segunda-feira, 31 de agosto de 2009

sonho x 7 = insônia


quando 1+1 finalmente é 2 e não 1
quando 1 é pouco, 2 é fato
e 3 é a realidade
quando 7 não é o numero da perfeição
quando silvio santos faz sentido:
quando eu sei que tudo que eu colocar aqui provavelmente vai ser mal entendido por uma meia dúzia que não faz idéia do que se passa no meu sono REM pelo menos eu fico aliviada...

super homem no divã


ela disse que ele a destruía cada vez que a abraçava forte daquele jeito, ele disse que não podia estragar nada que ele não pudesse fazer melhor. e muito menos destruir algo que não pertencesse a ele.

e lá se foi outro herói.

domingo, 30 de agosto de 2009

i could be the walrus


por duas horas eu voltei a ter 15 anos, 3º ano do ensino médio, uma vida promissora e brilhante pela frente: mentiras, omissões, excessos, garrafas vazias, sleeping on shoes, amargura, procastinação, preguiça, nenhum ideal e claro, os famosos 10 e poucos quilos a mais.
pelo menos agora eu não precisava da legenda.

sábado, 29 de agosto de 2009

queijo suíço, culinária brasileira

'... é que a vida começa à meia-noite e a única maneira de tapar os buracos que aparecem ao longo da madrugada é com caramelo, biscoitos, sorvetes e chocolate.'

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

café da manhã

depois do verão mais seco, aquele que não me deixou nem folhas para o outono derrubar, e do inverno mais quente dos últimos anos - talvez para esquentar a frieza de ser - me encontrei sem estação, sem terminal, sem ter absolutamente para quem retornar ao por-do-sol.

pensei no passado como se fosse uma roupa de baixo: a gente mostra pra quem quiser, sendo íntimo ou não, sério ou casual. tem gente que não gosta de usar mas acha higiênico. tem gente que usa como justificativa, tem gente que compra um novo. o passado como justificativa pra tudo, como explicação pra tudo. freud disse. ele bebeu do meu riso mais amargo: o passado e as roupas de baixo pra mim são só mais uma mazela da sociedade ocidental...

ele não me ouviu. voltei pro meu café requentado com pizza dormida às 8 da manhã esperando uma ligação e com uma música na cabeça: o futuro realmente é meu... e seu. mas certamente, como eu não enchia meu peito de orgulho há muito tempo pra dizer, esse era meu estilo de vida.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

i heart where i am

fazia tempo eu me pegava sempre desviando desses caminhos que exibiam os enormes outdoors no bom e velho estilo 'isso é tão ele'. fazia tempo eu me pegava pulando de lugar em lugar toda vez que as raízes começavam a ser criadas, toda vez que a chuva chegava pra florescer alguma coisa. fazia tempo. ingenuamente navegando de cama em cama, de cidade em cidade, de boca em boca eu nem cogitei a possibilidade de que, deixando os ventos me levarem, eu voltaria para o lugar de onde havia saído:

foi naquela noite que ninguém sabia se já era manhã, com gilberto gil cantando alguma coisa que eu já não podia entender, em um sofazinho que nem dava pra chamar de sofá, ao lado de uma pessoa qualquer que depois de alguns drinks já era um grande e velho conhecido. o álcool me põe sentimental como os diabos. segurei o copo de cerveja - que estava cheio de água - em uma mão enquanto segurava meu rosto com a outra, sorri em afirmativa quando me perguntaram se eu queria ver algumas fotos. sempre gostei de fotos.

as fotos todas refletiam algo que há muito eu já não via ou sentia. uma grande casa com uma grande família de pessoas bonitas e felizes. sorri outra vez, respondi que tinha uma família pequena e que não era de lugar nenhum, embora houvesse nascido no rio de janeiro. past is so last week, dont you think? e eu ri, deixando uma gota d'água escorrer pelo canto da minha boca. ele riu junto, colhendo a gotinha com seu dedo indicador: home is where your heart is. e colocou a mão sobre meu lado esquerdo. can you feel it? do you know where your heart is? e eu respondi que não sabia. here, your heart is here. e então eu soube que ali era meu lugar.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

preservação

chega hora em que porta-retratos se tornam estilhaços, fotos se precipitam em uma chuva de papel picado, flores secas se derramam em lixeiras, corações em pingente se dividem e voltam para seus lugares, bons momentos se convertem em amnésia, cartas se incendeiam em chamas - mas não aquelas da paixão.

e então tudo é destruição, uma parte dela diria. a outra diria que é só reciclagem. como diria lavoisier: nada se perde, nada se cria. tudo se transforma.

