quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

you got me

se antes eu contava tempo em números, agora conto em histórias. sem números, por extenso e sem abreviações. (...) a [minha] vida é frágil, líquida, escapando entre os dedos antes mesmo que eu pudesse me convencer de que ela poderia um dia estar em minhas mãos. evapora ou vira história. e entre um meio sorriso e outro, dessas coisas da minha cretinice intelectual, eu te disse a única sinceridade de mim, com palavras que roubei:

"nada difere o presente das memórias, apenas se diferenciam depois quando se conhece as cicatrizes". e hoje eu sei que tu é memória. ouch.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

imóveis em brasília

tudo chove no espaço e no tempo de um verão todo
pra afogar minhas nostalgias bobas de quem mal tem 20 anos

andarilha das entrequadras
habitante das entrelinhas
do concreto que não me deixa escoar
e fazer a terra fértil
fazer as plantas saírem do papel
e virarem alicerce e estrutura
metal e concreto, tijolos, objetos

futuro do pretérito
nostalgia que vem em blocos
navegantes das calçadas
a gente quer sair do papel, virar trânsito
onde nenhuma reta vira esquina
onde mulheres viram meninas

e eu ainda quero a contradição
dos espaços abertos que não deixam fluir
de ganhar passagem ao estender a mão
ganhar de inverno a maior estiagem
e passar o maior frio no verão
a gente vai ficando cinza, branco e amarelo
fazendo figuração na obra do arquiteto

é que a gente é assim aqui em brasília:
quando seca, vira pó
e quando chove, inunda
ou enche a cara
nos bares sem esquina nenhuma
imóveis, mas sempre de passagem
rodeados de lago, nada mais do que margem

carioca em brasília é assim
procura cantos em todas as bocas
na falta de encontrar esquinas
sem laje nem cobertura
e sem encontrar lapa nem redentor
uma melancolia dos diabos me bate
toda vez que meu coração apanha e vai a nocaute

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

botânica

seca por fora e inundando por dentro
no maior egoísmo de toda a água que sou
é que comigo-ninguém-pode:
eu tenho o coração cerrado

sei que me fiz cactus por ocasião
na terra árida dos amores-perfeitos que nunca colhi
na maior secura onde tudo o que se planta dá
deixo que me (re)colham pra eu pensar que amadureci

se eu te deixo plantado é que tu floresce
muito mais rápido que erva daninha
o que a gente planta embaixo dos lençóis
só se cresce se regar com lágrimas, suor e saliva.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

reforma ortográfica

adjetivos iguais
substantivos próprios
e seus
pronomes de posse
voz ativa
sujeito e objetos
desejo gramaticais
e líricos
oníricos
separando tudo
em
si -
la -
bas
indicativos
gerúndios acabados
bilinguismo amoroso
sem considerar coesão
ou coerência
fuga ao tema
futuro do presente
subjuntivo
me faz 3ª pessoa do plural
que eu te dou um vocativo.

domingo, 4 de dezembro de 2011

45 do segundo tempo

e em breve serão apenas fotografias que tirei nas viagens que nunca fiz
vocabulário e gramática dos nossos casos marginais escritos nas entrelinhas
sem separar em sílabas

declarações em voz ativa de toda a sordidez lírica que sempre procurei
serão só lembranças das noites vividas seis horas no passado e pra ti
eu deixo a culpa da qual nunca me perdoei

as cartas que você colocou embaixo da minha manga, no meu decote
provas do crime e evidências que em breve serão só memórias
de um amor que sempre dura 14 dias

sábado, 3 de dezembro de 2011

ligação

é que eu ando meio desligada
contando as páginas que ainda não escrevi
e sonhando sem ter dormido sono algum
não leve a mal - só me leva

