terça-feira, 31 de março de 2009

uhhh


quando mesmo o horóscopo anuncia mudanças inevitáveis, quando a moeda só tem um lado, quando todas as faces do dado têm menos chance do que a viciada a solução dela é dar uma de cética.

o último suspiro de março foi silencioso como o primeiro. 31.

segunda-feira, 30 de março de 2009

notívaga

..., a tal da beleza que marcava a partida lhe encantava demais
lhe colocava nos olhos brilhos que pareciam diamantes
lhe colocava no peito uma coisinha chamada saudade
lhe colocava nos lábios o peso de todas as meias-palavras
(algo que os mortais chamariam de arrependimento)

ai, que sua vida antes era de 6 às 18, que seus dias antes eram café e almoço
que suas horas livres antes eram nas mesas de sinuca
e depois era tudo inocência, era tudo esperança
era tudo espera despercebida: às 9 ele vai atravessar a porta
às 12 ele vai me deixar, às 18 ele volta. ufa.

que antes sua vida era diurna demais, era futura demais
e depois dele era tudo muito agora
no meio das noites insônes e nas páginas dos livros a navegar
uma beleza muito estranha de se explicar
quando ela nem preocupava mais com maquiagens (ou quando ela desaprendeu a combinar as roupas...)

acho que ela se encontrava demais naqueles olhos perdidos
arrumando os cabelos no espelho da visão dele
o máximo de amor que ela jamais poderia dar
ah que antes dela ele já tinha uma outra 'ela'
mas que penteava os cabelos e não precisava se maquiar.

ah, que antes de se perder no mar ele já tinha conhecido o porto seguro
e ela era apenas uma ilha se afundando no oceano.
ah, que depois do paraíso qualquer lugar é muito estranho
que depois de andar ao lado de todo um destino
aonde quer que ela fosse seria apenas mais um lugar.

(depois de amar o que não era amável, qualquer amor era perda de tempo.)

lampadas


agora era escolher o que fica e o que vai, e ela começava a discutir consigo mesma se gostava mais dele como uma memória ou como um presente. um presente que podia lhe revelar grandes surpresas...


sabia pelo menos que as cores de cabelo iam. que as férias vinham. mas não sabia de nada que ficava de fato. 'não posso dizer do que vou gostar daqui a um minuto ou dois, mas agora eu gosto de você'


'eu nunca quis que as coisas fossem diferentes, mas a insônia realmente faz de mim uma pessoa muito mais cretina do que já sou, arrancando todos os meus figurinos, arrancando todas as minhas falas. e de fato, eu nao preciso de 'voce' - e quando digo voce não quer dizer a sua pessoa, digo a 2ª pessoa do singular - eu só preciso de umas boas horas de sono. não espere genialidade de mim todo tempo, ou então diálogos nonsense, ou entao uma sensibilidade maluca de quem brilha demais durante o dia até. eu sou só uma garota...'


mas ninguém nunca parecia entender porque a luz que ficava sempre acesa começava a falhar tão cedo...

domingo, 29 de março de 2009

destination: anywhere


ela vivia com pressa, adiando as obrigações, adiantando a diversão. fazendo milhões de coisas de uma só vez.

'ei minha querida, pra que a pressa em atravessar os trilhos se não há trem algum vindo?' ele perguntou com a mão invandindo o espaço que ela reservava pra si mesma. 'porque a pressa?'

'tenho pressa porque o destino é a morte. e eu quero chegar antes de o sol se pôr.'

sábado, 28 de março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

bares

'Em uma coqueteleira, colocar aproximadamente 4 cubos de gelo, 1 dose de Absolut Citron, 1/5 de dose de Martini Dry e 1/5 dePeach Tree, mais 1/5 de dose de suco de laranja, 1/5 de suco de limão e 1/5 de Grenadine. Bater bem e jogar na taça Martini sem gelo e sem decoração.'


mergulhou naquela tristeza, o fundo parecia não chegar nunca. naquela tarde de março ninguém mais diria que um dia ela nadou naquele copo que hoje estava na mão dele que não segurava o cigarro barato. os olhos vermelhos, os gestos em câmera lenta: bebe do meu copo que eu já bebi da tua boca. e ela se inundou de cerveja embora já transpirasse álcool.

embora não houvesse mais nada dele nos seus armários e nem nos seus discos, havia quase tudo dele em uma grande cicatriz: me disseram que o amor era pra sempre - pelo menos as marcas que ele deixa. no fim da tarde disseram que os homens eram todos iguais, ela concluiu que dos bilhões de homens do mundo elas que sempre insistiam em escolher os parecidos.

entre seus dedos passaram as velhas sensações de formigamento ao tocá-lo. ali, ele na beira do abismo e ela quem estava vulnerável. um toque poderia derrubar tudo que nos rodeia em questão de pouco tempo, mais rápido que uma bomba atômica. a reação em cadeia estava apenas no primeiro elo. e enquanto ele perdia a ligação com o mundo, ela se sentia livre outra vez, se colocando em todas as palavras que ninguém entenderia.

depois de algum tempo, do outro lado da cidade, do outro lado do tempo, os antes olhos castanhos agora pareciam lagos negros, mares mortos que insistiam em transbordar e salgar as maçãs do rosto dela. e não que ela desgostasse do sal, a melancolia lhe caía muito bem. mas ultimamente estava a derrubando.

quarta-feira, 25 de março de 2009

a noite não é mais

(a mesma...)

ela morreu dentro de uns braços assim sem carinho, fagocitada por uma obrigação
tragada por conveniência
como se fosse um ultimo gole de bebida quente, no fim da noite
'me dá um beijo de despedida que a noite vai ser longa'
parece que essa noite é mais longa que toda a sua vida

a cinza do cigarro que vai nevando em seu cabelo,
embora ela nem fume
compra mais um dia por um pouquinho dessa bebida
'meu bem, eu devo minha sanidade a um homem só' ela dizia
'o nome dele é johnnie walker, e tem 8 anos.'

a noite agora solitária, a insônia agora sonolenta
te digo baby, que ela está um pouco mais perto da morte
um pouco mais perto do sul, um pouco mais longe do norte
'voce nao me deve nada'
foi a ultima coisa que se ouviu
antes que ela transbordasse.