(essa é a lei da natureza - e nada mais natural que sentimentos)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

canção do céu poente


me encantam as cores
a liberdade com aroma de pizza de ontem
as noites que começam às onze e terminam às oito

ah, me encanta a pluralidade dos amores,
a vida acompanhada de fritas
além daquele tempero apimentado que diz 'bem vinda de volta à vida'

com aquela visão espetacular de pôr-do-sol,
de meio-dia, de meia-luz
o céu que me abraça aqui é o mesmo que me abraça em qualquer lugar

as estrelas que eu sigo aqui são as mesmas
que designam minha estranha sorte em brasília,
em buenos aires e até no piauí

penso o mesmo dos amores e das cores que me encantam
creio que o sol se põe, mesmo que o mundo seja redondo
creio que o sol se põe em todos os cantos.

domingo, 23 de agosto de 2009

amor porteño


"um inquietante olhar de amor portenho
cálido e cruel
não posso crer que passou
que o mistério sensual de teu riso se apagou

brindo por essa ilusão de amor portenho
louco punhal
doce e fatal
a nostalgia de um tempo, pedaço de nós dois
e eu que pensava que não me importava
que uma carícia podia borrar a cor da minha cidade

o código oculto nesse olhar
é como um sinal
e não posso escapar
um desejo sutil que tremendo vem me buscar"

sábado, 22 de agosto de 2009

fora do jogo


posso viver então eternamente na sombra do passado, na sombra do teu amor, com os pés sempre úmidos no leite derramado sem unca tê-lo levado ao copo.

seria então um lamento, ainda assim uma glória: compreender que tudo o que está suspenso ainda está sujeito às leis da gravidade...

e nesse instante é que opta-se pelo cartão vermelho, definitivo (ao invés de mais um sorriso e cartãozinho amarelos).
porque quem dá as cartas e os cartões agora sou eu.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

névoa

volátil, quente, impulsivo, razoável, irracional:


alcool em gel desinfeta as mãos, álcool líquido, o coração.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

beco sem saída


eventualmente as pessoas se encontram em becos sem saída: elas podem insistir e bater de cara na parede, elas podem dar a volta e procurar outra rua ou derrubar os muros - aquela boa e velha escolha como variável direta...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

vinhos e levianos


e ao te ver outra vez em tempos eu soube que seja lá o que tenha ocorrido entre nós - há quem chame de amor, eu chamo de essa coisa aí - sei lá, percebi que o amor era como uma daquelas garrafas de vinho caríssimas que a gente guarda em um lugar bem alto pra uma ocasião muito especial e, no fim, de tanto guardar, alguém acaba passando rápido demais, com muita sede ao pote e acaba derrubando a garrafa - acho que vale o mesmo pra virgindade. e fica aquela sujeira toda, misto de rubro e vidros onde gente imprudente e leviana como eu, que adora andar descalça, acaba se machucando mais ainda.
ma a gente sempre pode comprar um vinho novo e esvaziar a garrafa antes que alguém a derrube.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

like money

em uma cidade em que o inverno é quente, o verão cinza e o passado definitivamente não ficou pra trás e, assim como o perigo, mora ao lado, não é de se espantar que as coisas mais sólidas geralmente se desmanchem mais rápido. ou que aquilo que já se desmanchou e virou pó tome forma e vida outra vez ao cair no leite - ou no leito, quem sabe - quente.
daquela vez ele desviou o olhar, mas viu mais no fundo que nunca. ela fez aquele riso bobo, de quando ela sabia que indiferença não era ignorância. e continuou o que estava fazendo antes. ela concluiu que tentou vesti-lo do outro - e que ironicamente ele tentou o mesmo. mas os disfarces não cabiam em ninguém a não ser nos próprios donos.