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

tudo acontece agora, entre os beijos que não te dei e o arrependimento que não veio, entre a meia-noite e as três da manhã. come mi manchi, caro sconosciuto! vou misturando as línguas, enlaces de salivas, beijos de real. intangível. ceci n'est pas un bisou, c'est le désir, impacable. e eu ainda tenho tanto o que aprender e desprender, mas agora o futuro não me parece mais abreviação, o futuro não me é mais numérico, agora o futuro é extenso. e eu sou feita e vou me fazendo dos passos que dei, mesmo os em falso, e da melancolia de se ter 18 anos... and singin' the blues. as horas são pequenas e a vida tão grande. e eu tremo, sabendo que o futuro que mais esperei é agora. e que eu estou há milhas de distância de quem um dia já fui. mas sem nunca esquecer de onde eu vim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

receita de poema

uma dúzia de tarefas
procrastinação
com e-mails controversos
passaportes não tirados
casos encobertos
lençóis virtuais,
ilusões de óptica
insônias voluntárias,
dores nas costas
palavras cruzadas
e meias palavras
pra dentro e pra fora,
no quarto e na sala
rascunho de triângulos
segundas intenções
fumaças e suspiros
inspirações
de buenos aires
chile e bolivia
café derramado
teus sorrisos amargos
minha eterna melancolia
os olhos dele, doce
cartas e borras
no fundo do copo
destino pintado nas estrelas
"eu só quero que você me queira"
noites em claro
quartos escuros
negativo, tu se revela
como fotografia
se pinta na minha tela(...)

e misturo tudo: sílabas, desejos e concretos, cinzas e desertos, catedral e pirâmides, exposições e conteúdos, museus e futuro. e a parte isso tenho em mim todo o sono do mundo!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

é que tudo que começa no nosso tempo perde espaço
pras folhas soltas que caem dos meus calendarios 
feitos de aero(planos), vistos clandestinos
e passagens pras estações: as
quatro, invertidas pelos
pólos positivos
e negativos.
coisas
do
magnetismo
e da natureza selvagem
que se calcula em equações de
2º grau e 2ªs intenções. nosso caso
de inverno sempre cai no teu outono. e eu
não entendo porque não ganho flores na primavera.

(tentativas) de seminários em versos

sujeito suposto não saber
com fantasias de foucault
romances psicanalíticos
pra quem nao entende de amor
- só de desejo  -
objetos distantes e inalcançáveis
nem no paladar nem no tato
nem no script nem no ato
a grande outra e o sujeito barrado


belo belo belo, tenho tudo
(que já nao quero)
sabio era manuel bandeira

desejo realizado nao é mais desejo
vira concreto
e dos corpos queimados
só restam cinzas
tudo vira pó

e eu preciso da leveza com que a água se levanta
e da ilusão de textura com que vira nuvem
e do peso falso com que cai e lava - ou leva? - tudo

a fumaça entrando nos pulmões
tu me inspira pouco a pouco que eu sei

fico circulando no teu sangue quente
presa em correntes
quase tao tangível quanto gelo sublimando 
de cordas bambas, passo a passo

se o real não fosse lacuna... me diz:
o que seria dos meus poemas sem teu espaço?

domingo, 27 de novembro de 2011

a rotina é permanente repetição que nunca se imita... amanhã será um novo dia, apesar de todas as mesmas velhas obrigações.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pirâmides

é só que estou testando os limites
-dos corpos e dos mundos que habito
retratos e olhos de vidro -

não é só dor que deixa marca
as linhas de expressão também
são cicatrizes nas almas

enigma, não te quero decifrar
miragem no deserto me engole
eu prefiro que tu me devore

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Imigrantes;

Sem jogar concreto nas terras selvagens
Resistindo à urbanização dos instintos
ignorando as fronteiras, viajantes sem destino
se tu me procura eu te encontro
os finais viram três pontos . . .

