e então ela percebe que os olhos dele são verdes, castanhos e mel, embriaguez constante da natureza etérea e etílica dela e do resto do mundo. São olhos de mel, mas ela já não se deixa sentir o doce. As fotografias que ela tira por trás de seus olhos castanhos vão se sobrepondo, sem nunca se permitir ficar, e ela já não lembra mais do rosto dele. Mas ficam as sensações de alguém que agora enxerga com as pontas dos dedos e as palmas das mãos, de alguém que se esconde por trás do tato na esperança de que não se deixe iludir por ilusões de ópticas, (a)pegando-se ao concreto.
A mão dele repousa sobre sua coxa, e ela protegida pelo espaço de um tecido, acreditando que assim ele não pode tocá-la. Mas ela sabe que ele pode - e vai. Com os olhos embriagados e torpes, ainda assim fixos nos dela, ele se aproxima, passo a passo mas sem sair do lugar, e ela há milhas de distância de si, um medo dos diabos de cair em contradição. Sempre com armas engatilhadas, disfarces constantes. Ela sabe que ele a intimida, que ela saiu da zona de conforto da deriva, e agora tem de pegar no timão. E os olhos continuam verdes e mel, a barba se espalha pela sua mão - cinismo puro, ela sabe que vai de encontro a tudo isso que se oferece de bandeja para ela.
Por vezes ele apenas a encara, e ela permanece enigmática. Ele prova as maçãs do rosto dela, cometendo o pecado fundamental, e ela sorri porque sente cócegas por dentro, sem dizer nada pra que ele não saiba que pra decifrá-la não é preciso que a devore.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
navegar é preciso
sei que você me procura em outros cabelos, outros corpos, outros olhos, outras peles, outras artes, outros discursos. sei que você está à deriva nos gostares, de onda em onda querendo ver passar todos os mares. e você sabe que em toda essa tormenta teu barco sempre esteve preso a terra não-tão-firme, porto inseguro, pelo nó(s) que ninguém nunca teve coragem de desatar...
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
faz tempo que não escrevo, que não te escrevo, que não me escrevo. faz muito tempo de tudo e, os pessimistas diriam, que o tempo não faz nada. os dias agora são de 8 as 18 e entre trabalho e estudos, todos se salvaram. às vezes me pego espiando velhas fotos, procurando marcas que não tinha, sorrisos que perdi, gente que encontrei - procurando evidências do que fui. e se fui! E inevitavelmente eu te encontro, não entre as gôndolas, mas em algum lugar no fundo do meu peito, escondidinho embaixo de várias memórias de coisas que já não sou, muita poeira. a garganta se inflama, a gente também. eu gosto de você, menino, é coisa que não posso mentir. é coisa que não quero mentir. mas bang bang, a gente se acertou outra vez.
e entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
e entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
domingo, 11 de setembro de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
feliz vida nova
tu bem sabe que eu já não sou mais a mesma de uns anos atrás, que agora me encontra não só nos rascunhos que deixei na tua gaveta mas também no meu próprio rosto, no meu próprio sorriso. tu que me conheceu entre retas e planos, sabe que agora eu vou além de alguns pontos. e que a gente eventualmente se cruza por aí, em um desses planos imaginários, coisas da perspectiva que faz até retas paralelas se cruzarem: tudo ilusão de ótica, e eu caio caio caio nessas coisas, na velocidade de uma pluma ou de uma bigorna, na velocidade do nosso amor que nunca foi mais que platônico. e a gente se desmancha no ar, leve, infinitos, ainda como um - mas espalhados por toda a atmosfera. tu bem sabe que eu já não sou mais a mesma. e eu bem sei que a gente nunca foi. ou ficou.
e eu bem sei que as retas são feitas de infinitos pontos e começos, começos, começos. até a próxima perspectiva e feliz vida nova, pra mim e pra voce, aonde quer que estejamos.
e eu bem sei que as retas são feitas de infinitos pontos e começos, começos, começos. até a próxima perspectiva e feliz vida nova, pra mim e pra voce, aonde quer que estejamos.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
beijos
mas se eu te levo e tu me levanta
se o copo cai mas não balança
se voce vem e eu vento
com quatro mãos e um talento
quando eu não caio e nem balanço
nao me deixo levar aos cantos
nem correnteza
nem voce
nem cerveja
se o copo cai mas não balança
se voce vem e eu vento
com quatro mãos e um talento
quando eu não caio e nem balanço
nao me deixo levar aos cantos
nem correnteza
nem voce
nem cerveja
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