..., a tal da beleza que marcava a partida lhe encantava demaislhe colocava nos olhos brilhos que pareciam diamantes
lhe colocava no peito uma coisinha chamada saudade
lhe colocava nos lábios o peso de todas as meias-palavras
(algo que os mortais chamariam de arrependimento)
ai, que sua vida antes era de 6 às 18, que seus dias antes eram café e almoço
que suas horas livres antes eram nas mesas de sinuca
e depois era tudo inocência, era tudo esperança
era tudo espera despercebida: às 9 ele vai atravessar a porta
às 12 ele vai me deixar, às 18 ele volta. ufa.
que antes sua vida era diurna demais, era futura demais
e depois dele era tudo muito agora
no meio das noites insônes e nas páginas dos livros a navegar
uma beleza muito estranha de se explicar
quando ela nem preocupava mais com maquiagens (ou quando ela desaprendeu a combinar as roupas...)
acho que ela se encontrava demais naqueles olhos perdidos
arrumando os cabelos no espelho da visão dele
o máximo de amor que ela jamais poderia dar
ah que antes dela ele já tinha uma outra 'ela'
mas que penteava os cabelos e não precisava se maquiar.
ah, que antes de se perder no mar ele já tinha conhecido o porto seguro
e ela era apenas uma ilha se afundando no oceano.
ah, que depois do paraíso qualquer lugar é muito estranho
que depois de andar ao lado de todo um destino
aonde quer que ela fosse seria apenas mais um lugar.
(depois de amar o que não era amável, qualquer amor era perda de tempo.)
Jujuba, que pérola, flor.
ResponderExcluirImpecável texto.
"depois de amar o que não era amável, qualquer amor era perda de tempo."