Better, Santana feat. Steven Tyler


'... e voce me amou um dia?' ela perguntou. os segundos agora eram longos e ela nao sabia se por causa do álcool em seu sangue ou por causa dele.


'sim, sempre. mas não tem como explicar, você é como uma parte de mim, entende?' ele respondeu vagarosamente, cada palavra era dura de ser proferida.


'voce mudou tanto...' ela constatava e nao entendia, nao sabia se gostava, nao sabia.


'mudei...eu abandonei o cigarro e os velhos hábitos' ele realmente parecia mais homem agora.


ela ficou calada, de repente ela entendeu que o que amava nele eram os defeitos. cada um deles.


e que mesmo que fosse fraca pra aguentar os defeitos, era forte demais pra que a perfeição dele a tocasse.
sobre meninos e jujubas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

isis, a deusa da lua

a garota saíra da sala de aula com algumas idéias estranhas.

'ei, vamos no Centro Acadêmico conversar?' ela disse bastante sorridente, parecia ainda em clima de férias permanentes.

'hm... não sei.' a outra hesitava, talvez por medo da garota esquisita e de cabelo de duas cores que a chamava.

'vamos!' e a puxou pela mão.

ao entrar na pequena sala, ligou o som.

'ei, vamos falar de energia?' a garota do cabelo de duas cores perguntava.

'porque não, né?' e assim a energia fluiu pela primeira de muitas vezes. uma energia chamada amizade :)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

'eu quero a minha mãe', ela disse em tom de um quase-choro.

'o que????' a amiga a olhou.

'é, eu quero minha mãe!' ela parecia cansada, com fundas olheiras e a cara inchada.

'voce tá mal. voce nao aguenta as manias da sua mãe!!!!!' a amiga tentava fazer a outra reagir.

a garota abaixou a cabeça, parecia procurar alguma coisa. 'acho que eu sou neurótica. quero minha mãe agora que não tenho, mas quando tiver...'

'neurotica? tá doida mesmo... que papo é esse de freud?' a amiga realmente estava desconfiada.

'é, agora eu vou ser psicanalista!!!' agora a garota estava surtando. mesmo.

fim de semestre? nem freud explica!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

amor?

'eu já disse que o amor é pra quem não sabe amar.'

Fazia tempos que ela não falava mais com seus velhos amigos ou seus velhos casos. Fazia tempos. Ela agora vivia de alguma coisa além da banalidade e era estranho sobreviver dessa forma: ela não via muito além de obrigações que ela gostava tanto de adiar e listar em um pequeno caderno com aspiral de arame torto - e sentia prazer em riscar uma a uma.

Ela agora começava a pensar sobre seu período de retiro, sobre seus 3 meses fora do mapa, fora do gancho... e ela via tempos obscuros, ela sabia que de alguma forma ela sumiria. e isso lhe assustava, ela sabia exatamente como era.

Pior que as obrigações acadêmicas eram as torturas familiares, e ela se lembrava de cada uma delas: tinha medo das luzes de natal piscantes, das comidas natalinas, dos fogos de artifício. ela estaria presa por 3 meses, não veria amigos ou seguiria qualquer outra rota que não lhe fosse prescrita. E eram tempos sombrios para alguém que não tinha idéia de onde queria ficar, mas sabia exatamente onde estava indo.

E era natal: ela pressentia que de alguma forma, ela se libertaria dessa vez.

Feliz natal: o dia que mudou minha vida.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

amizade


elas eram diferentes demais: uma era doce e delicada, outra era underground, outra era liberal, outra era fashion, outra era quase trilíngue e a outra era eu.
em cada uma delas havia um pouco da outra e mesmo com tantas diferenças uma escolha as tornava iguais naquela época: queriam ser psicólogas, independente do que isso significasse, ciência ou arte, não importava.
a primeira vez que estivemos juntas lembro muito bem... estávamos entre a ala centro e a ala sul antes da aula de psicologia geral experimental. algumas vinham da aula de infancia enquanto outras vinham da aula de percepção em busca de uma coisa: fofocas, oras.
(presente de grego)
episódio 1 (o álcool, o rock e o sexo) do livro das bifis!

sábado, 15 de novembro de 2008

o pianista.

ele tinha longos dedos e a palma de sua mão era macia, tinha mãos feitas para o piano.



de um modo estranho mas familiar, ele era o inverso dela em quase tudo - e não que ela não gostasse disso, pelo contrário, gostava - e muito! mas isso lhe era estranho porque o rapaz não usava roupas pretas ou ouvia bandas de hard rock, e mais estranho porque ela podia conversar com ele por horas a fio sem ouvir um silêncio constrangedor.



e por mais que ela se contivesse em muita coisa, por mais que ela tentasse ser mais delicada, doce e amável, tudo que ela conseguia era esbarrar em algum móvel e esbravejar uma dúzia de palavrões, que com certeza o assustavam - e muito...



'aaaaai, c*&#@*!!! meeerda, puu&*%$#@ que o pariu, c$#&%%!' ela soltava todo seu vocabulário de palavrões de uma vez só sem se dar conta da presença dele.



'calma...' ele se continha, devia achar ela muito escandalosa...



'hmf...' ela respirava fundo. se recompunha, ajeitando os fios de cabelo que desmarcavam a moldura de sua face.



'eu sei de voce.'



'oi?' ela se espantou enquantto ainda se arrumava.



'eu sei de voce. voce tenta parecer durona, falando alto e falando palavrões. mas voce nao passa de uma menininha gentil, meiga, doce e amável. não é?' ele diagnosticava. ela odiava isso.



'hm... não sei disso. eu sou escrota mesmo.' ela agora fazia uma cara que a fazia ficar muito engraçada: os olhinhos com a maquiagem borrada apertados dissimulando maldade e a boca já pequena franzida, fazendo sua boca parecer um asterisco.



'tá bom entao.' ele ria por dentro, ela era muito amável mesmo. 'mas voce semrpe vai ser uma jujubinha pra mim!'



(silencio nao contrangedor)



'ó, mas lembra que a jujuba é doce (mas não é mole não!)' ela agora disfarçava.



'é... deve tar estragada!'



conversas estranhas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

i love you cause your deuces are wild

eles se beijaram ali mesmo, no corredor deserto. ela já estivera ali, mas nunca imaginou que voltaria - ainda mais acompanhada. ele nunca tinha ido, mas já tinha muitos planos pro lugar - ainda mais se ela estivesse lá.

'vamos sair daqui?' ele convidava ao ver pessoas se aproximando.

'ok' e ela sorriu para ele.

andaram no escuro quase que instintivamente, seguindo batuques que surgiam da escuridão.

'de onde será que vem esse barulho?' ele agora a levava mais longe ainda...

'não sei, vamos ver?' ela o convidava sempre.

e andaram mais, até chegarem a origem do batuque e concluirem que havia coisas muito mais interessantes para se conhecer naquela noite. mas só naquela noite e nenhuma mais.
saíram entao para um lugar com arvores de copas altas onde apenas dois postes faziam companhia aos dois ali, que eram um.

(beijo)

'porque voce é tão... selvagem?' ele a olhava fundo.

