quinta-feira, 21 de abril de 2011

traços

alimento meus versos de dor, de melancolia, daquele sentimento de quem está à deriva, de quem já viu cusco e buenos aires, de quem quer tudo bem passado mas que no fundo sabe que tem um futuro de presentes pela frente. alimento meus versos da carne humana, do suor e das lágrimas, do sangue e da frieza de estar a milhas e milhas de mim mesma e de onde eu vivo. alimento meus versos do que sobra de mim quando um você se vai. o pronome, sem nome próprio mas ironicamente com um mesmo rosto branco composto de grandes olhos castanhos, sobrancelhas grossas e escuras, nariz grande e lábios que abrigam um sorriso franco do qual eu sempre desconfio. me alimento de meus versos, numa ânsia de recuperar tudo o que sou, entre rostos homens que amei e desejos que eu nunca pude ter. me alimento de mim, sempre sem você.

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