domingo, 31 de maio de 2009

let me go

ela olhou pra dentro e encontrou o que procurou por tanto tempo. tudo seria mais fácil se voce não me amasse. viu a si mesma de uma distância considerável, colocou seus braços em volta da sua última lembrança, pensou se a levaria ou não consigo. lembrou de pensar se havia espaço na mala e na nova vida pra isso. hesitou por longos minutos. e ainda não havia resposta.

e ainda não havia resposta.

glicose


de repente era tudo branco, as paredes, o chão, minhas lembranças.

'onde eu estou?' perguntei com a voz ainda vacilante, era tudo branco, mas o aroma de éter não dizia nada de paraíso. meu pulso doeu, notei a presença de uma agulha na minha mão.

'voce está bem, fernanda?' a mulher de branco perguntou. não parecia um anjo. eu não tinha morrido.

'acho que sim. acho.' e apaguei de novo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

evitável, mas agradável

e então, ao encontrar pela primeira vez seus olhos castanhos e translúcidos, ele tirou uma fotografia dos últimos suspiros de 'pessoa entediada que sabe de tudo' que ela daria. passariam-se alguns anos até que a imagem mudasse de cor e se tornasse vívida o suficiente para ele chamar de memória de um tempo quase surreal, onde todos os caminhos eram possíveis e desconhecidos, logo, de um tempo em que todos os caminhos eram bons.
(e de fato o eram. mas se parar, a gente sabe que o mundo acaba.)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

eis a questão

antes minha vida tinha o aroma da primeira brisa noturna, hoje tem gosto amanhecer nublado. lembro vagamente dos dias de verão, lembro vagamente do gosto de álcool na boca ao acordar, lembro vagamente de quem eu costumava ser ao seu lado. pelo menos lembro ainda. mas nem sei se sou capaz de amar ou se é voce que é muito amável. não gosto desse teu olhar novo de desconforto, de desencontro. não gosto e pronto.

mas ainda gosto muito de voce, embora voce acredite que meus pronomes são pra outra pessoa.


terça-feira, 26 de maio de 2009

começo


gosto de músicas, de cores. gosto de pessoas, que são músicas e cores, tudo junto. me apaixono a cada esquina, eu diria, antes que voce pudesse logicamente constatar que estamos em brasília. diriam que sou genial e geniosa, mas voce diria que eu sou só uma garota transtornada que não sabe de nada, destinada a viver na sombra das mulheres altas e intelectuais que conhecem como ninguém todas as palavras, mas que não conseguem conectá-las com um mínimo de sentimento. e ainda diria que eu sou uma bêbada que fala palavrão demais.

falo demais, de fato. mas há algo mais intenso, mais emocional que um palavrão? é o que sou, à flor da pele. mas o outono chegou e eu estou seca, amarga. sazonal.

onde houver palavras, acredito que haverá infinitas interpretações, infinitas possibilidades de mal-entendidos. e eu sou a senhora das palavras escritas, que são aquelas que ficam gravadas como marca de brasa. deixo aberta todas as minhas entrelinhas, minhas feridas, e você só quer seguir caminhos de silêncio, de solidão sem palavras. sem cicatrizes.

absolutamente não gosto do que sou hoje. gosto do que fui, mas não gostava à época. tão humano. e pelo passado, ironicamente, vislumbro o futuro: e é vazio. quem foi que disse que premonição era uma bênção? foi um tolo.

desaprendi a amar, eu diria. e voce não falaria nada.
hoje constatei que falo 4 idiomas: o português, o inglês, o espanhol e essa linguagem de sentimentos loucos e amorfos toda que é quase uma dança. mas não fluentemente, acho.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

shoot to thrill


... e desde então eu nunca mais fui a mesma. ou qualquer outra. arranca minha página, mas não me apaga.

domingo, 24 de maio de 2009

procurar

não significa achar.

'cansei de te procurar em outros corpos, outros olhos, outras bocas. esse, meu amigo, é o primeiro dia do resto de nossas vidas.' ela disse.

