sexta-feira, 28 de novembro de 2008

'eu quero a minha mãe', ela disse em tom de um quase-choro.

'o que????' a amiga a olhou.

'é, eu quero minha mãe!' ela parecia cansada, com fundas olheiras e a cara inchada.

'voce tá mal. voce nao aguenta as manias da sua mãe!!!!!' a amiga tentava fazer a outra reagir.

a garota abaixou a cabeça, parecia procurar alguma coisa. 'acho que eu sou neurótica. quero minha mãe agora que não tenho, mas quando tiver...'

'neurotica? tá doida mesmo... que papo é esse de freud?' a amiga realmente estava desconfiada.

'é, agora eu vou ser psicanalista!!!' agora a garota estava surtando. mesmo.

fim de semestre? nem freud explica!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

amor?

'eu já disse que o amor é pra quem não sabe amar.'

Fazia tempos que ela não falava mais com seus velhos amigos ou seus velhos casos. Fazia tempos. Ela agora vivia de alguma coisa além da banalidade e era estranho sobreviver dessa forma: ela não via muito além de obrigações que ela gostava tanto de adiar e listar em um pequeno caderno com aspiral de arame torto - e sentia prazer em riscar uma a uma.

Ela agora começava a pensar sobre seu período de retiro, sobre seus 3 meses fora do mapa, fora do gancho... e ela via tempos obscuros, ela sabia que de alguma forma ela sumiria. e isso lhe assustava, ela sabia exatamente como era.

Pior que as obrigações acadêmicas eram as torturas familiares, e ela se lembrava de cada uma delas: tinha medo das luzes de natal piscantes, das comidas natalinas, dos fogos de artifício. ela estaria presa por 3 meses, não veria amigos ou seguiria qualquer outra rota que não lhe fosse prescrita. E eram tempos sombrios para alguém que não tinha idéia de onde queria ficar, mas sabia exatamente onde estava indo.

E era natal: ela pressentia que de alguma forma, ela se libertaria dessa vez.

Feliz natal: o dia que mudou minha vida.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

amizade


elas eram diferentes demais: uma era doce e delicada, outra era underground, outra era liberal, outra era fashion, outra era quase trilíngue e a outra era eu.
em cada uma delas havia um pouco da outra e mesmo com tantas diferenças uma escolha as tornava iguais naquela época: queriam ser psicólogas, independente do que isso significasse, ciência ou arte, não importava.
a primeira vez que estivemos juntas lembro muito bem... estávamos entre a ala centro e a ala sul antes da aula de psicologia geral experimental. algumas vinham da aula de infancia enquanto outras vinham da aula de percepção em busca de uma coisa: fofocas, oras.
(presente de grego)
episódio 1 (o álcool, o rock e o sexo) do livro das bifis!

sábado, 15 de novembro de 2008

o pianista.

ele tinha longos dedos e a palma de sua mão era macia, tinha mãos feitas para o piano.



de um modo estranho mas familiar, ele era o inverso dela em quase tudo - e não que ela não gostasse disso, pelo contrário, gostava - e muito! mas isso lhe era estranho porque o rapaz não usava roupas pretas ou ouvia bandas de hard rock, e mais estranho porque ela podia conversar com ele por horas a fio sem ouvir um silêncio constrangedor.



e por mais que ela se contivesse em muita coisa, por mais que ela tentasse ser mais delicada, doce e amável, tudo que ela conseguia era esbarrar em algum móvel e esbravejar uma dúzia de palavrões, que com certeza o assustavam - e muito...



'aaaaai, c*&#@*!!! meeerda, puu&*%$#@ que o pariu, c$#&%%!' ela soltava todo seu vocabulário de palavrões de uma vez só sem se dar conta da presença dele.



'calma...' ele se continha, devia achar ela muito escandalosa...



'hmf...' ela respirava fundo. se recompunha, ajeitando os fios de cabelo que desmarcavam a moldura de sua face.



'eu sei de voce.'



'oi?' ela se espantou enquantto ainda se arrumava.



'eu sei de voce. voce tenta parecer durona, falando alto e falando palavrões. mas voce nao passa de uma menininha gentil, meiga, doce e amável. não é?' ele diagnosticava. ela odiava isso.