i'd spent you.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

dead flowers


, e mais um dia se anunciou: fatal - porque a vida era feita de pequenas mortes, não menos importantes que aquelas grandes, com vestes negras, velas em chamas e flores. a gente definitivamente deveria ganhar flores pelos amores assassinados ao longo do caminho, ou pelo menos pelo fato de estar morrendo um pouquinho a cada dia.

vi os grandes olhos verdes, ouvi a grande gargalhada e a vozinha de criança. lembrei da companhia. ouvi as histórias. tudo no lugar em que esteve, da maneira que sempre foi: sem dinheiro, sem trabalho, sem rumo - mas com muuuuuuita história pra ser feita pra contar.

mais um dia chegou ao fim. morri mais um pouco, porque respirar definitivamente mata. e por isso peço pra todos que me querem por perto por mais tempo que me tirem o fôlego. ou se querem que eu morra um pouquinho de cada vez, vivendo 'muito bem, obrigada', que me dê flores.

domingo, 16 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

declaração de independencia


chegada a hora de se despedir do sonho, dos viajantes que encontrei no caminho, resolvi dizer até logo. quando o avião anunciou que já era possível ver as nuvens de cima, quando vi a primeira estrada se abrir inteira diante dos meus olhos e quando nada falava mais que a batida ensurdecedora da música, meu corpo resolveu libertar aquele grito aprisionado por meses, talvez anos:
independência ou morte!
dos velhos retratos nos pontos turísticos da cidade, das palavras não-mencionadas, dos arco-íris que insistem em se dependurar no meu céu: chega.
quando ninguém clama por essa terra perdida que é minha idéia e minha realização, não há direito algum de terceiro sobre esse corpo. há sim espaço para as cores, uma de cada vez, para as músicas novas, para tudo que esteja de algum lado, e não em cima do muro, perigando cair sobre minha cabeça.
independência ou morte: clamou meu corpo pela primeira e ultima vez em berço desconhecido, ao som de guitarras e à meia-luz da vida noturna alheia. e eu escolhi os dois. a minha independencia e a morte de todos voces, que me fazem sentir como merda. e entao a ultima nota daquela nossa canção soou.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

essa é pra voce, baby




hoje não canto as velhas estampas, não canto os cartões postais, não canto o arco-íris: tua pessoa se escreveu e, ironicamente, se inscreveu nas minhas linhas - as de expressão, as de caderno, as imaginárias que designam os limites. ri da minha ingenuidade, do meu lirismo ao qual tu é imune: dezenas de versos ou dúzias de flores não te comprariam a verdade.

(assim eu me sinto onipotente, espalhando minhas palavras pra que cada um crie seu proprio poema, seu proprio significado. mas baby, you always misunderstand me. ou entende bem demais, vai saber?)

mas me veio à tona a memória das tuas derradeiras palavras, da tua sentença. e eu fico na linha tênue, quase invisível, que é te colocar em palavras para que voce mesmo se interprete. sem compromisso. eu permaneço tentando me equilibrar nas cordas do meu violão, suavizar minha rigidez de ser nos meus rabiscos, ser melhor deixando tudo em rascunho. sem sucesso. o meu encanto nisso tudo é que eu não gostei de você de primeira - eu realmente tenho uma fraqueza dos diabos com essa coisa de primeira vez - ou de segunda, foi uma coisa de quinta. ou dos quintos - dos infernos, fique claro.

delimitei-me entao, teu olhar em mim era como um anteparo que só deixava passar um feixe de luz: meu melhor ângulo, meu maior brilho - aquele de fim de primavera. e eu passei como um filme cheio de cores, frases de efeito e meio-sorrisos infantis, insistindo em me escrever no ar e no brilho dos olhos das pessoas, que ironicamente tambem, se desfaz em lágrimas irremediavelmente.