'e que resto... que resto!' ele respondeu, feliz.

sábado, 23 de maio de 2009

antidepressivos


chega mais perto que tem jujubas de todos os sabores, de todas as formas, de todas as cores. pequenas, frágeis, grandes, rígidas, engraçadas, bobas, em formato de coração, em formato de consolo. chega mais perto e escolha uma, e se não puder escolher, leve todas.

quando eu disser que podes encontrar em mim todos os sabores, podes procurar sem medo de não encontrar aquele doce que se procura depois de um gole de café puro.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

love ain't no stranger

o silêncio se fez gigantesco
em seus cabelos longos
em sua boca pequena
em seu coração menor ainda:
segura minha mão
que eu seguro teu destino.
ignore o amor, porque amo tudo aquilo que toco - nem que seja com o olhar.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

nada metereológico

ele fechou a janela depois de quase um mês de silêncio, depois de quase um mês de trovoadas sem nenhum sinal de chuva. estou morrendo de sede, ela disse. mas a janela permaneceu fechada.





e você vai saber do que estou falando. ou não. hnf.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

carta para alguém de quem tenho saudades 2

peça respostas, peça amor, peça as contas. mas não me peça certeza.

"fazia duas semanas que eu não pregava decentemente os olhos, que eu não o tirava do pensamento por sequer um dia. lembro da roupa que eu (não) vestia aquela noite em que eu não queria sair de casa, lembro da não-lembrança daquele mês. lembro de sorrir uma última vez e antes que eu pudesse tomar o último gole do meu veredito, você me tomou de assalto em seus braços. era então o maior engano de minha vida - e com gosto de saliva. o golpe de misericórdia, como eu sempre gostei de chamar. desde então eram contados nos dedos os dias em que não houve álcool fervendo em minhas veias ou em minhas idéias, os dias em que não cometi alguma extravagância ou comprei alguma briga, até que encontrei ele. e, no esforço final, abri bem a janela pra que ele pudesse entrar junto com a luz do sol. mas não era a manhã, era só uma estrela cadente. então desejei sobriedade, lucidez, entorpecimento. e tive. desejei nunca ter te conhecido. e pra minha surpresa, também tive. estava a milhas do que fomos algum dia.

"mensurando os dias de verão
apenas concluo que eles se tornaram cinzas
as horas me trazem dor
(...)
pensando em como tudo era
você ainda lembra daqueles tempos
e pensa em nós de novo?

eu lembro."

agora meus olhos fugiam sempre dos teus: olha nos meus olhos, voce diria se fosse de falar - mas nunca foi, fato. nunca será. eu, monossilabicamente, diria que não. você diria: o problema sou eu, e eu não falaria nada, mesmo sabendo que nunca mais olharia em teus olhos de novo enquanto neles ainda habitasse o meu reflexo. (...)

o que permanece não escrito não é necessariamente o que eu nunca quis que tu soubesses, apenas o que desejei que tu inferisses. em vão, eu acho.
Brasília, maio de 2009."

terça-feira, 19 de maio de 2009

mais cinzas

por todos aqueles que sequer queimaram.


a vida dela começava depois da meia-noite, quando entrava no último ônibus de volta pra casa. o silêncio cheio de barulhinhos particulares das ruas, os aromas da noite, o vento frio que há muito não soprava sobre a cidade ainda úmida. ainda. a partir do entorpecimento, resolveu então arriscar um pouco mais do que nada, cruzando o terreno onde a única construção era feita de grama mal-cortada: ela e apenas ela - não se sabe se feliz ou infelizmente.

permaneceu o entorpecimento, imbatível, sem saber o que queria, sem saber o que podia querer de fato. odeio absolutamente os dias cinzas e frios, ela dizia, sem perceber que odiava a si mesma. tão previsível.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

esquinas

Ouvi tua voz de longe, meu coração já tinha parado há muito tempo, na verdade. (silêncio) você então me recolheu - ou o que sobrou de mim, será? - nos braços fracamente, desmanchei de novo. sabendo que era não era ser, sabendo demais. minha maior dor. (suspiro) você falhará miseravelmente, os astros diriam. eu diria que eles não sabem de nada, que eu sou maníaca e que quando a lua enche eu posso tudo. Como uma bala perdida a lembrança me atingiu, irresistível, inevitável: teu último beijo, terno, diria que até paternal, porque não? teu último beijo recaindo sobre minha pele maltratada, queimando como uma brasa no meu cérebro fervendo de idéias, sob o sol mais brilhante que já se viu. e eu então conclui que não queria mais te ver. desejo vil, claro. desejo ignorante, mais óbvio ainda, já que te via sempre diante de meus olhos secos, vermelhos. não olhei pra trás desde aquele dia.

