não quero ser pura ou bendita
não quero ser bela ou bonita
nem negar a realidade que se amontoa em forma de lixo
quero vida real, quero tudo legítimo
quero somente as belezas além da pele
além das formas, além da razão (áurea)
não quero ser bem bonitinha nem ordinária
não quero nenhuma beleza obrigada
quero a feiura sincera das pessoas de verdade
que vivem 365 dias por ano
sem rascunhos, sem photoshop
só arte final sem outros retoques
peles, carne, ossos, gordura, espinhas, cicatrizes, marcas, defeitos e qualidades
quero ser rio, quero ser margem
que o que é feio ocupa o mesmo espaço do belo
sem nenhuma bondade absoluta
pela pureza das putas
traços tortos, desencontrados, sem harmonia
quero tudo que é parte da vida
quero o direito de ser alegre tanto quanto o de ser triste
quero o direito ao feio... se é que isso existe
menos falácias
e mais jujubas.
domingo, 20 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
piscianas
piscianas,
de olhos grandes
bocas pequenas
e corações mais apertados ainda
que dão sem receber
pra que nada lhes toque
- é que elas não querem se desmanchar
só deixar marcas-
piscianas
se dissolvem em água
evaporam no calor
e congelam no frio
sublimando na primeira brisa
ah, piscianas
cheias de simpatias
se guiam por mapas (astrais)
navegam por cartas (de tarot)
vivem na noite, de cama em cama
que é pra ver se o sonho não acaba
que é pra ver se o sol não desmancha a ilusão
de mais um amor de meia-estação...
de olhos grandes
bocas pequenas
e corações mais apertados ainda
que dão sem receber
pra que nada lhes toque
- é que elas não querem se desmanchar
só deixar marcas-
piscianas
se dissolvem em água
evaporam no calor
e congelam no frio
sublimando na primeira brisa
ah, piscianas
cheias de simpatias
se guiam por mapas (astrais)
navegam por cartas (de tarot)
vivem na noite, de cama em cama
que é pra ver se o sonho não acaba
que é pra ver se o sol não desmancha a ilusão
de mais um amor de meia-estação...
quinta-feira, 3 de maio de 2012
canetinhas
nada de extraordinário aconteceu
as manhãs continuaram cinzentas
os meio-dias com sol rachando
as tardes com céu rosado e fresco
a noite com lua enchendo
e eu me derramando em silêncios
e me enchendo de silêncios
mais angustiantes que qualquer fala
- talvez por isso a indiferença seja tão certeira e fatal-
nada de extraordinário aconteceu
só a vida toda que eu deixei pra trás...
as manhãs continuaram cinzentas
os meio-dias com sol rachando
as tardes com céu rosado e fresco
a noite com lua enchendo
e eu me derramando em silêncios
e me enchendo de silêncios
mais angustiantes que qualquer fala
- talvez por isso a indiferença seja tão certeira e fatal-
nada de extraordinário aconteceu
só a vida toda que eu deixei pra trás...
quarta-feira, 2 de maio de 2012
encostei minha cabeça na janela aberta do carro em movimento, vendo a vida passar e sem saber se era eu quem ia em frente ou se era o mundo que ficava pra trás. fiz aquela velha dança com as mãos, sentindo o vento correr entre meus dedos longos e finos - "dedos de pianista", diria um antigo amor, "dedos que fazem sinfonias de risadas a partir de cócegas".
(...) conheci esse cara que queria transformar cotidiano em arte. pensei comigo mesma que essa tarefa já foi feita, que toda rotina é perfeita imitação que nunca se repete. conheci esse cara que disse que queria ser livre como eu, que vai cantarolando samba, que vai pintando a dor em aquarela que é pra ver se a dor dói menos, que queria ter mais coragem de ir e menos de voltar. ele disse que queria ter a minha coragem.
nunca gostei de desfazer malas, nunca gostei do retorno. a volta sempre me pareceu uma covardia, um abandono da estrada, da liberdade. sou amante dos ventos que acariciam meus cabelos, dos asfaltos que beijam meus pés, das paisagens que me deixam degluti-las, digeri-las todas. nunca gostei de ficar porque eu bem sei que todos os prazeres são efêmeros, e que todas as cicatrizes são eternas.
ele disse que queria ter a minha coragem e a minha certeza, sem saber que eu era a maior das covardes...
terça-feira, 1 de maio de 2012
ressaca moral
tomo coragem
tomo mais uma dose de whisky
tomo cuidado
só não tomo juízo:
e não existe engov pra ressaca moral
tomo decisão
só não tomo mais vinho...
terça-feira, 24 de abril de 2012
cheia de (não) me toques
quero um abraço
que desafie os físicos
que desafie os matemáticos
sendo dois e dois igual a um
com duas pessoas ocupando o mesmo espaço
quero um abraço
tão apertado quanto meu coração
tão demorado quanto um dia de trabalho
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