'eu?' ela sabia que ela não era nada disso, apenas uma nômade. 'voce que é!'

(beijo)

'então porque tanta voracidade?' ele olhava mais fundo.

'hm, nao sei, sou assim com tudo na vida, voce nao?' ela virava a pergunta contra o perguntador.

(beijo)

ele sentia que aligo dentro daquela garota o tocava muito, e incomodava. como cutucar uma cicatriz. mas a dor era saborosa.

(beijo)

ao passar as mãos pelos quadris da garota sentia algo vibrar, ele sabia que ela era selvagem demais com aquelas imensas unhas vermelhas e boca de mesmo tom. e ele sentia algo vibrar...

(ploc)

'hm,' e se desvencilhando rapidamente do beijo, a garota diz 'meu celular. (...) alô, pai? sim, já vou'

é, ela era selvagem até demais...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

girl power!


ela nunca fora daquelas garotas normais com cabelos milimetricamente penteados ou roupas da moda, na verdade era preguiçosa demais para se arrumar e esperta o suficiente para dizer que aquilo era estilo. não fazia questão de dificuldade ou de enrolação, não fazia questão de nada.


'sabe, gosto tanto do seu jeito desbocado de ser, voce fala o que pensa, fala palavrao, fala alto e tem um monte de amigos pra conversar besteira...!' a mais nova tinha uma inveja tola e ignorante.


'acho que não :) voce quer ser feliz ou arranjar um namorado?'


'?'


'seguinte: continue sendo menininha difícil, penteie seus cabelos, prenda-o ou faça com que nem um unico fio dele levante durante 24 horas - para isso nao se mova, não sente no chão, NUNCA deite no chão, não coma em qualquer birosca, não pise na rodoviária, não fale palavrão, não fale alto, não discuta assuntos polêmicos, não saiba todas as músicas das velhas virgens, não conheça matanza e em hipótese alguma goste de hard rock. ou seja, truco, que é igual a gritar palavrão falando absurdo sentado no chão ouvindo hard rock, NEM PENSAR. e assim voce terá um namorado'


'nossa... é serio?'a mais nova parecia estar compilando casos em sua cabeçapara corroborar com a teoria da mais velha. 'poxa...'


'e seja burrinha! ou pelo menos demonstre ser menos inteligente que o cara' ela agora fechava com chave de ouro.


'nisso voce tem razão!' a mais nova agora tinah certeza. 'mas como voce sabe?'


'é assim que os cientistas se asseguram das suas hipóteses: comprovando os contrários. tudo que eu não sou é o que os caras gostam :D' ela agora ria, era verdade.


'mas sabe de uma coisa...?' a mais nova agora realmente entendia 'ninguém nucna disse que os homens são inteligentes!'


oh, girls just wanna have fun.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

'pára de lembrar dele! voce falou dele o dia inteiro ontem! se não tá aguentando, pede arrego!' a amiga superegava, como sempre.


'não sei, bateu uma saudade... minha mãe tava jogando umas roupas velhas fora e encontrou uma blusa que ele me deu...' ela tentava se justificar sem sucesso...


'hm, mas é so uma blusa...' a amiga não sabia o contexto.


'não, é a blusa com que ele tava vestido a primeira vez que eu o vi...'


'ah, ams ainda assim é só uma blusa.' ela dava uma de freud... porque às vezes uma blusa era só uma blusa


'não,voce nao tá entendendo. eu só fui falar com ele pq ele tava com aquela blusa!' ela agora contextualizava.


'e ele te deu a blusa?'


ela acenou com a cabeça que sim.



e dessa vez ela sabia qeu uma blusa às vezes não era só uma blusa...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

saudade(s)

em plural, em negrito: sinto a sua falta.

das coisas mais banais: o chão dos prédios como colchão, o concreto como vista, a sinuca como passatempo, o vale transporte como passaporte, as heinekens e ices e vodkas da vida (o nosso café da manhã), os cafés da rodoviária, as músicas do seu violão com cordas de nylon, as músicas do meu afinadas por voce, a minha guitarra na sua mão e voce na minha cama.

saudade da fumaça do seu cigarro, dos seus isqueiros estragados, das suas birras sem remédio, dos seus sumiços e do seu tédio, das suas paixões e das suas dúvidas, das suas verdades em forma de insulto (talvez a verdade seja um insulto), dos desvios de atenção, dos seus transtornos de humor, das suas reclamações... da sua infantilidade... e

pensando bem, já nem sinto mais saudade.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

'não leve a mal...

...eu só quero que voce me queira.'


eles estavam ali sentados, lado a lado. sentavam-se daquele jeito todo dia no fundo da sala, às vezes disputavam aquele espaço. ela parecendo certinha demais e ele parecendo rebelde demais.
mas eram do mesmo signo.
'ow...' ela olhou pra ele, que parecia em transe com os fones de ouvido colocados displicentemente nas orelhas 'o que voce tá ouvindo? é...'
'janis joplin!' ele abaixou o volume e olhou para ela sorridente.
'ah, não acredito! eu amo janis joplin! voce tá ouvindo...'
'mercedes-benz!' ele completava ela aos poucos.
'que lindo!' ela agora sorria para ele, que agora era mais que o garoto junkie do fundo.
'voce quer?' e ele de repente inclinava um saco plástico para ela.
'?'
'é meu lanche... tinha um iogurte aqui, mas aí eu comi. mas aidna to com fome... e aí to comendo plástico... ficou com o gostinho de iogurte' ele parecia querer testar a garota certinha. queria saber se ela era uma das deles...
'plástico? que legal! nucna comi plástico, mas experimentar nao custa nada, né?' e pegou um pedacinho da alça. 'hm, aprece um chiclete sem açucar! mas nao dá pra engolir...' e cuspiu no chão.
'é... voce tem razão..! mas engana a fome, né...' ele agora estava certo de que ela era das dele... e ria.
'vou fazer meu exercicio aqui...' ela agora se voltva para seu caderno.
(...)
ele agora lhe estendia a mão com um papelzinho na mão, estranhamente ruborizado.
ela olhou para ele, que estava com um nariz de palhaço. 'pra mim?' e ele acenou com a cabeça um gesto de sim. 'que bonito!' e ela abriu o papelzinho amassado e um pouco sujo que continha alguns rabiscos em caneta esferográfica azul espalhados em linhas tortas.
'menininha linda, gosto muito de voce
mas o que eu gosto mesmo é de LSD'
ele agora tinha o rosto vermelho escondido por trás das mãos. 'ah, muito lindo! adoro essa música!' e a menina também pareceu um pouco mais vermelha.
(...)
e a partir daquele dia passaram a trocar músicas, mesmo que a menininha não fosse tão linda e que ele realmente gostasse muito de LSD.
sobre a demonstração mais romantica que uma garota já recebeu.

mentir é preciso

...pena que eu tenha desaprendido.


era uma coisa boba, uma pergunta banal. mas por algum motivo naquele instante a pergunta não lhe era muito conveniente... talvez por causa do seu mau humor, por causa do dia que estava tendo ou apenas por causa do assunto desagradável.