Palavras de corpo
Desenhadas na retina
Peles que se arrepiam
Em 3 ou mais idiomas
No despertar da minha insônia

e quando eu mais te toco
derrubando as barreiras de linguagens
Com todas as línguas
Eu te toco e tu me liga

e estamos
por
um
f
i
o
.
.
.
a noite é longa, baby
maior que todas as distâncias
e tu atravessa meu pensamento
antes de atravessar a alfândega
tudo imposto

que nada disso cabe no espaço
nos contornos do corpo
rascunho de sordidez
com traços de pós-modernidade
não é certo, mas é verdade

sou traficante das tuas fantasias ilegais
misturando tuas éticas em álcool
que é pra ver se a gente toma juízo
que é pra ver se a gente bebe da fonte
sem ir com sede demais ao pote

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

acertando as contas

o céu já não é o mesmo em brasília, contradição da tragédia cotidiana da rotina, que é repetição mas que nunca se deixa imitar. enquanto eu dirigia em uma entrequadra, percebi que não importa a estática das construções ou a velocidade de suas metamorfoses, eu ainda podia achar todas as mesmas graças que você jogava pra mim entre as nuvens, nas memórias daqueles dias em que a gente fazia compras, fazia ciência, fazia arte, fazia música, fazia parte. tempo em que eu era toda impressão das tuas paredes, te traçando fielmente nos contornos, deixando aparente os vazios de dentro. tempo aquele em que a gente dividia não só colchões, contas ou carne, mas tempo, histórias e risadas - numa matemática típica de quem faz psicologia demais, revelando os negativos. teu riso alto tirou prova real, além das probabilidades. é que os outlayers também fazem parte, se é que você me entende.

Clan(destino)s

para além dos trópicos
na geografia do nossos desejos
sem passaporte ou documentos
clandestinidade que cruza
as fronteiras dos sentidos
sinestesicamente

navegante dos mares de concreto
entre pacíficos e nem tanto
rios de asfalto e oceano atlântico
sinais e preferências pra quem tiver
dentro e fora das rotatórias
(pegadas da minha memória)

nos mapas e cartas
que o destino me escreve
e que eu nunca leio:
é que não existe GPS pra navegar nos mapas astrais
e nem estrada definida pra seguir o fado
sinalizado pelas estrelas

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Adultério

Se eu te escrevo e
te desenho
se eu te denuncio
Se eu te provocar
E não estiver por perto
Me desculpe, meu bem
é que minha poesia é orgia de afetos...


se eu te escrevo e
te desenho
sei que nao te completo
a gente fica só no esboço
Entre sujeito e objeto
co-existindo no desejo
Unidos e separados pela distância de um beijo

domingo, 20 de novembro de 2011

cantos, cantores e cantadas

te encontro e te conto
no (en)canto
pela troca de vogais
terra adentro e mar afora
poesias de jornais
nos bares de brasília
a cidade sem esquinas
somos todos teatrais
eu ensaio um sorriso
e você me toma mal
sem prólogo ou epílogos
eu te canto
entre quadros e padrões
entre mesas de bares
en-canto, e em que canto
me livrarei de todos os males
no vale da lua ou por do sol
embaixo do teu lençol
ou no meio dos nossos mares

ah, e o sal
que são só nossas lágrimas de corpo
a chuva de pele dos encontros
dos lábios e outros pontos
turísticos e habituais
mãos ao alto e pernas pro ar
e tantas coisas que eu
nos meus 21 anos
já esqueço de pontuar...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

being fluent in some other language is not about reading all the words, but all the in betweens. making tangible what is not writable or readable, what is beyond words. between those who talk and those who listen. it cant be read or listened, only felt.

domingo, 13 de novembro de 2011

lacan explica

dois anos se passaram na L2, três ou mais, desde aquele dia em que você segurava minha mala em uma mão e na outra tinha minha cintura. um dia de finados, um domingo, um dia qualquer. (...)

ela repetiu pra si mesma 'aja naturalmente, aja naturalmente', como um mantra que conforme ecoava em seus pensamentos, parecia ter menos e menos sentido. 'seja você mesma' - e ela estranhou os próprios dizeres, se perguntando se ela sabia quem era. o coração ia na boca, e ela se sentia estúpida por isso, e entre uma inspiração e outra, pensou que isso era ser humano. não que isso a tenha acalmado, mas era melhor que explicação nenhuma. ela ajeitou as meias 3/4, na maior malandragem, pronta pra sair da sua bolha à prova de desejos.