quando é sexta à noite e estou em casa relegada às lembranças de algum tempo louco sem ninguém com quem criar novas cenas dignas de replay no meu cinema particular - o nostalgia, aquele que fica na rua da memória - sempre me encontro assim, metalinguística: as pontas de lápis se desgastaram com o escrever da história, as tintas de caneta evaporaram pela falta de uso, a borracha sumiu. mas o papel continuou marcado. eu acho que gosto de voce.

esse clima blasé de brasília me põe emotiva como os diabos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

shhhhhhhhhhh

te dedicaria uma duzia de belas frases como eu costumava fazer nos dias de verão, a alta temporada que só indicava a franca decadência. mas eu nao combato mais silencio com palavras.
alguém disse que a festa estava só começando, às 5 da manhã. eu sorri, colocando o cabelo pra trás da orelha, em vão, sem saber que horas eram, ainda dançando comigo mesma e com ele, ao mesmo tempo. olhei pra ela, ainda se movimentando rápido em torno de si mesma, como o planeta terra, parecia mágica, com a luz vermelha inundando a sala inteira e seu olhar perdido e ébrio.

sorri, ela sorriu de volta quando ele sentou ao meu lado tirando a garrafa da minha mão e inundando meu ouvido com algumas palavras que se misturavam com a música alta e sem sentido algum. ela me viu hesitar, balançar a cabeça com aquele jeito que ela já conhecia, sorrindo sempre brandamente, leve. ele levantou, ela sentou ao meu lado. a resposta ecoou na sala com aquelas palavras da maneira unica com a qual eu as pronunciava, fazendo-a rir mais. ela disse vai. e eu fui sem olhar pra trás, mas porque eu nao conseguia lembrar o que tinha ficado.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

melhor de 3



é que às vezes eu penso nas escolhas, só esqueço de lembrar que muitas das minhas escolhas são consequencias das escolhas alheias.

é que, às vezes eu penso nas escolhas. só esqueço de lembrar que, na verdade-na verdade, a gente nunca sabe se o que escolhemos vai nos levar àquilo que pensávamos ou se vamos acabar encontrando alguma coisa mais legal no caminho.
é que às vezes eu penso nas escolhas. só esqueço de lembrar que elas também estão relegadas às minhas sobras de opções (se eu nao demorar muito pra escolher, fato).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

picnic


lembrei da primeira vez que caminhei com vocês, era setembro e eu tinha 17. e nada na cabeça além de uns dilemas adolescentes muito bobinhos, mas com certeza emocionantes. lembro da gente naquela grama, com um pretexto de estudar, rodeada de comidinhas e chá gelado. ei, dois anos se passaram e parece que tudo foi ontem: a sensação de alívio, as tardes de truco, a beleza de ver o horizonte e achar que a estrada era infinita, sem nem imaginar que podia ter um abismo pela frente.

outro dia nos reunimos em torno de sorvetes e docinhos azedos, com pretexto de passar o tempo, mas com uns dilemas bem maiores que os dos 17. e então percebi que algumas de nós tinham ido além do horizonte e encontrado um abismo. não que eu nunca tivesse temido a altura, mas eu tive certeza que saberia usar um pára-quedas ou aprender a pilotar um avião. e manter tudo firme no mais intenso dos vendavais.

então caminhei de novo com voces, dois anos depois. e conclui que tenho sempre de deixar voces caminharem na frente porque, definitivamente, voces mes inspiram.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

LL

ei,
conclui que não gosto de voce
gosto é dos teus tons de cinza
xadrezes, xeque-mate,
sobriedade, veludo,
vermelho com gostinho de laranja, hmmmm

não gosto nem um poquinho de voce
prefiro tuas palavras pesadas
na tua voz sempre levinha
cheia de reservismos
onde eu sempre peço meu lugar

não gosto nada-nada de voce
mas adoro teu uso perfeito de pronomes
sem teamo ou amoela
do jeitinho que tem que ser
mas asolutamente não gosto de você:

eu te amo mesmo, fato.