'hm... não sei disso. eu sou escrota mesmo.' ela agora fazia uma cara que a fazia ficar muito engraçada: os olhinhos com a maquiagem borrada apertados dissimulando maldade e a boca já pequena franzida, fazendo sua boca parecer um asterisco.



'tá bom entao.' ele ria por dentro, ela era muito amável mesmo. 'mas voce semrpe vai ser uma jujubinha pra mim!'



(silencio nao contrangedor)



'ó, mas lembra que a jujuba é doce (mas não é mole não!)' ela agora disfarçava.



'é... deve tar estragada!'



conversas estranhas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

i love you cause your deuces are wild

eles se beijaram ali mesmo, no corredor deserto. ela já estivera ali, mas nunca imaginou que voltaria - ainda mais acompanhada. ele nunca tinha ido, mas já tinha muitos planos pro lugar - ainda mais se ela estivesse lá.

'vamos sair daqui?' ele convidava ao ver pessoas se aproximando.

'ok' e ela sorriu para ele.

andaram no escuro quase que instintivamente, seguindo batuques que surgiam da escuridão.

'de onde será que vem esse barulho?' ele agora a levava mais longe ainda...

'não sei, vamos ver?' ela o convidava sempre.

e andaram mais, até chegarem a origem do batuque e concluirem que havia coisas muito mais interessantes para se conhecer naquela noite. mas só naquela noite e nenhuma mais.
saíram entao para um lugar com arvores de copas altas onde apenas dois postes faziam companhia aos dois ali, que eram um.

(beijo)

'porque voce é tão... selvagem?' ele a olhava fundo.

'eu?' ela sabia que ela não era nada disso, apenas uma nômade. 'voce que é!'

(beijo)

'então porque tanta voracidade?' ele olhava mais fundo.

'hm, nao sei, sou assim com tudo na vida, voce nao?' ela virava a pergunta contra o perguntador.

(beijo)

ele sentia que aligo dentro daquela garota o tocava muito, e incomodava. como cutucar uma cicatriz. mas a dor era saborosa.

(beijo)

ao passar as mãos pelos quadris da garota sentia algo vibrar, ele sabia que ela era selvagem demais com aquelas imensas unhas vermelhas e boca de mesmo tom. e ele sentia algo vibrar...

(ploc)

'hm,' e se desvencilhando rapidamente do beijo, a garota diz 'meu celular. (...) alô, pai? sim, já vou'

é, ela era selvagem até demais...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

girl power!


ela nunca fora daquelas garotas normais com cabelos milimetricamente penteados ou roupas da moda, na verdade era preguiçosa demais para se arrumar e esperta o suficiente para dizer que aquilo era estilo. não fazia questão de dificuldade ou de enrolação, não fazia questão de nada.


'sabe, gosto tanto do seu jeito desbocado de ser, voce fala o que pensa, fala palavrao, fala alto e tem um monte de amigos pra conversar besteira...!' a mais nova tinha uma inveja tola e ignorante.


'acho que não :) voce quer ser feliz ou arranjar um namorado?'


'?'


'seguinte: continue sendo menininha difícil, penteie seus cabelos, prenda-o ou faça com que nem um unico fio dele levante durante 24 horas - para isso nao se mova, não sente no chão, NUNCA deite no chão, não coma em qualquer birosca, não pise na rodoviária, não fale palavrão, não fale alto, não discuta assuntos polêmicos, não saiba todas as músicas das velhas virgens, não conheça matanza e em hipótese alguma goste de hard rock. ou seja, truco, que é igual a gritar palavrão falando absurdo sentado no chão ouvindo hard rock, NEM PENSAR. e assim voce terá um namorado'


'nossa... é serio?'a mais nova parecia estar compilando casos em sua cabeçapara corroborar com a teoria da mais velha. 'poxa...'


'e seja burrinha! ou pelo menos demonstre ser menos inteligente que o cara' ela agora fechava com chave de ouro.


'nisso voce tem razão!' a mais nova agora tinah certeza. 'mas como voce sabe?'