'deixa eu te fazer uma pergunta?' a mulher reapareceu de uma porta.


'faça!' ela se virava para ela, saindo de suas atribuições. talvez fosse uma pergunta sobre psicologia, ela pensou. e não estava errada.


'voce... voce já ficou com ele?' a mulher parecia realmente curiosa.


'?' ela se fazia de desententida, ou talvez aquela pergunta tenha lhe atordoado um pouco no momento, fazia tempos que ela não ouvia seu nome pronunciado daquela maneira. era estranho, eles ainda existiam na imaginação de alguéns. 'com quem?' talvez ela só quisesse ouvir o nome dele outra vez, saber que ele aidna existia em algum lugar.


'com ele... o ____________.' a mulhe r agora encostava na parede, conhecia ela demais memso que em tao pouco tempo.


'ahhh...' ela agora lembrava das visitas dele, lembrava que tinha vencido ele, lembrava que tinha lhe rasgado um rascunho de coração junto com uma proposta de namoro. 'já... porque?' ela queria parecer despreocupada, inatingivel. mas ela ainda era humana.


'não, é que a gente perguntou e ele negou. na verdade ele nunca confirmou, negar mesmo nunca negou...' ela agora parecia querer se redimir.


'hm.. fiquei com ele sim, mas não é uma coisa da qual me orgulho. na verdade não foi das melhores... e ainda me custou muito caro.' ela agora parecia entender onde aquilo tiha a levado pela primeira vez. ela devia ter negado... mas não se nega intimidade.


e ainad que ela soubesse que ele a amou, mesmo que ela soubesse que ele a queria mais que qualquer outra naquele momento, mesmo que ele soubesse que ela o salvaria (e talvez por isso), ele nunca segurou a sua mão.


mas não se nega intimidade.


e apesar de estar tão envolvida nas pesquisas básicas, começava a entender o só depois da psicanálise...




(e...)


e naquele dia a jujubinha falaciosa parecia mais uma flor. talvez fosse o ciúme, talvez fosse a curiosidade. talvez ele nucna contasse e talvez ela sempre soubesse.
além de uma flor, ela ainda é um doce. (mas faz um maaaaal...)

domingo, 9 de novembro de 2008

corredores.


era quinta-feira. ele odiava absolutamente as quintas-feiras. estava pela primeira vez em muitos intervalos naquela escola, em uma nova cidade onde tudo era seco e laranja.


ele não tinha nada para usar além daquela blusa da banda que lhe fora a preferida: linkin park. mas não importava de maneira alguma, estava em brasília. e de forma alguma começou a importar: não havia ninguém interessante naquela escola, nada que ele já não tivesse visto. e em azul royal. que deprimente.


por um instante não havia mais ninguém além dele naquele corredor, por um instante ele desejou que a vida passasse em fast run - e passou. ele avistou um longo período de depressão vindo em sua direção, e eles estavam indo para o mesmo lugar.


***


era quinta-feira. ela adorava absolutamente as quintas-feiras. estava pela primeria vez em muitos intervalos do lado de fora da construção velha que era a escola.


ela tinha de usar aquele uniforme que ela tanto desprezava: azul royal. mas não importava de maneira alguma, era quinta-feira. mas de alguma forma começou a importar: ela vira o garoto mais bonito que ela já tinha visto usando a blusa de sua banda preferida: linkin park. e ela estava em azul royal, que deprimente...


por um instante não havia mais ninguém além dele naquele corredor, por um instante e pela primeira - e talvez unica vez - o seu mundo girou em câmera lenta. ela avistou o amor vindo em sua direção, mas ele estava indo para outro lugar.


os dois lados da moeda do amor platônico.

sábado, 8 de novembro de 2008

go-ing-dooooooooooown (love in an elevator)



'eu tenho noites longas, sonhos não têm sentido porque ficar acordado é especial apenas pelo fato e eu estar acordada. as luzes são brilhantes como nunca, todas as músicas soam incrivelmente harmônicas e cada simples fato parece ter um significado especial. é como se eu pudesse voar, como se eu pudesse fazer qualquer coisa nesse momento... qualquer coisa! poderia correr da universidade até minha casa, dançar sozinha por longas e deliciosas horas, levantar qualquer obstáculo e quebrar distâncias.' ela relatava em extase.


'entao voce tá apaixonada?' ele queria saber sem perguntar, talvez não lhe tivesse nenhuma relevancia.


'não... eu falei que me sinto bem... mas...' algo lhe sugeria que ela precisava de psicoterapia. ou pelo menos de uma boa dose de lítio.


'qual o problema? eu queria ter esse entusiasmo!' ele agora invejava sem saber que a inveja mata.


'eu já passei por isso antes, como andar numa montanha russa das emoções. agora eu estou em cima, amanhã eu vou estar embaixo... e vai ser muito ruim. vão vir as náuseas, os frios na barriga, as noites insônes, as escuridões, o tédio, a desconsideração de si. minhas unhas vão quebrar e vão nascer espinhas, todas as minhas roupas parecerão estranhamente esfarrapadas e todos os meus amigos vão parecer estranhamente repulsivos.' ela agora não parecia tão entusiasmada.


'você é bipolar?'


'não sei, voce não é? acho que todo mundo é assim, não? as vezes a vida é boa, outras a vida é ruim... ou pelo menos assim ela lhe parece.' ela agora argumentava a favor da patologia.


'não sei, prefiro mais uma gangorra, que dá pra ficar no meio...!' ele agora não tinha mais tanta inveja da garota...


'eu ainda prefiro a montanha russa... eu acho.'


a vida assim, como um parque de diversões. seu estilo de vida é apenas um brinquedo que voce escolheu. mas saiba que voce pode sair do brinquedo a hora que quiser.

chega!


chega uma hora em que eu não agüento mais e eu venho me refugiar nas palavras brancas em um fundo preto, exatamente como eu devo ser lida.
chega uma hora em que a amizade não é desculpa, a inveja não resulta e a frustação é só.
chega de textos mal formatados, irrelatos científicos, observações contrversas e invenções sem referência.
chega de incompetência, de descuido, de irresponsabilidade.
chega de tristeza e chega de saudade.
chega de música estranha e de lamentação.

chega mais perto e segura a minha mão...

sobre alguém que tem sentido muita saudade nos últimos meses. e vai continuar sentindo pelo visto.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

um limão, meio-limão;

'por acaso a idéia de amor não te perturba? eu não consigo verbalizar isso, mas isso não significa que eu não seja capaz de discriminar comportamentos de amor e muito menos de emiti-los.' ele

'e eu, que sabendo amor não sei amar? e muito menos disitinguir o que é me amar... e nem como amar a outrem.' ela

'mas estamos muito bem.'


'voce sabia que a primeira vez que falei com voce foi porque te achei muito bonita - além de interessante?' ele dizia com um olhar que ela já conhecia muito bem, com uma proximidade que a assustava e uma distãncia que a atraía.


'serio?' ela refletia um pouco sobre isso, era engraçado pra ela. ela sempre fora o cérebro da família. e cérebros não são nada além de peculiares no aspecto aparência.