(mesmo que voce seja um pseudoencruado do cabelo normalzinho que não me tirava do sério, mas definitivamente me tirava de sala de aula)

domingo, 9 de agosto de 2009

transito


menina, é uma pena
que não haja detran ou carteira de motorista
pra todos aqueles que te dirigem à loucura
'ei, voce viu o sinal verde?'
todos os caras são daltonicos.

menina, é sempre assim
quando o relógio bate as famosas 19 horas
o rádio se cala, a televisão nunca falou
e as fotos parecem me ofender todas
é um pecado se sentir lovesick so far from home

menina, é uma sina
que as leis de transito sejam universais
vai-e-vem é só no que o povo fala (e pensa)
e o engarrafamento só cresce
mas nunca há vagas, já reparou?

menina, só pode ser a vida
sem amor e nem cilada
eu já andei em muita BR, highway e autovia
a gente, pelo menos eu, vive em transito
acho que meu carro é grande demais pra vaga

e bom demais de estrada.

(supostamente um daqueles grandes e belos poemas de amor pra comover os corações de frigorífico, mas eu mesma já perdi a fé nos miúdos - vulgo coração - e hoje só tenho fé na carne e no açougueiro. 'mentira, menina!?' you got me, continuo sendo só uma poetinha lovesick de merda)

mochilando


é engraçado como a gente vive se amarrando a papéis velhos, roupas-para-sair ou roupas-para-ficar-em-casa, eletrodomésticos e uma tal de minha-cama-com-meu-cheirinho quando tudo que a gente precisa cabe dentro de uma mochila, no coração - que vez em nunca aperta de saudade, depois de uma festa mal-sucedida ou de uma noite sem programa, e na ponta da língua...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

geeeeeela


e a solidão, quente e seca como setembro, que assolava brasília doeu muito mais que o frio de 7º abaixo de zero da argentina, sem deixar nem o álcool permanecer pra que eu erguesse meu copo em brinde ao meu dom de estragar todo relacionamento no qual eu encostasse meus dedos, meus lábios ou minhas intenções.


garçom, uma limonada sem açúcar, por favor?

doces ou travessuras?

os dias iam passando, completos só na companhia delas, de algum outro amigo perdido. de algum doce. o vazio que ele deixou quando levou seus livros embora ela só conseguia preencher com uma panela cheia de brigadeiro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

mudanças

'estamos voando em volta do sol tão rápido
contemple sua mente implodindo
voce nao se acostuma as coisas simples
ser amado e amar de volta

voce consegue olhar a fila e sorrir?
consegue acordar uma pessoa melhor?
consegue nao sentir nenhum ódio
embora voce sinta dor e mais dor?
uh, o que me move?

eu queria saber aonde os céus azuis vão
tudo muda e há nuvens no céu
eu queria saber aonde vão os bons momentos
tudo muda mas nunca vai me fazer parar de sorrir

agora é a alta temporada para ajeitar as coisas
o verão nao esta muito longe
melhor fazer as coisas agora, não vamos desafiar a sorte
é hora de celebrar nosso amor

me diz onde as pessoas vão
quando se sentem carentes e longe de casa
e nao podem caminhar mais um passo sequer?
uh, o que me motiva?' Moses Murphy, Changes

sentiu-se então lisonjeada pela parte que lhe tocava, pelas promessas de futuro, pelas delicadezas todas. nada que ela já não conhecesse: voce tem um genio dos infernos, mas tem um talento gigantesco e uma inteligencia que não se revela em nada nesses seus olhos perdidos, ingênuos. voce vai ser grande, pode escrever o que eu te digo.

ok, ela concordou. mas nada disso importava agora, quando tudo que ela precisava era de uma promessa de passado. nada de a frente. só precisando esvaziar as gavetas de lixarias, desfazer as malas. coisas que ela ja tinha feito, mas que não limpavam o disco rígido da sua memória firme, sólida. preciso me desfazer de toda essa vida, de toda essa cidade que ele me deu, de toda essa sensação de entorpecer. me desfazer sobretudo dessa parte minha que já não é mais - não gosto de tocar na morte.