'é assim que os cientistas se asseguram das suas hipóteses: comprovando os contrários. tudo que eu não sou é o que os caras gostam :D' ela agora ria, era verdade.


'mas sabe de uma coisa...?' a mais nova agora realmente entendia 'ninguém nucna disse que os homens são inteligentes!'


oh, girls just wanna have fun.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

'pára de lembrar dele! voce falou dele o dia inteiro ontem! se não tá aguentando, pede arrego!' a amiga superegava, como sempre.


'não sei, bateu uma saudade... minha mãe tava jogando umas roupas velhas fora e encontrou uma blusa que ele me deu...' ela tentava se justificar sem sucesso...


'hm, mas é so uma blusa...' a amiga não sabia o contexto.


'não, é a blusa com que ele tava vestido a primeira vez que eu o vi...'


'ah, ams ainda assim é só uma blusa.' ela dava uma de freud... porque às vezes uma blusa era só uma blusa


'não,voce nao tá entendendo. eu só fui falar com ele pq ele tava com aquela blusa!' ela agora contextualizava.


'e ele te deu a blusa?'


ela acenou com a cabeça que sim.



e dessa vez ela sabia qeu uma blusa às vezes não era só uma blusa...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

saudade(s)

em plural, em negrito: sinto a sua falta.

das coisas mais banais: o chão dos prédios como colchão, o concreto como vista, a sinuca como passatempo, o vale transporte como passaporte, as heinekens e ices e vodkas da vida (o nosso café da manhã), os cafés da rodoviária, as músicas do seu violão com cordas de nylon, as músicas do meu afinadas por voce, a minha guitarra na sua mão e voce na minha cama.

saudade da fumaça do seu cigarro, dos seus isqueiros estragados, das suas birras sem remédio, dos seus sumiços e do seu tédio, das suas paixões e das suas dúvidas, das suas verdades em forma de insulto (talvez a verdade seja um insulto), dos desvios de atenção, dos seus transtornos de humor, das suas reclamações... da sua infantilidade... e

pensando bem, já nem sinto mais saudade.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

'não leve a mal...

...eu só quero que voce me queira.'


eles estavam ali sentados, lado a lado. sentavam-se daquele jeito todo dia no fundo da sala, às vezes disputavam aquele espaço. ela parecendo certinha demais e ele parecendo rebelde demais.
mas eram do mesmo signo.
'ow...' ela olhou pra ele, que parecia em transe com os fones de ouvido colocados displicentemente nas orelhas 'o que voce tá ouvindo? é...'
'janis joplin!' ele abaixou o volume e olhou para ela sorridente.
'ah, não acredito! eu amo janis joplin! voce tá ouvindo...'
'mercedes-benz!' ele completava ela aos poucos.
'que lindo!' ela agora sorria para ele, que agora era mais que o garoto junkie do fundo.
'voce quer?' e ele de repente inclinava um saco plástico para ela.
'?'
'é meu lanche... tinha um iogurte aqui, mas aí eu comi. mas aidna to com fome... e aí to comendo plástico... ficou com o gostinho de iogurte' ele parecia querer testar a garota certinha. queria saber se ela era uma das deles...
'plástico? que legal! nucna comi plástico, mas experimentar nao custa nada, né?' e pegou um pedacinho da alça. 'hm, aprece um chiclete sem açucar! mas nao dá pra engolir...' e cuspiu no chão.
'é... voce tem razão..! mas engana a fome, né...' ele agora estava certo de que ela era das dele... e ria.
'vou fazer meu exercicio aqui...' ela agora se voltva para seu caderno.
(...)
ele agora lhe estendia a mão com um papelzinho na mão, estranhamente ruborizado.
ela olhou para ele, que estava com um nariz de palhaço. 'pra mim?' e ele acenou com a cabeça um gesto de sim. 'que bonito!' e ela abriu o papelzinho amassado e um pouco sujo que continha alguns rabiscos em caneta esferográfica azul espalhados em linhas tortas.
'menininha linda, gosto muito de voce
mas o que eu gosto mesmo é de LSD'
ele agora tinha o rosto vermelho escondido por trás das mãos. 'ah, muito lindo! adoro essa música!' e a menina também pareceu um pouco mais vermelha.
(...)
e a partir daquele dia passaram a trocar músicas, mesmo que a menininha não fosse tão linda e que ele realmente gostasse muito de LSD.
sobre a demonstração mais romantica que uma garota já recebeu.

mentir é preciso

...pena que eu tenha desaprendido.


era uma coisa boba, uma pergunta banal. mas por algum motivo naquele instante a pergunta não lhe era muito conveniente... talvez por causa do seu mau humor, por causa do dia que estava tendo ou apenas por causa do assunto desagradável.


