quarta-feira, 30 de novembro de 2011

receita de poema

uma dúzia de tarefas
procrastinação
com e-mails controversos
passaportes não tirados
casos encobertos
lençóis virtuais,
ilusões de óptica
insônias voluntárias,
dores nas costas
palavras cruzadas
e meias palavras
pra dentro e pra fora,
no quarto e na sala
rascunho de triângulos
segundas intenções
fumaças e suspiros
inspirações
de buenos aires
chile e bolivia
café derramado
teus sorrisos amargos
minha eterna melancolia
os olhos dele, doce
cartas e borras
no fundo do copo
destino pintado nas estrelas
"eu só quero que você me queira"
noites em claro
quartos escuros
negativo, tu se revela
como fotografia
se pinta na minha tela(...)

e misturo tudo: sílabas, desejos e concretos, cinzas e desertos, catedral e pirâmides, exposições e conteúdos, museus e futuro. e a parte isso tenho em mim todo o sono do mundo!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

é que tudo que começa no nosso tempo perde espaço
pras folhas soltas que caem dos meus calendarios 
feitos de aero(planos), vistos clandestinos
e passagens pras estações: as
quatro, invertidas pelos
pólos positivos
e negativos.
coisas
do
magnetismo
e da natureza selvagem
que se calcula em equações de
2º grau e 2ªs intenções. nosso caso
de inverno sempre cai no teu outono. e eu
não entendo porque não ganho flores na primavera.

(tentativas) de seminários em versos

sujeito suposto não saber
com fantasias de foucault
romances psicanalíticos
pra quem nao entende de amor
- só de desejo  -
objetos distantes e inalcançáveis
nem no paladar nem no tato
nem no script nem no ato
a grande outra e o sujeito barrado


belo belo belo, tenho tudo
(que já nao quero)
sabio era manuel bandeira

desejo realizado nao é mais desejo
vira concreto
e dos corpos queimados
só restam cinzas
tudo vira pó

e eu preciso da leveza com que a água se levanta
e da ilusão de textura com que vira nuvem
e do peso falso com que cai e lava - ou leva? - tudo

a fumaça entrando nos pulmões
tu me inspira pouco a pouco que eu sei

fico circulando no teu sangue quente
presa em correntes
quase tao tangível quanto gelo sublimando 
de cordas bambas, passo a passo

se o real não fosse lacuna... me diz:
o que seria dos meus poemas sem teu espaço?

domingo, 27 de novembro de 2011

a rotina é permanente repetição que nunca se imita... amanhã será um novo dia, apesar de todas as mesmas velhas obrigações.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pirâmides

é só que estou testando os limites
-dos corpos e dos mundos que habito
retratos e olhos de vidro -

não é só dor que deixa marca
as linhas de expressão também
são cicatrizes nas almas

enigma, não te quero decifrar
miragem no deserto me engole
eu prefiro que tu me devore

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Imigrantes;

Sem jogar concreto nas terras selvagens
Resistindo à urbanização dos instintos
ignorando as fronteiras, viajantes sem destino
se tu me procura eu te encontro
os finais viram três pontos . . .

Palavras de corpo
Desenhadas na retina
Peles que se arrepiam
Em 3 ou mais idiomas
No despertar da minha insônia

e quando eu mais te toco
derrubando as barreiras de linguagens
Com todas as línguas
Eu te toco e tu me liga

e estamos
por
um
f
i
o
.
.
.
a noite é longa, baby
maior que todas as distâncias
e tu atravessa meu pensamento
antes de atravessar a alfândega
tudo imposto

que nada disso cabe no espaço
nos contornos do corpo
rascunho de sordidez
com traços de pós-modernidade
não é certo, mas é verdade

sou traficante das tuas fantasias ilegais
misturando tuas éticas em álcool
que é pra ver se a gente toma juízo
que é pra ver se a gente bebe da fonte
sem ir com sede demais ao pote

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

acertando as contas

o céu já não é o mesmo em brasília, contradição da tragédia cotidiana da rotina, que é repetição mas que nunca se deixa imitar. enquanto eu dirigia em uma entrequadra, percebi que não importa a estática das construções ou a velocidade de suas metamorfoses, eu ainda podia achar todas as mesmas graças que você jogava pra mim entre as nuvens, nas memórias daqueles dias em que a gente fazia compras, fazia ciência, fazia arte, fazia música, fazia parte. tempo em que eu era toda impressão das tuas paredes, te traçando fielmente nos contornos, deixando aparente os vazios de dentro. tempo aquele em que a gente dividia não só colchões, contas ou carne, mas tempo, histórias e risadas - numa matemática típica de quem faz psicologia demais, revelando os negativos. teu riso alto tirou prova real, além das probabilidades. é que os outlayers também fazem parte, se é que você me entende.