***

dessa vez ela não se deixou à beira do abismo, não se recuou ao canto da gaiola como bicho ferido. só sorriu e tentou se permitir sair pouco a pouco daquela redoma invisível que a fazia intocável, entre uma palavra e outra, um gesto e outro, um sorriso e outro, uma mão e outra. 'o que você quer que eu faça?', e então ela sabia que já tinha colocado o corpo fora. e não que isso fosse ruim. os pensamentos iam se sucedendo, numa tentativa de tragá-la de volta pra redoma, a fortaleza de sorrisos e ironias que ela construiu por anos, e ela ia lutando unha a unha, sem desistir. 'o que você quer que eu faça?'

***

ela fechou os olhos, deixando os dedos enxergarem por ela. e falarem tudo aquilo que ela sabia que não podia ser dito em palavras. ainda assim dizendo, os desejos todos nas pontas dos dedos. ela sorriu timidamente, o cabelo cobrindo um pedaço do rosto. pequena.

***

ela nunca sabia o que fazer nessas horas. foi andando, olhando pra cima, sabendo que agora pisava em terra firme, mesmo que toda a névoa lhe fizesse sentir como se caminhasse em um outro plano. sentiu o cheiro doce lhe inundar as narinas, queimando seu corpo por dentro, desafiando as fronteiras entre toda a fragilidade de se estar fora da redoma e a segurança de se estar um nível imaginário acima. ela se riu, caindo sentada na cadeira do ônibus. as nuvens iam desenhando coisas que ela ja nao podia identificar no céu, ela respirou fundo, sentindo o aroma doce lhe incendiar por dentro. it feels like myself again.

ela, sujeita à tudo de novo, à flor do abismo e à beira da pele. ding ding ding.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Esfinge

e então ela percebe que os olhos dele são verdes, castanhos e mel, embriaguez constante da natureza etérea e etílica dela e do resto do mundo. São olhos de mel, mas ela já não se deixa sentir o doce. As fotografias que ela tira por trás de seus olhos castanhos vão se sobrepondo, sem nunca se permitir ficar, e ela já não lembra mais do rosto dele. Mas ficam as sensações de alguém que agora enxerga com as pontas dos dedos e as palmas das mãos, de alguém que se esconde por trás do tato na esperança de que não se deixe iludir por ilusões de ópticas, (a)pegando-se ao concreto. 
A mão dele repousa sobre sua coxa, e ela protegida pelo espaço de um tecido, acreditando que assim ele não pode tocá-la. Mas ela sabe que ele pode - e vai. Com os olhos embriagados e torpes, ainda assim fixos nos dela, ele se aproxima, passo a passo mas sem sair do lugar, e ela há milhas de distância de si, um medo dos diabos de cair em contradição. Sempre com armas engatilhadas, disfarces constantes. Ela sabe que ele a intimida, que ela saiu da zona de conforto da deriva, e agora tem de pegar no timão. E os olhos continuam verdes e mel, a barba se espalha pela sua mão - cinismo puro, ela sabe que vai de encontro a tudo isso que se oferece de bandeja para ela.
Por vezes ele apenas a encara, e ela permanece enigmática. Ele prova as maçãs do rosto dela, cometendo o pecado fundamental, e ela sorri porque sente cócegas por dentro, sem dizer nada pra que ele não saiba que pra decifrá-la não é preciso que a devore.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

navegar é preciso

sei que você me procura em outros cabelos, outros corpos, outros olhos, outras peles, outras artes, outros discursos. sei que você está à deriva nos gostares, de onda em onda querendo ver passar todos os mares. e você sabe que em toda essa tormenta teu barco sempre esteve preso a terra não-tão-firme, porto inseguro, pelo nó(s) que ninguém nunca teve coragem de desatar...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