'deixa eu te fazer uma pergunta?' a mulher reapareceu de uma porta.


'faça!' ela se virava para ela, saindo de suas atribuições. talvez fosse uma pergunta sobre psicologia, ela pensou. e não estava errada.


'voce... voce já ficou com ele?' a mulher parecia realmente curiosa.


'?' ela se fazia de desententida, ou talvez aquela pergunta tenha lhe atordoado um pouco no momento, fazia tempos que ela não ouvia seu nome pronunciado daquela maneira. era estranho, eles ainda existiam na imaginação de alguéns. 'com quem?' talvez ela só quisesse ouvir o nome dele outra vez, saber que ele aidna existia em algum lugar.


'com ele... o ____________.' a mulhe r agora encostava na parede, conhecia ela demais memso que em tao pouco tempo.


'ahhh...' ela agora lembrava das visitas dele, lembrava que tinha vencido ele, lembrava que tinha lhe rasgado um rascunho de coração junto com uma proposta de namoro. 'já... porque?' ela queria parecer despreocupada, inatingivel. mas ela ainda era humana.


'não, é que a gente perguntou e ele negou. na verdade ele nunca confirmou, negar mesmo nunca negou...' ela agora parecia querer se redimir.


'hm.. fiquei com ele sim, mas não é uma coisa da qual me orgulho. na verdade não foi das melhores... e ainda me custou muito caro.' ela agora parecia entender onde aquilo tiha a levado pela primeira vez. ela devia ter negado... mas não se nega intimidade.


e ainad que ela soubesse que ele a amou, mesmo que ela soubesse que ele a queria mais que qualquer outra naquele momento, mesmo que ele soubesse que ela o salvaria (e talvez por isso), ele nunca segurou a sua mão.


mas não se nega intimidade.


e apesar de estar tão envolvida nas pesquisas básicas, começava a entender o só depois da psicanálise...




(e...)


e naquele dia a jujubinha falaciosa parecia mais uma flor. talvez fosse o ciúme, talvez fosse a curiosidade. talvez ele nucna contasse e talvez ela sempre soubesse.
além de uma flor, ela ainda é um doce. (mas faz um maaaaal...)

domingo, 9 de novembro de 2008

corredores.


era quinta-feira. ele odiava absolutamente as quintas-feiras. estava pela primeira vez em muitos intervalos naquela escola, em uma nova cidade onde tudo era seco e laranja.


ele não tinha nada para usar além daquela blusa da banda que lhe fora a preferida: linkin park. mas não importava de maneira alguma, estava em brasília. e de forma alguma começou a importar: não havia ninguém interessante naquela escola, nada que ele já não tivesse visto. e em azul royal. que deprimente.


por um instante não havia mais ninguém além dele naquele corredor, por um instante ele desejou que a vida passasse em fast run - e passou. ele avistou um longo período de depressão vindo em sua direção, e eles estavam indo para o mesmo lugar.


***


era quinta-feira. ela adorava absolutamente as quintas-feiras. estava pela primeria vez em muitos intervalos do lado de fora da construção velha que era a escola.


ela tinha de usar aquele uniforme que ela tanto desprezava: azul royal. mas não importava de maneira alguma, era quinta-feira. mas de alguma forma começou a importar: ela vira o garoto mais bonito que ela já tinha visto usando a blusa de sua banda preferida: linkin park. e ela estava em azul royal, que deprimente...


por um instante não havia mais ninguém além dele naquele corredor, por um instante e pela primeira - e talvez unica vez - o seu mundo girou em câmera lenta. ela avistou o amor vindo em sua direção, mas ele estava indo para outro lugar.