'sério, porque voce acha que eu insistia tanto pra falar com voce toda hora? mas eu me surpreendi... voce era bonita e também inteligente! e sabia conversar sobre qualquer coisa!'


'é claro, eu não calo a boca...nunca!' ela agora admitia que tinha o dom de falar sobre qualquer coisa, transformar banalidades em casos de emergencia e emergencias em relatórios...


ele a olhou. ela estava calada, esperando alguma coisa, uma oportunidade de ouvir, ..., mas tudo que falava era o silêncio.


'ah, sabe, eu tava olhando ontem uns livros e umas coisas e aí eu ...' ela falava e falava...


'voce sempre muda de assunto assim né? voce odeia o silêncio porque seus pensamentos são altos demais... e eu vou ouvi-los. voce fala demais porque não quer que saibam nada de voce, não é?' ele realmente era um bom psicólogo, ou pelo menos seria um bom. e a olhou profundamente procurando suas entrelinhas e costuras.


ela pareceu sem jeito, ele talvez estivesse muito certo. e ela odiava isso. 'não, é que eu nunca calo a boca mesmo, só isso' ela agora lhe sorria um daqueles sorrisinhos forçados e infantis.


(mais silêncio)


'se voce nao estivesse tao distante... '(e ela estava a milhas da vida naquele momento)'... eu saberia muito bem como fazer voce parar de falar...' ele agora lhe sugeria idéias que a perseguiriam por longos períodos em outra vida. mas ela agora já era outra.


'serio? como?'


(mais e mais silêncio)


e o silêncio reinou por um longo tempo entre eles. pelo menos o de palavras faladas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

biscoitos

'isso às vezes me assusta. eu tento tanto me escrever em entrelinhas sem perceber que é só isso que as pessoas lêem em mim. talvez porque a capa do meu livro ou minhas meias-palavras sejam inteiras demais... e eu me perco nesse meu escrever de mim.' 3ª Pessoa do Singular, mais plural que nunca!


'do que a gente tava falando mesmo?'


'de como as pessoas que não são o que deviam ser sofrem. ou seja, do sofrimento universal.'


'acho digno...'


(...)


'é como dizia o livro 'não era nem o mais bonito e nem o mais inteligente', eu compreendo isso, algo além da mediocridade cotidiana, sabe?'


'voce tá filosófica hoje, não?'


'viver é que é uma eterna filosofia! acho que nem platão, nem sócrates, nem schoppenhauer explicam.'


'qual sua filosofia?'


'a minha? a minha é a dos biscoitos!'


'biscoitos?'


'sim! sabe, os homens são como biscoitos recheados...'


?


'sim, biscoitos recheados! eles são saborosos, alguns são caros, outros baratos, alguns prestam, outros não... uns são doces demais e enjoam rápido, outros não têm gosto de nada, tem uns que se a gente aperta demais vira pó... uns de qualidade, outros de nenhuma! ja viu os biscoitos? todos eles cabem na palma da sua mão, é só pagar o preço! mas de uma coisa, eu tenho certeza: iguais ou diferentes, todos eles fazem mal do meeeeeeeeeesmo jeito...!(...) e eu tô de dieta!!!'


sobre homens e biscoitos. (e uma garota que já se engasgou com um monte deles)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

válvula de escape

ele a olhou mais de perto, quase que vendo ela por dentro. contara a ela todas as novidades da viagem recente: ele se apaixonara. 'olha, sabe o que eu gosto em voce? voce é louca!'


'sabia que existem dois tipos de mulher? voce tem que ver em sex & the city!! carrie é a protagonista qeu tem um caso mal-resolvido com o mr.big, que odeia compromissos e nunca admitiu ela como namorada. mas aí depois de um tempo afastados ela descobre que ele vai casar com uma mulher bem normalzinha... bem ao contrario dela, que tem um mega cabelo loiro e cacheado e fuma... além de ser neurotica!'


'hm...'


'entao, aí ela fala de um filme chamado 'the way we were', onde tem uma historia parecida com a dela, em que a protagonista, katie, é trocada por uma mulher normalzinha.' ela continuou.


'hm?' ele indicava o sinal verde para ela prosseguir.


'e aí ela fala 'i'm a katie girl'! e isso é verdade!' ela agora estava entusiasmada. 'é o tipo de mulher que encanta todos os homens, mas exatamente por ser inatingível. e ás vezes ela nao quer ser inatingivel, ela só é uma pessoa complicada!'


'isso é bem a sua cara, mesmo, katie.'


e mexendo nos cabelos simetricamente arrumados dele, ela disse 'e voce tem uma garota adorável, hubble.' e foi embora.
mas que ela olhou pra trás ela olhou.
the way we weren't.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

novembro?

meia-noite. véspera de viagem. mensagem recebida.

ela: 'olha, independente do que aconteça comigo, com voce ou entre nós, quero que saiba que eu sempre estarei aqui pra voce. Eu te amo.'

ele: 'guria, tb te amo! voce SEMPRE esteve comigo, sempre me ouviu e me ajudou, sempre foi de verdade. NUNCA me deixe ok?'

(...)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

cachos.

naqueles dias era tudo tranquilidade: a garota não usava mais maquiagens, seu cabelo agora era curto, ela trabalhava. ele nunca tinha usado máscaras, seu cabelo também era curto e ele não tinha idade pra trabalhar.


'sabe, às vezes fico pensando na tristeza de ser sempre feliz...' ela disse, um tanto filosófica.


'e?'


'ah, não sei. acho que se ninguém nunca sentisse dor ia ser estranho. e aí penso que o prazer também é uma dor. voce já riu demais e ficou dolorido no outro dia? fico pensando nisso.' ela concluía algo que nao terminava.


'ah, ja.' ele estava tão monossilábico.


'voce acha que um dia a gente vai ser feliz? sabe, um dia a gente vai se separar...' ela agora ia mais longe.


'acho que vamos. e se um dia acabar, pelo menos eu sei que aproveitei cada simples dia...' ele agora fazia uma oração. e olhava para longe, como se procurasse sua casa que ficava na quadra ao lado.


'sabe, eu estudei platão. só um pouquinho... mas ele falava de prazer e dor, amor e ódio. acho que ele tava certo...' ela agora mudava de assunto sem sair do tema.


'é, vindo de uma bipolar, não achei que discordaria. e vindo de um bipolar, não espere que eu discorde.'


e se fez um longo silêncio. estava escurecendo e ela ainda tinha de caminhar até sua casa, seus passes tinham acabado e lhe sobrariam passos.


'que horas são?' e ela se revirava no chão gelado do prédio para olhá-lo.


'hm... não importa. eu te amo.' ele agora lhe segurava a mão fortemente.


'o quê? voce tá louco!' e ela sentia as mãos ásperas contra a sua. 'o que voce tá fazendo???'


'eu te amo. vamos fugir pra europa, voce tem uma mochila e eu tenho um cartão de crédito. com minha beleza e sua inteligência a gente vai ficar rico: você e eu, só. larga a faculdade, agora.' ele delirava.


