quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

:)

'tenho que te confessar uma coisa' dessa vez ela foi rápida, sucinta.

'?' ele não entendeu quando eles entraram e nem como entraram nesse confessionário.

'sabe, eu queria agradecer o *****. queria abraçar ele bem forte e dizer: 'cara, obrigada. eternamente obrigada.' e abraçar mais forte ainda.' ela soltou o elo sem o resto da corrente do pensamento.

'o quê? voce tá LOUCA?' ele deixou em letras garrafais. 'voce prefere ele? aquele bebado?'

'calma.' ela sorriu pra ele, transmitindo a calma que era uma parte dela. 'deixa eu terminar'

ele parecia intolerante, com suas sombrancelhas marcantes quase grudadas em seus cílios. ela contiinuou.

'eu queria agradecer ele. de verdade. abraçaria ele e diria assim 'obrigada. obrigada por fazer daquela noite uma noite tão vazia, uma noite tão deprimente, uma noite tão dolorida. obrigada por se embebedar e me tratar como uma qualquer. obrigada por não me fazer sentir especial. obrigada por ser idiota. obrigada por não ligar no dia seguinte. você é ótimo nisso. obrigada por me fazer sentir mal pela primeira vez em um ano. obrigada, porque tudo isso me fez lembrar que eu tinha alguém gentil, amável e doce que apesar de não ter sido capaz de tocar uma única parte do meu corpo, foi capaz de me amar como ninguém mais amou. obrigada, porque se não fosse voce, aquele ponto que, na verdade eram reticencias, teria se tornado o ponto final. infinitamente obrigada.'

ele descruzou os braços antes amarrados a seu corpo. seus olhos estavam abertos de maneira incomun, sua boca talvez sorrisse. mas ele ainda nao tinha entendido.

'e sabe... eu lembrei de voce quando eu acordei na minha cama, sozinha e com mutia dor de cabeça. lembrei porque eu tinha feito tudo aquilo: pra te esquecer. lembrei das coisas ruins que voce quis dizer, lembrei de tudo. lembrei de como eu amava voce de uma forma tao infantil, eu era so uma criança mesmo. lembrei que voce ainda estava em algum lugar desse mundo, talvez precisando de mim pra te amar. talvez nao. mas lembrei de voce. eu era feliz, mas não era igual, faltava o entusiasmo que eu sentia só de pensar em voce voltando de algum lugar longe, faltava algo que eu nao sabia nomear. amor? não sei, só sei que doia quando voce me falava aquelas coisas, mas incrivelmente doia mais estar tão longe de voce.'

ela ainda continuou, mesmo que sentisse as lágrimas brigando contra sua força de não parecer fraca. 'hm... *risinhos* ... e entao eu corri pro computador e te escrevi aquela mensagem que voce responderia meses depois.'

'eu lembro' e ele sorriu.

'mensurando os dias de verão
apenas concluo que eles se desmancharam em cinzas
as horas me trazem dor

pensando em como tudo era
será que voce ainda lembra daqueles dias
e pensa em nós de novo?

eu penso.' ela pausou. 'é tangerine, do led zeppelin. minha musica favorita.'

'eu sei.' ele sorriu amavelmente, como fazia poucas vezes.

eles ficaram quietos por um instante.

'eu também sou grato a ele.' ele disse ainda sorrindo. 'muito grato.'

Um comentário:

  1. ai ai...
    cara, isso é true?
    queria viver tuas semânticas de amor!

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