ainda sem que a última lágrima caísse, ainda sem o último sorriso que lhe prometera, ainda sem a última promssa de mentira cumprida, ainda sem beijo de despedida, ainda sem nada disso. mas pelo menos com um futuro pela frente, sem carregar os apêndices em putrefação por aí. com uma ajudinha bem grande dos amigos. era só hora de ajeitar as coisas antes do verão chegar.

coragem

é preciso para acertar, é preciso
para falhar, mas mais ainda pra admitir um erro
é preciso para desconfiar, é preciso
mais ainda para confiar em pessoas
é preciso para ser covarde, eu acho
é preciso muita coragem pra se jogar da beira do abismo
sabendo que voce nunca teve aulas de pára-quedismo
é preciso para voar,
para se jogar de cabeça em alguma coisa
ai, é preciso muita coragem nessa vida
sobretudo, é preciso muita coragem para colocar os pés no chão.
(o mais dificil de todos, diga-se de passagem...)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

marques de sade, huh.

esbanjei entao meu ultimo suspiro de clareza, colocando dentro de um porta-jóias tudo que era sentimento, tudo que valia a pena: tempo, tempo, tempo. só esqueci que gastei com outra pessoa, com outra vida, em outro lugar - como perder dinheiro, eu acho.
desci as escadas, falando em todos os idiomas que aquele clima me permitia falar, doce era o aroma que imergia da minha pele desbotada, pálida. voce misturou as coisas de novo... com um documento no bolso que nao valia nada, dinheiro que em outro lugar nao valia nada, o cordão de pingente verde outra vez. then you come here as if you were a brazilian queen, well, in fact, i think you really are. o taxi marcava mais de 5 da manhã. you're different, it makes you quite special, people's gonna like you pretty much in th USA. quando entao o relogio marcava 10, conclui que não era amor e nem cilada, que era só a vida. a sórdida e libertina, mas ainda vida. a que ironicamente eu tinha pedido a Deus.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

blinded by rainbows


ela contou as luzes que pendiam dos postes até que elas se apagassem, sentiu a implacável solidão de ser ela mesma: com endereço, sem frio, a palavra 'amor' ecoando após a virgula. algo faltou, ela concluiu. fechou os olhos antes da hora, mas dessa vez antes que caisse no sono, deixou que caisse a primeira lágrima.

e sorriu de novo.

domingo, 2 de agosto de 2009

matemática


quando dividi a mim mesma, em metades desonestas, desiguais, conclui que o que me sobra não dá mesmo pra tirar em prova real. o-missões marcadas na pele, mas ainda mais, no coração e na memória me fazem crer que não há nem o que me some: eu realmente me parti quando parti, em duas partes, que nao podem habitar nem o mesmo quarto. e nem o mesmo co(r)po.

mas posso te confessar uma coisa, meu bem? ainda tenho espaço e sinais pra muita conta que nao foi acertada...

sábado, 1 de agosto de 2009

radio

so i'm never gonna dance again - the way i danced with you. (Careless whisper, george michael)

conforme a noite adentrava nela cresciam todos os anseios mais torpes, longe do balanço ritmado a que estava sujeita enquanto caminhava pelas cordas bambas dos violões, guitarras e baixos. partir nunca fora tao dificil: partir ao meio, partir em mil. hesitou por uma sinfonia de silencios ate que a proxima musica tocasse.

concluiu entao que ainda era dificil demais sair do coma desde aquele acidente.

please stay ... a musica diria. e entao ela concluiria que ele nunca esteve lá. e que ela esteve anestesiada esse tempo todo de cortes e transplantes.

bossa nova.


sem atravessar a porta
ele atravessou o seu peito como uma bala
one night stand in algum lugar, meu bem
bomba-relógio sem fuso horário
nitroglicerina no balanço dos teus traços
just one night stand, não sei teu nome (também)

essencial é a direção e o sentido
do nonsense da tua visceralidade
Just one night stand, um brinde a ti: amém!
menina, primeira
nos trilhos da cidade
just holding hands, what's your name? again