_por quanto mais tempo eu vou viver na sombra do que nós fomos?
_até que o sol se coloque à frente do futuro...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

faz tempo que não escrevo, que não te escrevo, que não me escrevo. faz muito tempo de tudo e, os pessimistas diriam, que o tempo não faz nada. os dias agora são de 8 as 18 e entre trabalho e estudos, todos se salvaram. às vezes me pego espiando velhas fotos, procurando marcas que não tinha, sorrisos que perdi, gente que encontrei - procurando evidências do que fui. e se fui! E inevitavelmente eu te encontro, não entre as gôndolas, mas em algum lugar no fundo do meu peito, escondidinho embaixo de várias memórias de coisas que já não sou, muita poeira. a garganta se inflama, a gente também. eu gosto de você, menino, é coisa que não posso mentir. é coisa que não quero mentir. mas bang bang, a gente se acertou outra vez.

e entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

domingo, 11 de setembro de 2011

eu me derramo
e a lua enche
antes que a seca me leve com o primeiro vento mais brando

domingo, 21 de agosto de 2011

feliz vida nova

tu bem sabe que eu já não sou mais a mesma de uns anos atrás, que agora me encontra não só nos rascunhos que deixei na tua gaveta mas também no meu próprio rosto, no meu próprio sorriso. tu que me conheceu entre retas e planos, sabe que agora eu vou além de alguns pontos. e que a gente eventualmente se cruza por aí, em um desses planos imaginários, coisas da perspectiva que faz até retas paralelas se cruzarem: tudo ilusão de ótica, e eu caio caio caio nessas coisas, na velocidade de uma pluma ou de uma bigorna, na velocidade do nosso amor que nunca foi mais que platônico. e a gente se desmancha no ar, leve, infinitos, ainda como um - mas espalhados por toda a atmosfera. tu bem sabe que eu já não sou mais a mesma. e eu bem sei que a gente nunca foi. ou ficou.

e eu bem sei que as retas são feitas de infinitos pontos e começos, começos, começos. até a próxima perspectiva e feliz vida nova, pra mim e pra voce, aonde quer que estejamos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

beijos

mas se eu te levo e tu me levanta
se o copo cai mas não balança
se voce vem e eu vento
com quatro mãos e um talento
quando eu não caio e nem balanço
nao me deixo levar aos cantos
nem correnteza
nem voce
nem cerveja


segunda-feira, 27 de junho de 2011

preparar, apontar. fogo.

dessa vez te enfrento e te confronto de mãos vazias
mas com a boca cheia de palavras, palavrões e beijos


bang bang
i shot you down

sexta-feira, 24 de junho de 2011

o médico e o monstro

tenho medo das minhas palavras, medo de que elas eventualmente se voltem contra mim como boa parte do que criei. tenho pavor da poesia que antes saia em cascata pelos cantos dos meus lábios, tenho pavor dos olhos que mergulham nos espelhos em busca do mundo tangível. tudo questão de referencial.

não posso confiar em mim mesma, já não sou quem eu fui há 1 segundo atrás. e isso é ótimo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

do outro lado da tela

pinta aqui, pinta em mim
mosaico de carne, ossos e amor
me toca e me escreve
me deixa te marcar com água


pinta aqui, pinta em mim
me fiz rascunho, me fiz rabisco
me modela, aquarela
do lado de lá da tua tela.

sábado, 30 de abril de 2011

sobre cientistas e jujubas

ele devia saber melhor que ninguém que a menina que leu foucault aos 17 anos e discursava sobre relativismo cultural enquanto estudava psicologia era, no mínimo, bem difícil de situar no plano cartesiano...

sábado, 23 de abril de 2011

fantasias

por tempos evitei a culpa de ser eu mesma, evitando sorrisos e passeios noturnos, evitando opiniões e vontades que você não aprova. de fato, eu evitei teu desapontamento com mentiras e tatuagens escondidas, com garrafas de whisky e poemas que você nunca leu. evitei tua decepção ficando fora de 7 às 7, escrevendo de madrugada e acordando sempre atrasada. não que você notasse. eu quis ser todas as coisas do mundo que você disse que eu poderia ser, mas só pra você. descobri que não era o bastante. sou cheia de desculpas, de justificativas, na fantasia onipresente de que um dia serei tudo o que alguém sempre quis. não era o bastante.






