sábado, 10 de outubro de 2009

i believe


uma onda de amor invadiu a cidade. as flores rosas espalhadas pelo chão, pelos galhos, pelos vasos. os ipês amarelos e as chuvas torrenciais. os telefones calados aprendiam a falar e mesmo os dedos já falavam a essa altura: toda forma de expressão era pouca pra demonstrar desejo. as músicas perdiam seu sentido quando tocadas a todo volume - don't call me rock steady, call me cold heartbreaker breaking just for fun, yeah! - era tudo fantasia de carnaval. os cabelos rosa dele me lembraram que mesmo os durões às vezes têm de acreditar nessa coisa chamada amor.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

sangue


sempre gostei de flores, principalmente a da pele, aquela na qual tudo me permito sentir. gosto de comer bolo quente, de sentir o café quente marcar meus lábios, de me colocar em letras: prefiro o sabor de verdade do que o de conseqüência.

creio na melancolia como forma de arte, nas cores como forma de sublimação, nas notas musicais como forma de libertação, no culto ao ridículo como forma de amar, no cinza como cor, no sangue como libertação - a guerra mais tranquilizante que a paz que precede a tragédia, em uma dimensão congruente dos ocorridos impossíveis mais esperados e onde todo amor é permitido e recomendado.

e da vida é quase nada: toda futilidade é poesia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

textos velhos 1


'a insônia adormece às vezes', ela disse entre o gole de café e o de whisky. olhou dentro dos livros velhos para ver se encontrava um pouco de si nas páginas: nada. 'não sou uma pessoa interessante, só gosto de enxergar o mundo pelo meu caledoscópio cheio de palavras,' ela continuou. ele tragou enquanto seus olhos se perdiam 'as palavras são conseqüências do viver. não vou te chamar de meu bem antes que o sol se ponha, é tudo vão. mas eu vou fitar teus gestos e teu ser, e tudo vai ser memória. mais valioso que poesia. ou não?', e sorriu sarcasticamente com seus dentes amarelados.


'viver, sentir. falar se sobrar tempo', e ela que era palavras se converteu em silêncio.

domingo, 4 de outubro de 2009

le city

não te quero nas minhas mãos ou braços
eu te quero nas minhas ruas.

eu sou a cidade.

sábado, 3 de outubro de 2009

o grande circular


tem gente que respira fundo pra se acalmar
particularmente eu prefiro entrar num ônibus circular
ou contar até 1070. nada mais terapêutico.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

samantha jones' out of the game

a gente aprende algumas coisas na vida...


e me deixo ficar:



subentendida

se couber

e tiver cabimento

entre mãos

entre bocas

entre gestos

entre pratos

entre abraços

entre voce e eu

nas entrelinhas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

outro outubro


pra outubro eu peço
cordas novas de violão
cantos de cigarra,
flores nas árvores e no chão
borboletas no céu e no estômago
calor nas ruas e frio no umbigo
frases loucas e sem sentido

pra outubro ofereço
da minha boca, palavras e beijos
inícios e iniciativas
amor sem despedida
canções e cantos
estudos e escritos
como se fosse ano novo

tá suficiente pra fazer o mês 10?