e então ouvi tua voz de longe. e vi o mais branco dos teus sorrisos.

domingo, 17 de maio de 2009

(des)prazer em conhecer.


constatou que já não tinha nem insonia. o quarto era um misto de roupas sujas amontoadas com papéis não-lidos por toda a parte, além do eterno cheiro de coisa a se fazer pairando no ar. emagrece, minha filha, emagrece. o violão tinha ido embora junto com a carona de bar, o mesmo bar em que sua última vida ficou no chão. quero ficar sóbria, ela dizia enquanto arregalava os olhos e apertava as mãos. dormiu então uma tarde toda para ver se apagava a sau existência. em vão, sempre.

before i met you i was F.I.N.E. (...) como disse o aerosmith há 20 e tantos anos atrás. let it go, let it go, let it go, let it go, let it go.
então antes de adormecer ela disse que sua porta podia estar aberta ou fechada, tudo dependia do referencial.


sábado, 16 de maio de 2009

da inseminação artificial.


meu amor agora é frágil, ao mesmo instante em que nem todo o álcool do mundo me entorpeceria da verdade única, trivial, mas absoluta: eu quero - mas não posso. lembrei da vez última que você me banhou com teu olhar ingênuo de mim, queria eu ter me afogado convulsivamente. senti teus braços modelando os pedacinhos de amor despedaçado em um abraço forte, derradeiro e decidido. e então você arrematou com um beijo, mesmo sabendo que nós precisávamos ir embora - para lugares diferentes, claro. e eu pude então, descansar em paz.

você me deu uma nova vida.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

quebra-cabeças

a minha, principalmente.no começo de inverno desenhado com as gotas de chuva
e colorido com todos os tons de cinza das tuas roupas combinadas
quando eu já nem posso me derramar em palavras
(ou quando as mágoas aprendem a nadar no meu copo de cerveja)
já não falo tanto palavrão - ou só não falo tanto
acho que é isso que fica de você em mim.
junto da saudade, claro. e de um gostar muito estranho. você acha isso justo?

terça-feira, 12 de maio de 2009

sweet emotion

ele pediu um tempo. ela deu uma vida toda. lembrou daqueles dias quentes, estranhos, cinzas. monótonos. o tempo escorria infinitamente em câmera lenta por suas mãos fracas demais até para prender a mão de outro alguém. encontrou um sentimento largado em um banco de praça, silencioso; mas (se) perdeu em palavras. "sinto falta da dor" ela sussurrou antes que seus lábios encontrassem as maçãs mais doces que ela já provara - as do rosto dele. "sinto falta de você" ela completou em alto e bom som.

***

"voce tem medo de altura?" ele perguntou enquanto observava a boca pequena ficar menor ainda no rosto infantil dela.

"gosto da beira do abismo, do horizonte infinito. então se eu gostar da dor, como posso ter medo da altura? gosto de doer porque só sei viver assim, no limite do excesso. (...) acho que gosto de você." ela forçou as palavras pelo espaço que ainda havia em sua boca apertada pelo medo.

***

"e eu sinto falta do que nunca seremos, mas que somos eternamente na tua imaginação. coisa que eu vejo nos teus olhos, que ouço nas tuas risadas compassivas, que sinto no teu toque de resignação. mas eu quero ficar." ele disse enquanto fazia menção de ir.

"então fica" ela o abraçou forte esperando guardar um pedacinho dele consigo. "mas eu, eu preciso ir".

segunda-feira, 11 de maio de 2009

chega


chega de chegar, de beber da minha angustia, de provar da minha sensibilidade, de pular corda com a linha dos meus limites. reitero que te quero - longe daqui, longe de mim, longe de longe. chega de me tirar palavras, chega de me deixar sem graça, chega de me tirar de sala, chega de me tirar a atenção. chega hora que nem eu mais chego pra mim.

coloquei então teu destino e tua vida inteira nas duas faces da moeda, sem saber que a moeda era boa, mas a jogadora, viciada.

é.

tantos homens na sua vida e só um que presta - ele disse.

e precisa de mais? - ela perguntou.

posso te dar minha vida, mas não posso te dar nenhum beijo - ele terminou.

antes um amor sem beijos do que beijos sem amor. falei. - ela sabia demais. too bad.