'QUE horas são???' ela agora olhava firme nos olhos de adolescente dele.


ele soltou a mão aos poucos, aproximou seu rosto ao dela e esticou a mão, colocando-a em frente ao rosto da garota, como se fosse estalar os dedos.


e estalou. 'é hora de acordar, F.'


e ela acordou com respiração ofegante. estava em sua cama, complicada demais pra se entender, simples demais pra ser diferente. tudo tinha sido apenas mais uma das visitas noturnas de seu passado.


sobre uma garota que tinha cabelos tão enrolados quanto sua vida amorosa.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

'em redor do buraco...


...tudo é beira!' (suassuna, 2007)
'estou em um beco sem saída, com uma noite insône
com uma única pista pra terra de homem nenhum
- a punição às vezes não se encaixa ao crime -
há um buraco na minha alma por algo que aprendi
para cada carta de amor escrita há uma queimada
- e é voce quem me diz como vai ser dessa vez -
acabou? porque eu estou apagando a chama.
vasculhe suas memórias
me diz como é ser o único que me machuca?
preste atenção e descubra
que não há nada e eu juro
e eu digo porque tem um buraco na minha alma
que me mata dia após dia
é um lugar onde nada nascerá de novo
há um buraco em minha alma
e eu devia saber melhor
que seu amor é como um espinheiro sem rosas.
estou seca como um grande deserto
até as lágrimas secaram
e estou atordoada
ás vezes sinto que estou machucada e não posso me curar
sei que já tiveram todos os tipos de sapatos embaixo da sua cama
agora eu durmo com minahs botas
mas voce ainda está na minha cabeça
- e algo me diz que dessa vez eu queimei o último cigarro -
porque se acabou, então acabou
e isso está me enlouquecendo.'
hole in my soul, aerosmith. sobre alguém que encontrou as palavras certas sobre algo errado.


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

no more tears. (or beers)


'isso me deprime. pronto, falei. nem mais um gole de álcool me consola ou me renova, nem uma lágrima me lava a alma, nem o sono me tranquiliza. estou velha e acabada, encontrei um cabelo branco e descobri que todos os meus pertences cabem em uma caixa de papelão!
'sério? de microondas ou de tv?'
'de tv...
'quantas polegadas?
'hm, 29.'
'ah, entao até que voce tem bastante coisa...'
'é, fato. mas ainda assim estou acabada. estou velha, começando a enrugar, gorda, feia. nem me aguento. e como emagrece se comer é o consolo?'
'é, comer é legal...'
'hem? não, eu sou mulher, não é esse comer, besta!
'ah...'
'não sei mais o que fazer. nada faz nenhum sentido. não gosto nem mais de estudar, não leio mais nada que não seja obrigatório e todas as aulas parecem me assassinar. e não tenho mais que um real na minha carteira.'
'isso é triste. mas como voce ficou assim?'
'é uma boa pergunta, tambem queria saber a resposta...'
(silêncio)
'eu gosto de voce... vamos tomar um porre?'
sobre inesperanças.

bola 8 na caçapa.




Mensagem recebida. Abrir.
ela: oi, vamo se ver hoje? saio às 4.
ele: tudo bem. na sinuca?
ela: uhum! 4 e meia devo chegar.
ele: voce vai chegar e vai perder. hahaha.
O ônibus está lá. ela o vê sentado em um meio-fio contemplando a espera que ela lhe faz desfrutar. são 5 horas e ela sabe que se atrasou mais uma vez. e que ele esperou sem reclamar mais uma vez. ela atravessa a rua olhando para os lados, fingindo que não o vê ali, esperando.
'oi!' ele se levanta e se apressa para abraçá-la. 'vamos jogar?'
'sempre.'
***
Mensagem recebida. Abrir.
ela: tô oficialmente de férias! comemoração?
ele: sinuca?
ela: ok, meio-dia tô chegando.
ele: e o almoço? não pode ser ás 13?
ela: ok, eu vou a pé que demora mais... tá? me avisa quando chegar lá.
ele:uhum.
13 e 30. ela se atrasou de novo. e pensa em uma desculpa. e compra duas desculpas.
'oi!' ele abre os braços.
'fecha os olhos!! estende as mãos!!!' ela faz surpresa.
'hm, presente!!!' ele agora está exatamente como ela pedira. sente algo tocar-lhe as palmas da mão e abre os olhos. 'isqueiros! não acredito!' e a abraça como se tivesse ganho o melhor presente do mundo.
'sabe, odeio que voce fume. mas sei lá, são isqueiros coloridos... até eu teria um desses!' ela argumentava sem jeito.
'ah, voce me conhece como ninguem nunca conheceu! voce sabe o cigarro que eu fumo, sabe a cerveja que eu gosto e ainda me dá fogo. eu vou casar com voce!' ele agora admirava os isqueirinhos coloridos e translúcidos.
ela nao entendia porque ela tinah feito aquilo, mas entendia que faltava apenas um dia para ele ir embora por um mês. um longo mês.
sobre uma noiva que nunca teve anel.

domingo, 26 de outubro de 2008

'a felicidade está no horizonte da sua vida'

'voce já olhou pro horizonte? estranho, voce sempre pode ver, mas nunca vai chegar lá... e sabe que voce é o horizonte da minha vida? eu sigo porque quero chegar lá, mesmo sabendo que nunca vou alcançar nada...'





agora eles estavam sentados em uma das raízes daquela imensa árvore entre a concha acústica e a praça chico mendes. era sábado e nada mais do que isso. e ela sabia que eles não deveriam estar ali como estavam, estava tudo estranho. demais.




e então veio o silêncio que ela tanto odiava.




'me conta uma coisa.' ela ordenou.




'o quê?' ele agora levantava a cabeça, estava impotente, estava sem seu cigarro.




'qualquer coisa.' ela implorava.




'ah, sei lá...' e fingia não ter nada enquanto brincava com gravetos espalhados a seu redor.




e de novo veio o silêncio. ela admirou a beleza estranha do garoto por alguns instantes. o jeito como o vento soprava naquele momento, o não-fumar dele, os pequenos mosquitinhos que sobrevoavam sua cabeça: tudo parecia especial demais.




de repente ele levantou os olhos e a intimou com um olhar, levantando um dos indicadores e jogando o graveto ao longe.




'tá ouvindo isso? é a nossa música!' ele parecia surpreso, o que a musica deles estava fazendo ali, pairando no ar?




e ela se surpreendeu por ele ainda lembrar, por ainda saber que eles dividiam algo além de silêncios: eles também dividiam sons.




'é, eu tô reconhecendo sim...' e ela inclinou a cabeça para o lado e o admirou mais (ele era menos bonito que da primeira vez que o viu, mas ela o amava mais) e sorriu-lhe um daqueles seus sorrisos de menina que não sabe se arruma o cabelo ou continua brincando.