não porque eu não fosse boa atriz, mas porque os holofotes nunca estiveram em mim. não porque eu não fosse boa atriz, mas porque você de fato nunca esteve na platéia. hoje sou meia dúzia de coisas, mas sou todas elas legitimamente. sou todas pra mim. e se você gostar, pode ter algumas pra você, fique à vontade.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

traços

alimento meus versos de dor, de melancolia, daquele sentimento de quem está à deriva, de quem já viu cusco e buenos aires, de quem quer tudo bem passado mas que no fundo sabe que tem um futuro de presentes pela frente. alimento meus versos da carne humana, do suor e das lágrimas, do sangue e da frieza de estar a milhas e milhas de mim mesma e de onde eu vivo. alimento meus versos do que sobra de mim quando um você se vai. o pronome, sem nome próprio mas ironicamente com um mesmo rosto branco composto de grandes olhos castanhos, sobrancelhas grossas e escuras, nariz grande e lábios que abrigam um sorriso franco do qual eu sempre desconfio. me alimento de meus versos, numa ânsia de recuperar tudo o que sou, entre rostos homens que amei e desejos que eu nunca pude ter. me alimento de mim, sempre sem você.

domingo, 17 de abril de 2011

i need your lovin'

eu lembro de quando trocava a cor dos cabelos de acordo os humores, as 4 estações do ano não eram suficiente pra fazer uma vida em preto e branco florescer. entre um rascunho e outro, em meu universo particular, às vezes eu te encontrava em sonhos. E você, na realidade, não era muito diferente daquilo. "eu nunca vou esquecer os seus cabelos vermelhos", você disse. Provavelmente nem o laranja, nem o azul, nem o roxo, nem o rosa e nem todas as outras cores com que pintei nossas vidas monocromáticas. tudo girava em torno das cores, as minhas e as tuas. hoje já não me sinto à vontade pra te escrever, minhas cores estão espalhadas por todos os cantos do mundo. nós viramos cinza(s). (bem) passado...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

back up

os arquivos se vão
mas as memórias ficam na minha cabeça
retratos de você e eu
em cores mais vivas do que eu queria
com mais de milhares de giga

mega eu, mega voce

segunda-feira, 4 de abril de 2011

mindblowing

"_ i can do anything normal people do. - he told her.
 _ so you feel normal? - she asked.
 _ mmmm... - he hesitated.
 _ you said you never felt ok. - she said.
 _ and is this world ok? "

te quiero al sur.

quarta-feira, 30 de março de 2011

sou feita de cartas, tintas e ossos.

gosto da sua companhia, gosto de estar e de ser antes de fazer, gosto de não ter que pormenorizar minhas psicologias, minhas teorias sociais, sexuais, atuais. sem políticas, sem filosofias ou religião, só com a mais essencial das experiências, que é ser. o ser que atravessa oceanos e fusos horários, barreiras de linguagem e que atravessa a mim como bala perdida que procurei por tanto tempo.

shoot me. 

sábado, 26 de março de 2011

ciência

uma noite de delícia e de deleite
de três meses, de qualquer um
uma noite de me and you

pra exercitar teu querer no meu
e todas as tuas manias
pra trazer tudo que está fora da curva normal pro dia a dia