(se perco as palavras, creio que tenho um bom prognóstico.)

domingo, 10 de maio de 2009

nó na garganta (2)


pensei não só no nó na garganta, pensei em todos os nós. aqueles que já nem me amarravam ao passado, a você, a mim. aqueles que me prendiam ainda a algo que me mantinha respirando. pensei no nós, aquele pronome que pra mim, era mais indefinido que tudo que já passou pela ponta da minha língua, pela ponta da minha caneta.

sábado, 9 de maio de 2009

nó na garganta


a lucidez me atingiu feito bala perdida na calada da noite enquanto o álcool ainda percorria cada uma de minhas veias.

"manifesto em minhas linhas - de expressão ou de caderno, talvez aquelas imaginárias que formem o limite - a necessidade de colocar o pé no chão outra vez, de colocar o pé no freio pela primeira vez em tempo(s) de viver. manifesto em pobres palavras, aquelas menores e mais fracas, que ainda saem pelas lacunas que deixa o grande nó na garganta, que preciso engolir a verdade antes que eu morra engasgada. (...) não há, meu bem, maneira alguma de me prender à realidade quando tudo em você é tão onírico: teus cabelos, tua cara ingênua, tua felicidade instantânea e tão frágil quanto brinquedo de criança. liberto então, e porque não dizer, que ME liberto então, desvencilho-me daquela ligação invisível, imaginária que ainda me unia a você, que ainda me unia à não-humanidade. confesso que serei então uma pessoa melhor, mas somente porque você assim me ensinou."

sobre o amor, que é surreal demais pra uma pessoa que precisa tanto sentir o chão sob os pés quanto eu.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

(...)


agora faltam palavras embora me sobre sentimento. gosto de falar, mas gosto muito mais de sentir.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

surpresa


sinto muito (viver em minhas entranhas outra vez)
já não durmo (mal por uma noite, talvez três)
não te quero (como jamais quis alguém)
então me deixa (ficar do teu lado)

eis aqui o pior de mim em palavras: a vulnerabilidade.

terça-feira, 5 de maio de 2009

adiós, mi amigos.


dessa vida miserável e louca, amarga e pouca, nada quero de herança, nem presente nem lembrança. deixo a vida em espera e sem beijo de despedida, me derramo em palavras antes que me derrame em lágrimas - que são o último fragmento daquele meu brilho débil e torpe, primaveril.


da vez primeira era mar, inundando as insônias, entrando em estiagem ao vislumbrar o primeiro tentáculo de sol - ou sua mais barata imitação. da vez seguinte era o pôr-do-sol, anunciando o início de uma outra revolução, à beira do abismo, à beira do horizonte. da vez última era coragem em franca evolução, desmanchando o equilíbrio em queda livre, diante do seu ponto cego a salvação, ao alcance das mãos entorpecidas um mundo todo - e todas as pessoas do mundo.


naqueles pares de olhos e de mãos queimou-me a inocência, o desejo de ficar e não de ir incinerou minha juventude, cremou minha beleza. devorou-me com a angustia da última refeição antes da condenação, fiquei sendo o que sobrou de mim: só e só, no último dia de verão. e nos trilhos que seguiu a vida, desgovernada sempre, antes que a luz de fim de túnel me cegasse sem me dar chances de enxergar o Novo Mundo, esbarrei nos seus abraços firmes, no seu gosto de rotina, em suas mãos quentes que depois do nós tornaram-se gestos frios. nos cinco minutos finais que reservei para respirar, correr atrás das cores que faltavam em minha vida me tiraram o fôlego, ao perseguir uma ilusão de ótica - o arco-íris, sem pote de ouro no fim. e assim se foram mais mortes que vida, de fato, morrendo a cada esquina de boca, machuquei-me demais de tanto cair de amores.


e, ainda que eu seja só vazio, ainda assim deixo a vocês, meus amigos, as últimas curvas de meus lábios, a lembrança dos meus melhores dias. e vocês deixam em mim as primeiras linhas de expressão que jamais se apagarão. deixo a vida, miserável e louca, amarga e pouca. mas com gosto de quero mais a cada fim de dia.

despedida primeira


ao último retrato que habita meus devaneios diurnos, à ultima curva que faz na estrada dos meus lábios. me despeço do amor que eu verei passar cada dia e então pro resto dessa pequena existência presente. voce, sempre tão trágica, tão comica, tão dramática. faz parte do meu show, meu amor. se eu fecho a cortina é porque não quero mais público.
hope you blow away.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

um

nem viu o pôr-do-sol que seria o último, nem deu o beijo de despedida. hesitou, mas era definitivo mesmo que durasse um minuto ou dois.

