segunda-feira, 27 de junho de 2011

preparar, apontar. fogo.

dessa vez te enfrento e te confronto de mãos vazias
mas com a boca cheia de palavras, palavrões e beijos


bang bang
i shot you down

sexta-feira, 24 de junho de 2011

o médico e o monstro

tenho medo das minhas palavras, medo de que elas eventualmente se voltem contra mim como boa parte do que criei. tenho pavor da poesia que antes saia em cascata pelos cantos dos meus lábios, tenho pavor dos olhos que mergulham nos espelhos em busca do mundo tangível. tudo questão de referencial.

não posso confiar em mim mesma, já não sou quem eu fui há 1 segundo atrás. e isso é ótimo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

do outro lado da tela

pinta aqui, pinta em mim
mosaico de carne, ossos e amor
me toca e me escreve
me deixa te marcar com água


pinta aqui, pinta em mim
me fiz rascunho, me fiz rabisco
me modela, aquarela
do lado de lá da tua tela.

sábado, 30 de abril de 2011

sobre cientistas e jujubas

ele devia saber melhor que ninguém que a menina que leu foucault aos 17 anos e discursava sobre relativismo cultural enquanto estudava psicologia era, no mínimo, bem difícil de situar no plano cartesiano...

sábado, 23 de abril de 2011

fantasias

por tempos evitei a culpa de ser eu mesma, evitando sorrisos e passeios noturnos, evitando opiniões e vontades que você não aprova. de fato, eu evitei teu desapontamento com mentiras e tatuagens escondidas, com garrafas de whisky e poemas que você nunca leu. evitei tua decepção ficando fora de 7 às 7, escrevendo de madrugada e acordando sempre atrasada. não que você notasse. eu quis ser todas as coisas do mundo que você disse que eu poderia ser, mas só pra você. descobri que não era o bastante. sou cheia de desculpas, de justificativas, na fantasia onipresente de que um dia serei tudo o que alguém sempre quis. não era o bastante.






não porque eu não fosse boa atriz, mas porque os holofotes nunca estiveram em mim. não porque eu não fosse boa atriz, mas porque você de fato nunca esteve na platéia. hoje sou meia dúzia de coisas, mas sou todas elas legitimamente. sou todas pra mim. e se você gostar, pode ter algumas pra você, fique à vontade.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

traços

alimento meus versos de dor, de melancolia, daquele sentimento de quem está à deriva, de quem já viu cusco e buenos aires, de quem quer tudo bem passado mas que no fundo sabe que tem um futuro de presentes pela frente. alimento meus versos da carne humana, do suor e das lágrimas, do sangue e da frieza de estar a milhas e milhas de mim mesma e de onde eu vivo. alimento meus versos do que sobra de mim quando um você se vai. o pronome, sem nome próprio mas ironicamente com um mesmo rosto branco composto de grandes olhos castanhos, sobrancelhas grossas e escuras, nariz grande e lábios que abrigam um sorriso franco do qual eu sempre desconfio. me alimento de meus versos, numa ânsia de recuperar tudo o que sou, entre rostos homens que amei e desejos que eu nunca pude ter. me alimento de mim, sempre sem você.

domingo, 17 de abril de 2011

i need your lovin'

eu lembro de quando trocava a cor dos cabelos de acordo os humores, as 4 estações do ano não eram suficiente pra fazer uma vida em preto e branco florescer. entre um rascunho e outro, em meu universo particular, às vezes eu te encontrava em sonhos. E você, na realidade, não era muito diferente daquilo. "eu nunca vou esquecer os seus cabelos vermelhos", você disse. Provavelmente nem o laranja, nem o azul, nem o roxo, nem o rosa e nem todas as outras cores com que pintei nossas vidas monocromáticas. tudo girava em torno das cores, as minhas e as tuas. hoje já não me sinto à vontade pra te escrever, minhas cores estão espalhadas por todos os cantos do mundo. nós viramos cinza(s). (bem) passado...