'if the sun refused to shine


i would still be loving you


when mountains crumble to the sea


there will be still you and me




kind woman


i give you my all


kind woman


nothing more...'* eles cantavam juntos. mas profundamente sabiam que dali em diante cantariam sozinhos.




porque ela sabia que a música tinha acabado e seria a útima vez que o veria.




sobre alguém que mesmo em silêncio 'still got the blues (for you)'.

sábado, 25 de outubro de 2008

'você não é bonita, sabe? também não é feia. você é ... normal! sem mais profundos traços, parece um daqueles seus desenhos, bem caricatos.

acho que voce deveria parar de comer tantos doces... e também falar menos palavrões. ah, e falar mais baixo - voce fala muito alto, quase grita -e também parar com essas suas gírias estranhas, voce sempre tem disso. e também os neologismos!

ah, e parar com o hard rock. acho brega.

(...)

mas sabe, voce é uma menina muito inteligente! sabe de literatura, conversa sobre qualquer coisa por horas. também aprendeu a tocar coisas sozinha. e escreve músicas -que eu não gosto, mas é fato que voce escreve e isso é dificil - e também conversa disso comigo. não tem uma banda que eu conheça que voce já nao tenha ouvido. e voce gosta de led. e tem uma bota laranja.

é, voce é inteligente, eu queria ser como voce!'

'você é bonito.' ela respondeu, seca.

'é, mas um dia eu vou ser feio. pelo menos voce nunca vai ser burra.' ele retrucou.

'acho que estou o sendo agora.' ela refletia em voz alta.

'... voce é inteligente, pode ter certeza. e eu sei que um dia voce vai brilhar em algum lugar.'



shine on you crazy diamond.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

'obrigada pelas memórias...

...mesmo que elas não sejam tão boas.'


ela procurava registros: camisas, latas vazias, maços de cigarro, notas fiscais, endereços, telefones, telefonemas, velhas mensagens, ligações, diários, desenhos, fotos e desculpas. mas nada disso trazia ele de volta como o cheiro nauseante do cigarro e um passeio em um ônibus que anda em círculos. e enquanto isso ela escrevia em um caderno...

"porque o vazio que deixa é o que me completa
como a presença nunca pode me completar
mas a incerteza de ter era bem mais certa
mesmo que hoje não possa mais duvidar
(...)
porque metade de mim é vazio e a outra
tudo."

de alguma maneira, mesmo incompleto, o poema tinha fim.

sobre poesias e metades.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

é proibido fumar.

"(...)

Toma um fósforo, acende teu cigarro
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja

Se alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga
Escarra nessa boca que te beija."

Psicologia de um vencido, Augusto dos Anjos


a garota estava lá, no lugar de sempre. mas agora era diferente demais. tanta verdade acompanhada de álcool, tantos relatórios, tantas noites levadas em xícaras de café. as kitnets no comércio da cidade e o bar revisitado aos domingos. ela era diferente.


e apesar de tudo parecer o mesmo, era tudo diferente também, parecia lembrança, parecia morto, mas estava tudo em latência...


cinza: era a manhã de brasília a caminho da universidade, ela usava fones de ouvido e não tinha pressa alguma em chegar a suas obrigações. pelo baldio ela quase tropeçara em pedaços de entulho. ela não entendia porque as pessoas jogavam lixo no chão, brasília era seca, mas isso a atraia, achava a cidade bonita. e começou a olhar prestando mais atenção aonde pisava.


e viu a embalagem branca com detalhes vermelhas. parou. não tropeçara fisicamente, mas por dentro caía em câmera lenta. era um carlton red. dos vinte não havia mais nenhum, ela se sentia assim também: vazia, como se a tivessem usado e jogado fora. mas sabia profundamente que a vítima nunca fora ela.


e no fundo se ressentia, mas resolveu seguir em frente. apesar de se sentir forte, sabia que era um cigarro: ao mesmo tempo que o matava, também desaparecia. ele a fazia queimar. ainda.


sobre o amor, que não é compreensível e nunca será (jamais será).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

desabafos...

já tenho 18, já pintei demais o cabelo, já falei muita besteira, já vi coisa demais, já xinguei demais, já ri demais, já falei o que pensava, já fiz o que queria, já consegui o que esperava, já cheguei aonde nem imaginava.
agora, só pra informar:
vou continuar fazendo tudo isso quantas vezes eu quiser e voce nao tem NADA a ver com isso!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

passado.

'voce sempre me soou muito mais como pretérito imperfeito do que presente, sempre! e eu não sei o que fazer com isso, eu preciso de futuro muito mais que presente nesse momento, e preciso muito mais que passado. mas por algum motivo bobo eu me prendo a isso, talvez porque as lagrimas que já escorreram já tenham trilhado seu caminho pelo meu rosto e eu ache dificil demais abrir outras estradas por uma face tão dura quanto a minha.
(...)
pequeno, é dificil demais te ver partir, e sabe, eu não aguentaria outra despedida, eu prefiro uma grande briga. voce sabe como tudo em mim é teatral. e voce adora, não é?
(...)
voce não é o mais bonito e nem o mais inteligente, mas é quem eu amo. indo ou ficando, é quem mais amo. e o primeiro que amei, quem sabe o último. mas voce é o passado e o amor é obsoleto.

e nas palavras do aerosmith 'good-bye, kiss your past good-bye.' é uma pena que não haja beijo de despedida,... ainda assim amo.'

terça-feira, 14 de outubro de 2008

______________________!

tédio? tédio. e porque voce não faz alguma coisa? porque estou entediada. e porque voce está entediada? porque eu não tenho nada pra fazer. hmmm...

é, o tédio é um caso sem solução!

sobre um poço que aparentemente secou (porque ele era a água)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

dez-pedidas

era sábado, chovia a cidade e eles ali, esperando. a rua deserta, o ponto de onibus escuro e alguns diagnósticos de casos amorosos no ar.


'olha, não vai passar nenhum ônibus, tá chovendo muito e eu vou ligar pra alguem buscar a gente.' ela disse séria como ele nunca tinha visto.


'não!!! eu quero toamr chuva, quero tomar muita chuva!' ele respondeu


'sai daí, voce vai ficar doente' ela falava com o antigo receio de ouvi-lo dizer voce-nao-é-minha-mãe...


'não! olha,...' e tirou o casaco branco, tão conhecido, e jogou para ela '...eu vou tirar minha roupa...' e jogou a blusa listrada para ela também. 'segura a minha roupa!'


ela, segurando as peças de roupa, não entendia 'o que eu fizpra vc? o que??'


ele agora sentava mendicalmente no meio-fio à espera de um ônibus ou de uma gripe, o que viesse primeiro. 'simples: voce roubou minha masculinidade!'


'??????'


'é, e voce sabe é verdade!' ele se confirmava.


'eu não fiz nada!!' ela se defendia.


'TUDO que aconteceu de ruim na minha vida, TUDO ... voce tava lá, voce causou! se eu nao te conhecesse...' e ele não terminou a frase.


a garota apenas confirmava. 'ah, entao tá, em 4 anos eu só te fiz mal... e porque voce nao foi embora?'


ele se calou. pensou antes de falar. 'desculpa... deixa eu corrigir essa minha frase infeliz: voce causou muita coisa ruim, mas mais momentos bons que ruins! se nao fosse voce eu nao estaria aqui nessa chuva tao boa!'


ela nao queria mais ouvir, ela nao queria mais nada. 'tá bom' e ela ficou ali em pé, atrás dele, de braços cruzados como sempre fazia. 'vamos, sai dessa chuva!'