(vida, louca vida miserável brincando nos dedos da menina que tem o dom de estragar tudo ao alcance de seu toque. essa vida é miserável demais para que seja vivida dia após dia, deixa que eu vivo o sempre em um único instante: aquele em que eu fechar os olhos eternamente.)

domingo, 3 de maio de 2009

mil palavras

cem imagens.

"(...) e aquela foi a primeira vez que te vi. seus olhos eram turvos como as águas de mar com ressaca: nervosas, sombrias, graves. e sempre gostei dos teus olhos, sinceros. contrastantes, mas sinceros sempre. disso eu lembro sempre, mesmo que minha memória já não me seja tão fiel. (...) mas não consigo lembrar a última vez que te vi, ainda que teu cheiro e teu jeito ainda brinquem nas minhas lembranças não-datadas, atemporais. do teu riso fácil, do teu gosto de cinza, de coisa triste. talvez por isso eu te lembre tão bem, me vejo em alguns movimentos teus, em algumas angustias tuas - e não te conheço. mas encontro beleza nessas cotidianices nossas, nessa minha desnecessidade de sordidez, de álcool, coisa de gente que gosta de gente mesmo. coisa que eu não fazia há tempos, falando nisso.

(...) hoje gosto mais do silêncio compartilhado que dos solitários. ou das conversas que não dizem nada. é, coisa de gente que gosta de gente mesmo. te escrevo logo antes que morram minhas palavras, antes que morra aquela partezinha de mim que ainda sente -sente muito, sente. te escrevo pra ver se te aprisiono no tempo, pra ver se eu não deixo tudo que é sentimento, tudo que é leveza, planar na primeira brisa que anunciar a tempestade. cansei de cansar das coisas, eu não sou uma pessoa boa - não que eu nunca tenha sido, eu acho. mas lembro dos teus olhos de mar com ressaca, olhos de primeiro de janeiro, revoltos, mas esperançosos, com sede de mudança. e isso me faz ser uma pessoa melhor, eu acho (...)

(...), porque eu, eu não consigo dizer do que vou gostar daqui a um ano ou daqui a um minuto, mas agora, bem agora, eu gosto de você.

sinceramente,
de uma pessoa que vive de agoras."

sobre-viver

(...)e depois que a luz se acende, é engraçado como eu não desejo mais brilhar. eu estou aqui, com os cabelos bagunçados, as mãos firmes, nenhuma lágrima. nenhuma. engraçado mesmo é como eu me tornei uma pessoa sem coração, mas é só porque eu dei pedaços dele pra todos que passaram por mim - como se valesse muita coisa.

e então jogou-se as palavras ao vento, quando concluiu-se que era solidão e só: ei, quando a noite não for longa o suficiente para que eu me sinta melhor, quando o whisky não for suficiente pra me entorpecer de mim, quando a vida não for mais o suficiente, o que eu faço então?

sobrevive, meu bem, sobrevive que as manhãs de segunda-feira são sempre maiores que uma vida toda. sobrevive que a vida é maior que todos nós pra ser tão bem-vivida.

sábado, 2 de maio de 2009

da primeira chuva


ela se encontrou nos olhos cor de tempestade dele, com aquela expressão de deixa chover. ela estava pronta pra chover.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

poema do confessionário


"que me perdoem as cordas abandonadas do violão,
me perdoem os amigos poetas relegados à estante empoeirada
me perdoem as luas - novas, velhas, cheias ou vazias como eu
que me perdoem a insônia que já não inunda minhas noites
e os sonhos que já não sei alimentar.

que me perdoem as obrigações que já não me enfraquecem
me perdoem os amigos que já não visito mais
que me perdoem os papéis em que já não me imprimo
que me perdoem a incredulidade na sorte e no destino
que eu me perdoe por não saber amar mais que um.

(não que eu soubesse)"