domingo, 13 de março de 2011

crossroads

Quanto mais quilômetros o odômetro indicava mais livre eu me sentia: correndo com o vento, imaterial, simples, esperanças mil. Maquiei meus incômodos, dei-lhes nomes de trabalhos inacabados e pensei em viver uma nova forma de sexualidade - que carreira seguirei? vou fazer mestrado? me formo esse ano? sou lésbica? O alívio também veio maquiado, de manhã tudo estava de volta ao natural. Meu incômodo tem nome próprio e sobrenome, tem olhos que eu vejo nos sonhos mais estranhos, tem gosto de culpa e de saudade, cheiro de mal-passado, sem ser passado a limpo. Agora eu já estava tão perto de casa, essa ilusão de cidade em que eu vivi pelos últimos doze anos, que me deu tudo sem oferecer nada, que me secou os pulmões e sem que eu percebesse, também o coração. Diriam que eu comecei a fumar, mas eu sei melhor que ninguém que não há caminho melhor pra se morrer um pouco mais a cada dia do que viver de olhos fechados em Brasília. É fácil, mas cheio de misunderstandings como os Beatles disseram. Senti saudade do Rio, do samba, do domingo de sol na praia. Simples. Descobri que no fundo sou tradicional demais, nas linhas e nas curvas. Trouxe de volta na bagagem mais uma revolução solar, um bocado de gente no coração e uma mochila. Maquiei meus incômodos. Não maquiei meu rosto, nem meus cabelos nem nada. Sem os disfarces era difícil saber quem ou o que eu era. Eu sempre pude ser qualquer coisa, mas nunca tive a intenção de ser uma coisa qualquer.

fevereiro e março

o que ninguém sabe é que eu sou do rio de janeiro. aquele abraço.

segunda-feira, 7 de março de 2011

que me quedes tu

25º dia, Piauí, Brasil. Faz duas semanas que não falo com você, meu inglês vai se apagando. Tenho sonhos estranhos, sinto o cheiro dele durante o sonho e o roçar da pele que eu já tinha esquecido. Lembro de você eventualmente... "ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio". O futuro a Deus pertence and we belong together. O calor me deixa nonsense e trilíngue.

http://www.youtube.com/watch?v=RQNQ60mrQeE

a verdade é que eu nunca quis fazer sentido algum. só fazer sentir.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

contas de janeiro

certas pessoas possuem um efeito homeopático na minha poesia e na minha palavra, algumas pessoas me deixam doce. outras só me deixam. e tem aquelas que me deixam e me deixam amarga. aquelas que ficam e me fazem ficar doce. ou ficar amarga. ou só ficar mesmo. no fim das contas é coisa que eu não posso e nem quero evitar: eu gosto de gente.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

da escrita

eu te olho com os dedos, te provo com os olhos e te escrevo com a língua. nas cordas, nas teclas, nas ondas e nas redes.

sábado, 15 de janeiro de 2011

laugh laugh

i nearly died

3 outra vez, eu gosto de ser de madrugada. já não lembro muita coisa, já não lembro do teu cheiro.




do que eu tava falando mesmo?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

eu não faço a mínima idéia
você não faz o mínimo sentido
nós não fazemos a mínima questão

mas é tudo o máximo.

desculpa mas eu gosto que voce gosta de mim.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

corram para as montanhas

pra quem vive de escrita e rascunhos não há nada mais natural que admirar os ________________ ______ _ _____ _ ____ __ _____ ____ ___riscos.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

brasil

existe um rosto por trás das palavras, duas mãos que digitam quase simultaneamente, numa ânsia de não deixar um silêncio sequer pairando no ar: tic tic pec pec pec espaço pec pec tic, com as unhas pintadas de verde água - ou seria azul piscina? esses dedos por trás dos esmaltes escolheram a cor mais indefinível por reflexo do gosto por tudo e a vontade de abraçar um mundo de possibilidades - mesmo que fossem só cores de esmalte.
o sorriso tímido que aos poucos vai se exibindo, as risadinhas sem graça mas espontâneas. ah, foram anos de prática! o rosto espera pelas primeiras marquinhas de expressão, marcas de alegrias passageiras mas constantes denunciadas nas rugas. Engraçadinha! algum outro carinha diria que ela é esperta, e que ninguem gosta de gente esperta. Ela, no entanto, criou um gosto peculiar por gente honesta.
Adora chocolates belgas, foi introdzida à filosofia grega, andou quase uma américa do sul toda, sentiu o mal das alturas, bebeu com os ingleses, falou dos moinhos e das flores holandesas, citou Foucault e Beauvoir, tomou banho de rio, tem um ritmo peculiar percorrendo seu corpo e ainda se aventura em outras línguas. ela só podia ser brasileira...