os dois lados da moeda do amor platônico.

sábado, 8 de novembro de 2008

go-ing-dooooooooooown (love in an elevator)



'eu tenho noites longas, sonhos não têm sentido porque ficar acordado é especial apenas pelo fato e eu estar acordada. as luzes são brilhantes como nunca, todas as músicas soam incrivelmente harmônicas e cada simples fato parece ter um significado especial. é como se eu pudesse voar, como se eu pudesse fazer qualquer coisa nesse momento... qualquer coisa! poderia correr da universidade até minha casa, dançar sozinha por longas e deliciosas horas, levantar qualquer obstáculo e quebrar distâncias.' ela relatava em extase.


'entao voce tá apaixonada?' ele queria saber sem perguntar, talvez não lhe tivesse nenhuma relevancia.


'não... eu falei que me sinto bem... mas...' algo lhe sugeria que ela precisava de psicoterapia. ou pelo menos de uma boa dose de lítio.


'qual o problema? eu queria ter esse entusiasmo!' ele agora invejava sem saber que a inveja mata.


'eu já passei por isso antes, como andar numa montanha russa das emoções. agora eu estou em cima, amanhã eu vou estar embaixo... e vai ser muito ruim. vão vir as náuseas, os frios na barriga, as noites insônes, as escuridões, o tédio, a desconsideração de si. minhas unhas vão quebrar e vão nascer espinhas, todas as minhas roupas parecerão estranhamente esfarrapadas e todos os meus amigos vão parecer estranhamente repulsivos.' ela agora não parecia tão entusiasmada.


'você é bipolar?'


'não sei, voce não é? acho que todo mundo é assim, não? as vezes a vida é boa, outras a vida é ruim... ou pelo menos assim ela lhe parece.' ela agora argumentava a favor da patologia.


'não sei, prefiro mais uma gangorra, que dá pra ficar no meio...!' ele agora não tinha mais tanta inveja da garota...


'eu ainda prefiro a montanha russa... eu acho.'


a vida assim, como um parque de diversões. seu estilo de vida é apenas um brinquedo que voce escolheu. mas saiba que voce pode sair do brinquedo a hora que quiser.

chega!


chega uma hora em que eu não agüento mais e eu venho me refugiar nas palavras brancas em um fundo preto, exatamente como eu devo ser lida.
chega uma hora em que a amizade não é desculpa, a inveja não resulta e a frustação é só.
chega de textos mal formatados, irrelatos científicos, observações contrversas e invenções sem referência.
chega de incompetência, de descuido, de irresponsabilidade.
chega de tristeza e chega de saudade.
chega de música estranha e de lamentação.

chega mais perto e segura a minha mão...

sobre alguém que tem sentido muita saudade nos últimos meses. e vai continuar sentindo pelo visto.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

um limão, meio-limão;

'por acaso a idéia de amor não te perturba? eu não consigo verbalizar isso, mas isso não significa que eu não seja capaz de discriminar comportamentos de amor e muito menos de emiti-los.' ele

'e eu, que sabendo amor não sei amar? e muito menos disitinguir o que é me amar... e nem como amar a outrem.' ela

'mas estamos muito bem.'


'voce sabia que a primeira vez que falei com voce foi porque te achei muito bonita - além de interessante?' ele dizia com um olhar que ela já conhecia muito bem, com uma proximidade que a assustava e uma distãncia que a atraía.


'serio?' ela refletia um pouco sobre isso, era engraçado pra ela. ela sempre fora o cérebro da família. e cérebros não são nada além de peculiares no aspecto aparência.


'sério, porque voce acha que eu insistia tanto pra falar com voce toda hora? mas eu me surpreendi... voce era bonita e também inteligente! e sabia conversar sobre qualquer coisa!'


'é claro, eu não calo a boca...nunca!' ela agora admitia que tinha o dom de falar sobre qualquer coisa, transformar banalidades em casos de emergencia e emergencias em relatórios...


ele a olhou. ela estava calada, esperando alguma coisa, uma oportunidade de ouvir, ..., mas tudo que falava era o silêncio.


