domingo, 8 de novembro de 2009

sobre meninos e jujubas

"i've lied tonight just wishing you were by my side"



hoje não canto o medo
nem meu talento pra gerenciar melancolia
nas curvas mais perigosas em que minha língua já correu
mora meu sorriso favorito


tuas portas quando abrem pela manhã
tem cheiro de ontem com gostinho de futuro
os teus braços quando saem do balanço e reabrem
tem sabor de hortelã, ahh (refrescante)


trago papéis e canetas
minha angustia não cabe em mim
mas meu corpo cabe direitinho nos teus braços
e meu amor em teus beijos.

sábado, 7 de novembro de 2009

A.

na tênue linha entre o vício e a virtude é muito mais fácil tombar pro esquerdo.

a risada esteve rígida por pelo menos 15 minutos, as mãos amarradas mas não mais que a cara, os olhos que eu conhecia tão bem. além de qualquer compreensão, pensei que entendimento não traria conforto mais que simpatia, empatia, sei lá. um passo em falso e a gente cai da escada, eu pensei em dizer a ela pra que assim talvez ela se mantesse mais firme que antes, mas comecei a questionar se firmeza era tão positivo. maleabilidade era coisa de fernanda, era defeito e qualidade de fernanda. suspirei. resolvi não dizer nada. provavelmente eu falaria demais na intenção de que ela não entendesse, só pra vida ser mais vida mesmo... pensei nos lados também: não julgaria por bom ou ruim, mas como se todas as coisas fossem poliedros, cheias de lados - talvez infinitos. desafiei o silêncio outra vez com as mãos, colocando as palavras que nunca seriam faladas num papel.

apesar da distância, eu certamente me senti conectada a ela de alguma forma: ninguém sabe dos deleites e das dores de ser dessa forma.

tentei me desfazer mais em risos que qualquer outra coisa. falhei miseravelmente.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

sessão da tarde

quando os corredores estão parados e os sofás vazios. chove lá fora, molha aqui dentro - sem guarda-chuva ou sombrero, andale!

e ela abriu a porta. sorri.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

último trem do teu não-riso

antes que o sol viajasse pro outro lado do mundo e só lhes restasse o escuro ele colocou em suas mãos os livros dela e suas músicas prediletas, tirando das mãozinhas de menina as correntes amarradas ás responsabilidades de cultivar vidas alheias: vai que tu pode ir longe, guria. certamente ele sustentava a crença de que se ela usasse seu talento de pintar vidas consigo mesma ela estaria a salvo. os dedos pesariam mais se ele tirasse a própria vida, ela pensou antes de dizer mais alguma coisa ou apagar mais um número de telefone. as conversas correram soltas junto com o vento seco da noite, algo entre setembro e outubro mas ainda indefinido, a única certeza de que estavam ainda e então estagnados no trânsito de brasília. viajantes e nada mais.

ele se colocou em uma redoma dessa vez, afastando-se do toque dela, os olhos mortos e pesando também. mais que o silêncio até. bonito vestido, eu gosto. ela se surpreendeu: eu também. as palavras saíam difícil por entre os dentes e garganta vazia, como se ela perdesse o dom de destruir os pedacinhos de silêncio. ele achou que ela talvez tivesse perdido o dom da mentira que ele sempre achou bonito como um vestido lilás em uma garota não tão-bonita. os carros eram as coisas de sempre, as filas as de sempre, os produtos os de sempre, os assuntos também, mas eles eram mercadoria nova na lista de consumo do mundo inteiro: hmm, interessante... naquela noite os risos foram todos milimetricamente calculados e metódicos, ele lembrou que ela era cética, controladora e descontrolada... e deu a ela de presente as promessas mais falaciosas, do jeito que ela sempre gostou.

ela pontuou o período em que ele estava entrelinhado antes que precisasse usar óculos pela vista cansada de procurar o que nunca esteve escrito. ironicamente naquela noite de despedida eles caíram na gargalhada e pela segunda vez ele lhe mostrou os dentes: não agradaram a ela, mas eram novos.

os sinais se abriram e (se) tocaram. próxima parada: (insira sua esperança aqui).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

nem choro nem vela


"e então por não encontrar nenhuma maneira digna de viver, decidi procurar toda e qualquer maneira de morte", ela esboçou seu último sorriso entre os dentes separados.

ela se situou dentro do cômodo 2x2, em pé na cama enquanto ela ainda não era convidativa outra vez, olhando pela janelinha. a rua estava domingo, vazia. um pé na cama e o outro de volta à realidade, ela pensou.

ele a abraçou por trás. ei, não é engraçado como às vezes a gente tem que olhar pra fora pra ver a realidade? ela disse ainda olhando o lado de fora. porque? ele perguntou de volta. porque voce é bom demais pra ser verdade, ela respondeu ainda olhando pra fora. inevitavelmente domingo. eu sou real, ele disse.


e eles caíram na cama depois de cair na real.

domingo, 1 de novembro de 2009

dormir ou não dormir



correu entre os dedos os cabelos, a pele, mas principalmente as palavras. deixou-se correr entre as veias as lembranças de algum tempo distante em que o corujão era definitivamente inédito e divertido, e o café ainda era doce. não há mágica alguma no poder de escrever as dores mais banais nas linhas de expressão dos rostos cansados, mas definitivamente deve haver alguma na força das mãos que se desmancham em versos e prosas; alguém deixou escapar por entre os lábios. particularmente não acredito em mágica, mas definitivamente acredito no poder das obrigações de tirarem nosso sono.