sábado, 3 de dezembro de 2011

ligação

é que eu ando meio desligada
contando as páginas que ainda não escrevi
e sonhando sem ter dormido sono algum
não leve a mal - só me leva

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

tudo acontece agora, entre os beijos que não te dei e o arrependimento que não veio, entre a meia-noite e as três da manhã. come mi manchi, caro sconosciuto! vou misturando as línguas, enlaces de salivas, beijos de real. intangível. ceci n'est pas un bisou, c'est le désir, impacable. e eu ainda tenho tanto o que aprender e desprender, mas agora o futuro não me parece mais abreviação, o futuro não me é mais numérico, agora o futuro é extenso. e eu sou feita e vou me fazendo dos passos que dei, mesmo os em falso, e da melancolia de se ter 18 anos... and singin' the blues. as horas são pequenas e a vida tão grande. e eu tremo, sabendo que o futuro que mais esperei é agora. e que eu estou há milhas de distância de quem um dia já fui. mas sem nunca esquecer de onde eu vim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

receita de poema

uma dúzia de tarefas
procrastinação
com e-mails controversos
passaportes não tirados
casos encobertos
lençóis virtuais,
ilusões de óptica
insônias voluntárias,
dores nas costas
palavras cruzadas
e meias palavras
pra dentro e pra fora,
no quarto e na sala
rascunho de triângulos
segundas intenções
fumaças e suspiros
inspirações
de buenos aires
chile e bolivia
café derramado
teus sorrisos amargos
minha eterna melancolia
os olhos dele, doce
cartas e borras
no fundo do copo
destino pintado nas estrelas
"eu só quero que você me queira"
noites em claro
quartos escuros
negativo, tu se revela
como fotografia
se pinta na minha tela(...)

e misturo tudo: sílabas, desejos e concretos, cinzas e desertos, catedral e pirâmides, exposições e conteúdos, museus e futuro. e a parte isso tenho em mim todo o sono do mundo!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

é que tudo que começa no nosso tempo perde espaço
pras folhas soltas que caem dos meus calendarios 
feitos de aero(planos), vistos clandestinos
e passagens pras estações: as
quatro, invertidas pelos
pólos positivos
e negativos.
coisas
do
magnetismo
e da natureza selvagem
que se calcula em equações de
2º grau e 2ªs intenções. nosso caso
de inverno sempre cai no teu outono. e eu
não entendo porque não ganho flores na primavera.

(tentativas) de seminários em versos

sujeito suposto não saber
com fantasias de foucault
romances psicanalíticos
pra quem nao entende de amor
- só de desejo  -
objetos distantes e inalcançáveis
nem no paladar nem no tato
nem no script nem no ato
a grande outra e o sujeito barrado


belo belo belo, tenho tudo
(que já nao quero)
sabio era manuel bandeira

desejo realizado nao é mais desejo
vira concreto
e dos corpos queimados
só restam cinzas
tudo vira pó

e eu preciso da leveza com que a água se levanta
e da ilusão de textura com que vira nuvem
e do peso falso com que cai e lava - ou leva? - tudo

a fumaça entrando nos pulmões
tu me inspira pouco a pouco que eu sei

fico circulando no teu sangue quente
presa em correntes
quase tao tangível quanto gelo sublimando 
de cordas bambas, passo a passo

se o real não fosse lacuna... me diz:
o que seria dos meus poemas sem teu espaço?

domingo, 27 de novembro de 2011

a rotina é permanente repetição que nunca se imita... amanhã será um novo dia, apesar de todas as mesmas velhas obrigações.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Pirâmides

é só que estou testando os limites
-dos corpos e dos mundos que habito
retratos e olhos de vidro -

não é só dor que deixa marca
as linhas de expressão também
são cicatrizes nas almas

enigma, não te quero decifrar
miragem no deserto me engole
eu prefiro que tu me devore