'ah, sabe, eu tava olhando ontem uns livros e umas coisas e aí eu ...' ela falava e falava...


'voce sempre muda de assunto assim né? voce odeia o silêncio porque seus pensamentos são altos demais... e eu vou ouvi-los. voce fala demais porque não quer que saibam nada de voce, não é?' ele realmente era um bom psicólogo, ou pelo menos seria um bom. e a olhou profundamente procurando suas entrelinhas e costuras.


ela pareceu sem jeito, ele talvez estivesse muito certo. e ela odiava isso. 'não, é que eu nunca calo a boca mesmo, só isso' ela agora lhe sorria um daqueles sorrisinhos forçados e infantis.


(mais silêncio)


'se voce nao estivesse tao distante... '(e ela estava a milhas da vida naquele momento)'... eu saberia muito bem como fazer voce parar de falar...' ele agora lhe sugeria idéias que a perseguiriam por longos períodos em outra vida. mas ela agora já era outra.


'serio? como?'


(mais e mais silêncio)


e o silêncio reinou por um longo tempo entre eles. pelo menos o de palavras faladas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

biscoitos

'isso às vezes me assusta. eu tento tanto me escrever em entrelinhas sem perceber que é só isso que as pessoas lêem em mim. talvez porque a capa do meu livro ou minhas meias-palavras sejam inteiras demais... e eu me perco nesse meu escrever de mim.' 3ª Pessoa do Singular, mais plural que nunca!


'do que a gente tava falando mesmo?'


'de como as pessoas que não são o que deviam ser sofrem. ou seja, do sofrimento universal.'


'acho digno...'


(...)


'é como dizia o livro 'não era nem o mais bonito e nem o mais inteligente', eu compreendo isso, algo além da mediocridade cotidiana, sabe?'


'voce tá filosófica hoje, não?'


'viver é que é uma eterna filosofia! acho que nem platão, nem sócrates, nem schoppenhauer explicam.'


'qual sua filosofia?'


'a minha? a minha é a dos biscoitos!'


'biscoitos?'


'sim! sabe, os homens são como biscoitos recheados...'


?


'sim, biscoitos recheados! eles são saborosos, alguns são caros, outros baratos, alguns prestam, outros não... uns são doces demais e enjoam rápido, outros não têm gosto de nada, tem uns que se a gente aperta demais vira pó... uns de qualidade, outros de nenhuma! ja viu os biscoitos? todos eles cabem na palma da sua mão, é só pagar o preço! mas de uma coisa, eu tenho certeza: iguais ou diferentes, todos eles fazem mal do meeeeeeeeeesmo jeito...!(...) e eu tô de dieta!!!'


sobre homens e biscoitos. (e uma garota que já se engasgou com um monte deles)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

válvula de escape

ele a olhou mais de perto, quase que vendo ela por dentro. contara a ela todas as novidades da viagem recente: ele se apaixonara. 'olha, sabe o que eu gosto em voce? voce é louca!'


'sabia que existem dois tipos de mulher? voce tem que ver em sex & the city!! carrie é a protagonista qeu tem um caso mal-resolvido com o mr.big, que odeia compromissos e nunca admitiu ela como namorada. mas aí depois de um tempo afastados ela descobre que ele vai casar com uma mulher bem normalzinha... bem ao contrario dela, que tem um mega cabelo loiro e cacheado e fuma... além de ser neurotica!'


'hm...'


'entao, aí ela fala de um filme chamado 'the way we were', onde tem uma historia parecida com a dela, em que a protagonista, katie, é trocada por uma mulher normalzinha.' ela continuou.


'hm?' ele indicava o sinal verde para ela prosseguir.


'e aí ela fala 'i'm a katie girl'! e isso é verdade!' ela agora estava entusiasmada. 'é o tipo de mulher que encanta todos os homens, mas exatamente por ser inatingível. e ás vezes ela nao quer ser inatingivel, ela só é uma pessoa complicada!'


'isso é bem a sua cara, mesmo, katie.'


e mexendo nos cabelos simetricamente arrumados dele, ela disse 'e voce tem uma garota adorável, hubble.' e foi embora.
mas que ela olhou pra trás ela olhou.
the way we weren't.