sujeito suposto não saber
com fantasias de foucault
romances psicanalíticos
pra quem nao entende de amor
- só de desejo -
objetos distantes e inalcançáveis
nem no paladar nem no tato
nem no script nem no ato
a grande outra e o sujeito barrado
belo belo belo, tenho tudo
(que já nao quero)
sabio era manuel bandeira
desejo realizado nao é mais desejo
vira concreto
e dos corpos queimados
só restam cinzas
tudo vira pó
e eu preciso da leveza com que a água se levanta
e da ilusão de textura com que vira nuvem
e do peso falso com que cai e lava - ou leva? - tudo
a fumaça entrando nos pulmões
tu me inspira pouco a pouco que eu sei
fico circulando no teu sangue quente
presa em correntes
quase tao tangível quanto gelo sublimando
de cordas bambas, passo a passo
se o real não fosse lacuna... me diz:
o que seria dos meus poemas sem teu espaço?
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