'só saio se voce me comprar um cigarro.' ele sabia qu ela nao faria isso.


'eu nao vou fazer isso' ela se recusava.


'eu sabia, voce é tao previsivel...!' e nao é que ela era previsivel, eles se conheciam a 4 anos.


(...)


'entao vem, vem tomar chuva comigo!' ele se virava pra ela e a chamava 'vem, tira sua roupa também!'


ela nao entendia, mas estava tirando a roupa ali, na rua. talvez porque ela soubesse apesar de nao entender.


'é bom mesmo...'


(...)


e dentro do onibus de volta pra casa de uma longa jornada - ah, eles tinham ido longe demais dessa vez - eles conversavam sobre o tempo que se passara para eles.


'olha, eu nao quero me despedir.' ele falava para ela com os cabelos ainda molhados caindo na face.


'hm...' ela sorriu de canto. 'mas voce precisa ir, se voce for comigo voce pode se machucar.'


'...' ele nao sabia o que responder, talvez pq soubesse que aquilo era verdade.


'é aqui que eu desço.' e beijou-o carinhosamente, com o amor de uma mãe. 'se cuida'


e ela desceu sem olha pra trás.


'se cuida tambem!' ele gritou da janela embaçada do onibus.


e ela se cuidou: no outro dia, eles já não eram um.
sobre divorcios em dia de casamento.

sábado, 4 de outubro de 2008

...


'me diz porque voce não me esperou?' elaperguntou.


'voce não queria que eu esperasse, voce me mandou embora. ' ele respondeu.


'nao, nao mandei!' ela arguia.


'voce se despediu. voce disse que era nova demais.' ele agora abaixava a cabeça.


nova demais. mas ela nao estava mentindo. ela agora queria tocar-lhe o rosto, mas sabia que isso não a faria tocar seu coração.


'eu queria que voce tivesse ficado. eu queria ter largado tudo, eu queria ter arriscado. eu queria ter ido com voce e terminado aquela tarde. eu queria, juro que queria.' ela agora selamentava.


'e porque nao foi?' ele agora pergutnava, queria mesmo saber.


'porque se eu corresse atrás de voce eu certamente tropeçaria: eu estava em saltos muito altos.'


e ele sabia que literalmente ela só usava tênis.


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

'e a cidade me ama.'


as madrugadas incessantes, o desgaste emocional. ela estava cansada como nunca esteve, mesmo que há muito tempo não fizesse muita coisa além de observar calmamente a vida passar: e como ela passava rápido, parecia que a atropelava.


tudo que ela desejava era ter feito do talvez um não - ou quem sabe um sim. mas ela começava realmente a pensar que o seu crime seria ao mesmo tempo sua pena.

sobre prisões.

domingo, 28 de setembro de 2008

maníaca.

por algum motivo nada faz sentido: ela estava de luto.

ela semrpe acreditou que havia mais morte na vida que na própria morte: era preciso para ela ser uma assassina, era preciso matar cada dia para viver o próximo, era preciso.

agora ela já estava sozinha mesmo, já não tinha nem lembranças das quais se desfazer. talvez porque ela fosse maníaca e vivesse queimando memórias. agora ela precisava fazer novas memórias.

talvez dessa vez ela tenha ido longe demais: ela tinha matado a única coisa que ela conhecera nos últimos 4 anos. e nunca mais veria o seu rosto de novo. não havia sido uma única bala, havia sido um tiroteio. e ela se arrependera um ou dois dias, ams agora já nao havia mais sentido em se arrepender.

ele tinha ido embora.

sobre alguém que necessita repensar sua vida.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

S2

($$$$)

uma garota contava notas de dinheiro no mezanino. entregou para ele, que apenas dobrou as notas e guardou-as na carteira.

'nooooooooooossa!!!! voce tem 160 reais na sua carteira!!!! cen-to-e-ses-sen-taaaaaaaaa!!!!' ela olhava com uma expressão engraçada, levando as mãos até a boca e arregalando os olhos mal maquiados.

ele confirmou.

'nossa, nossa! voce é rico! vou me casar com voce!!!!' ela arquitetava, mais um de seus delírios juvenis.

(...) antes que ele pudesse falar ela retomou.

'olha, mas quando acabar o dinheiro eu peço o divóricio.' ela esclareceu de uma vez.

ele entao a olhou pela primeira vez:
'ahhh, então vou casar logo...!' e estendeu o braço para ela.

'tá bom então. mas quando acabar o dinheiro...'

é, quando acabar o dinheiro ainda vai haver o absurdo.

diálogos do tipo 'absurdos que ouço todo dia sem os quais não viveria...'

terça-feira, 16 de setembro de 2008

tempo

passatempo-tempopassa
notempoquepassae
nãovaiedespassa
otempoficae
eusempre
v(ô)ou
,
senãome
encantasacia
consomeenãosome
umacançãoemformade
tictactacticémeupassatempo

alguém que está obcecada pelo tempo.

redondamente enganada.


'eu costumava pensar que ele era uma pessoa ruim... os olhos, os gestos, as palavras - ou seria a falta delas? - sempre me levaram a pensar nisso.' ela disse calmamente.

'é, às vezes as pessoas se enganam.' alguém respondeu, ecoando...

'é, não é bom julgar as pessoas, nem sei porque insisto nisso! nem sei!' ela agora brigava consigo mesma.

'...'

(sim, ela estava falando demais de novo)

'eu estava redondamente enganada...!'

'porque redondamente?' o outro agora queria saber e ela tambem.

'hm, não sei, acho que porque o redondo fecha... nao sei, nunca pensei nisso,...'

e mudaram de assunto, mas ela nunca parou de pensar nisso: ela esteve muitas e muitas vezes redondamente enganada, mas ela sempre se sentiu como uma bolha de sabão: podia estar redondamente enganada, mas no momento em que a tocassem ela se desmancharia.

monólogos da bolha assassina.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008


e ela tomou uma dose de coragem e uma dose de amor. ao mesmo tempo. talvez porque a vida estivesse um porre.

semanas.

'que tempo insaciável' ela agora pensava. não havia mais tanta conversa, apenas ela e eles dois ali, sentados no lugar deserto, o dia indo embora e eles ficando, sempre. a lua cheia tentava iluminar aquela escuridão. o mais novo ensaiava um sono no banco ao lado, o outro insinuava um descanso e ela... ah, ela apenas cuidava daquilo tudo que a rodeava. insaciável como tempo.


os comentários eram de que eles estavam assim, juntos demais. pra ela era simples, pra eles mais ainda. era algo que não sabia nomear, algo inominável, mas certamente sentível. até demais. e enquanto acariciava o que estava a seu lado, guardava vigília silenciosa sob o sono do outro, que parecia realmente cansado. aquela semana tinha sido dura demais com eles dois. e o terceiro talvez se aproveitasse da boa vontade da primeira.


ela começava a ver pontos que nunca tinha visto antes, nuances diferentes, ângulos diferentes que somavam sempre 180°: entre dois extremos, o que antes era uma reta - a ligação entre dois pontos - agora se tornara um triângulo. fixo, rígido... mas sobretudo bonito.
'entao vamos tomar um drink, apagar as luzes e fazer um som.'
'vamos.'
revelações geométricas empíricas e teóricas.


sábado, 13 de setembro de 2008

pedras de gelo.

'olha, tem três coisas nessa vida que unem as pessoas.' ela disse enquanto olhava para a rua vazia.

'?' ele continuava a prestar atenção na rua.

'sexo, álcool e rock & roll.' ela completou filosoficamente.

ele riu.

'a intimidade é uma merda!' ele disse.

e ela concordou.

sexta à noite.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

photographs.


' e não sei como, parece um jogo estranho demais: sabe, quanto menos obrigaçoes tenho, menos me dedico a cada uma delas e menos me dedico a mim mesma. e fico em uma correria infindável... e entao me perguntei: oras, a que estou me dedicando? começo a acreditar que estou trabalhando arduamente na arte de me suicidar aos poucquinhos, começo a acreditar que viver é um suicídio, eu, pelo menos, me mato um pouco cada dia, cada dia. porque acredito que no instante em que se nasce, se começa a morrer.'
'lá vem voce falando essas coisas macabras...'
'se for assim, a verdade é macabra. essa é a unica coisa que sei desde que nasci: eu vou morrer. voce sabe algo alem disso?'
'...'
'eu vago pelo mundo, pela vida. e voce? por acaso sabe de onde veio e pra onde vai? e por onde vai? não, não sabe.'
metafisicamente falando de vida.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

...

e quando a última obrigação vier me visitar...

de alguém que quer férias!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

e quando a beleza acabar.


um brinde a juventude que é saúde e é doença


nos copos que se esbarram o líquido transparente


o aroma alcoólico que exala do viver.



nos olhos um ideal, nas mãos, chamas


no peito amor nenhum


e na boca um cigarro e a boca de uma estranha.



a beleza das faces, o olhar indiferente


o amor que não se sente


é o culto ao belo e inocente



construído e resconstruído na beleza de um olhar


na atração que os une


e no beijo que os separa



mas eu peço que os olhos já não sejam tão exigentes


pois no dia em que a beleza acabar


será o dia em que o amor dará a mão para o sempre.

vai.


'ow. tá tudo acabado.' ela escreveu. rápido, seco, ácido.


'porque? me desculpa!' ele agora era rápido.


'não dá mais, ...' ela agora vacilava. ele estava ali.


'não vamos terminar assim... vamos conversar?' ele tentava, jurava que sim.


e em minutos ele estava ali, a seu lado. e o silencio mais forte que nunca, mais a prova de cotidianos e relatos rotineiros que nunca.


eles estavam ali, sentados a beira do abismo. e ela sabia mais que nunca que ele não sabia voar.

agora ela tem uma arma,


e ela nunca mais será a mesma.


era agosto, havia séculos que eles não se viam: passaram-se amores, ilusões, vidas. e eles se passaram pra trás acima de tudo. apesar do grande esforço era assim que ela tentava exterminá-lo, ela queria vê-lo de longe para ter certeza de que vislumbraria apenas um fantasma.
e lá estava ela, bem-vestida como nunca, arrumada como nunca, os cabelos arrumados descuidadamente, as roupas descontraídas, as milhares de cores que ela carregava em seu sorriso também estavam lá. e do outro lado do ringue estava ele: estranho, não era mais bonito, não era mais agradável olhá-lo, não era mais nada.
e se cruzaram. round 1. mas nada, nenhum golpe atingiu ninguém. cada um seguiu para seu caminho.
e ela o via, e não falava nada... round 2. era a luta dela contra ela mesma, sempre.
round 3. lá estavam eles, no corredor tumultuado, escuro, barulhento que ela tanto conheceu e agora já não mais lhe era familiar. e ele a viu ali, parada em frente a sua sala. e eis que estendeu a mão em sua direção, como se almejasse tocá-la.
ela desviou. olhou nos olhos e dedicou-lhe um levantar de sombrancelhas. ele sorriu sem graça: nunca a vira tão bonita, talvez fosse a meia-luz que a tornasse uma gata parda, talvez fosse o tempo que havia se passado, talvez fossem os ares diferentes... ou talvez fosse a ausência dele que fizera tão bem pra ela. ela realmente está linda, ele certamente pensou.
e conversaram como se nucna tivessem sido íntimos, conversaram como se não se conhecessem (e não se conheciam, pelo menos pessoalmente) e estavam ali, parados um em fretne ao outro, esperando o destino vir.
mas ela se despediu. ela estava indo e ele ficando ali, olhando, se perguntando pra onde ela teria ido, por onde ela teria andado naqueles dias, a quem ela teria dedicado amor senão a ele. e se perguntava ainda mais quem era aquela garota.
'ela foi minha melhor amiga, sabia?' ele retrucou para o amigo.
'hm,... entendo.' o outro parecia entender.
'mas ela foi embora... eu nao entendo porque as pessoas sempre vão embora da minha vida. eu pensei que ela nunca iria.' ele continuava divagando.
'mas ela foi, não foi? e porque foi? ela não te amava?' o outro parecia realmente interessado.
'ela me amava. mas eu não sei... começo a pensar que o problema está em mim' e ele agora fazia algum progresso.
'talvez... qual foi a ultima vez que voce falou com ela?' o outro insistia.
'faz tempo, eu estava namorando a ______... eu já não falava com ela fazia tempo, estava saindo muito e ela longe demais, acho que ela estava estudando. era fim de ano, ela ia embora...' ele explicava contemplando as memórias, aquilo de alguma maneira lhe doía. 'ela sempre me escrevia cartas...'
'e voce respondia?' o outro interrogou-o.
'não, nucna respondi.' ele afirmou.
'por acaso alguma vez voce disse a ela que a amava?' o outro agora entendia bem porque a garota havia ido. mesmo que o amasse.
'não... deveria?' ele perguntavac ingenuamente.
'...' o outro agora entendia demais.
e ao voltar para casa mostrou ao outro a última vez que tivera notícia dela:
'mesmo que faça tempo demais, dedico a voce todas as partes de mim que já morreram e aquelas de que nunca mais tive noticias. como um velho eletrodoméstico abandonado, como uma tevê velha desligada a controle remoto, eu permaneço em standby. mesmo que eu esteja longe demais, ainda estarei ao seu lado. porque é o que se sente, é o que se é. mas espero que voce faça. se ainda assim não fizer, ainda terei meus velhos obituários pra registrar todas minhas mortes, porque em cada separação reside uma morte - e te pergunto 'não haverá mais morte na vida que na própria morte se assim for?' - e se assim for, ainda assim eu amarei.
te vejo na outra vida.'
e ele ao ler começava a entender, as palavras se ligavam: agora estavam nascendo outra vez. mas ela sabia que a morte chegaria, ela sempre chegava. mas dessa vez ela saberia a hora e o local:
ela nunca mais seria uma vítima.
morte e vida amorosa.