domingo, 14 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
um poema de não-amor
não há riso que se compare a um sorriso amargo e quente
nem felicidade que se compare à miséria e decadência
de chegar em nível mais baixo que a altura do meio fio
nem sofás e nem divãs trazem tanto conforto
nem diplomas ou freud dão mais exatidão que tua análise
em palavras fracas e de baixo calão
e todo esse tempo sendo mais trágico que os sofrimentos de werther
mais sórdido que uma noite na taverna
fizeram de nós maiores que os lusíadas.
nem felicidade que se compare à miséria e decadência
de chegar em nível mais baixo que a altura do meio fio
nem sofás e nem divãs trazem tanto conforto
nem diplomas ou freud dão mais exatidão que tua análise
em palavras fracas e de baixo calão
e todo esse tempo sendo mais trágico que os sofrimentos de werther
mais sórdido que uma noite na taverna
fizeram de nós maiores que os lusíadas.
quinta-feira, 11 de março de 2010
sobre eles e o resto do mundo
"às vezes o amor não é suficiente, john lennon que me perdoe, mas love isn't all you need. (...) o oceano separa teu último desejo da tua última frustração, então porque você não embarcaria no titanic?"
faz sentido?
faz sentido?
terça-feira, 9 de março de 2010
avenidas solitárias
quando 19 é 20 e nem em inglês a gente pode ser chamado de adolescente as musicas orquestradas parecem ser a trilha sonora da vida que começa hoje e depois de amanhã e depois e depois e depois, com a saudade da times squares em que ninguém nunca esteve...
e entre as recomendações de albuns fica o songs from lonely avenue, de the brian setzer orchestra. definitivamente estamos ficando velhos...
e entre as recomendações de albuns fica o songs from lonely avenue, de the brian setzer orchestra. definitivamente estamos ficando velhos...
sábado, 6 de março de 2010
2.0
"a potência aumenta e o consumo também. que importa? são os melhores anos de nossas vidas."

o muro de berlin caía em câmera lenta. ploft. a união soviética e fernando collor também. de tão lento que o tempo passava as poupanças congelavam na selva de pedra e o sonho da estabilidade era agora fato mais ilusório representado pelo real, coloridinho, lúdico, equivalente - coisa vinda de caras pintadas...
Enquanto isso o duplo sentido ia e vinha em toda canção da parada de sucessos: e haja tchan pra segurar. O chupa cabras e o et de varginha aterrisavam em pleno solo brasileiro, uma pena que não abduziram algumas peças interessantes de estudo da terrinha.
Ayrton Senna representava o brasil fielmente em seu carro de formula 1, correndo em círculos pra chegar em algum lugar diferente onde ele pudesse se embriagar de champagne - o segredo aqui é trocar champagne por cerveja e a ferrari por um fiat 147. E vai que é tua, Taffarel.
Na tv todo mundo topava tudo pro dinheiro, os desenhos ainda eram coloridos e as xuxa ainda marcava um x. Os bolachões agora eram disquinhos. Os computares ficavam populares e os tijolos agora conseguiam se comunicar quando alguém levantava sua antena em cima do ponto mais alto da casa. Solução pro cancer ou pra aids ninguém encontra.
Veio o fim do mundo e o ser humano resistiu à ecatombe virtual, junto com as baratas e keith richards. 1999 virou 2000 sem mais complicações ou expectativas, mas com muita gente sem teto e com um terreno no céu. O universo ficou maior, as distâncias diminuíra e lula foi eleito no mesmo ano em que o brasil virou penta: e ainda tem gente que desacredita milagres. A música agora cabia na palma da mão que junto com um telefone celular. A máquina de escrever empoierava cada vez mais em cima do armário. Tudo diminuiu, inclusive o ego norte-americano ao constatar que as duas torres viraram pó. A terra ainda treme, os corpos ainda queimam, os bens ainda são carregados com a rapidez de um recordista mundial de 100m rasos nos arrastões do rio de janeiro. Quanto à Guerra Fria eu não sei, mas a guerra aqui embaixo continua fervendo e uniforme continua a não distinguir réu e juiz. mas no carnaval todo mundo é inocente e quer mais é beijar na boca.
O fim está próximo, alguém anuncia ao meio-dia na rodoviária. Só se for o fim da linha, porque o dia mal começou. o amigo poetiza a iminência do fim de semana e do drama de ser fernanda, vivendo dia após dia como se fosse o primeiro, onde tudo é novo e os olhos ainda não se acostumaram com as luzes. ela disse do alto de seus recém completados 20 anos que existem bolos e velas à venda todos os dias do ano, que é sempre tempo de celebrar o amor que ninguém sabe o que é. Dessa vez ela acendeu as velas para não apagar, sabia que ninguém podia com o fogo. o 2 agora era definitivo pelo menos pelos próximos dez anos e dizem as línguas - não se sabe se má ou boas - que o discernimento e a certeza também. mas ainda assim ninguém sabe quem matou PC Farias...
parabéns pra gente, né?
sexta-feira, 5 de março de 2010
amazing
qualquer ressaca de álcool é curável, o tempo faz milagres nos bares da cidade sem esquina. há um ano atrás ele ouvia ela reclamar seus direitos familiares enquanto eu trocava a colônia de férias por uma colônia de cigarros e bebidas - água de cheiro de bar. hoje eu cruzei as linhas e fico do outro lado, sem álcool, sem cigarros, sem bares. mas com ela ao meu lado.
quarta-feira, 3 de março de 2010
artigo indefinido
Por indefinição, escolheu a poesia na mais genuína forma de se fazer nascer perante o mundo, quase uma debutante. A vida é urgente lá fora, os 8 viraram 80, as novidades acontecem na velocidade da rede de 100 mbps: o homem agora é imortal enquanto tem seus 5 minutos de fama em um confinamento qualquer, onde tudo é agora ou nunca mais, a morte é mistificada e o amor é obsoleto - assim, com palavras difíceis mas sinceras. A corrida continua, a felicidade também continua se escondendo entre as páginas de alguma revista que eu fiz questão de não comprar, hermeneuticamente eu desprezo essa alegria vã. E passe bem, meu bem.
Por indefinição, escolheu a vida, a única certeza que nucna se confirma. O futuro se abrevia, o passado fica imenso nos olhos conforme constata-se que há horizontes para todos os lados e que ir em frente ou correr em círculos vai resultar na mesma estática. A rua se desmancha na chuva, os carros perdem o controle, os governadores perdem o controle e a correria continua desembestada numa vida que mais se parece um boteco, onde tudo é consumido sem que se sinta sede. A pressa é estúpida, pensou enquanto lhe justificavam a velocidade com que se sobrevivia atualmente daquele lado do mundo como a maneira mais eficiente de viver, de adiar a morte ou de qualquer coisa do tipo. Contraditório.
Por indefinição a terra tremeu. Seu coração despedaçou com a tragédia assim como os blocos de concreto. Braços, pernas, esgoto, pessoas desconhecidas mas ainda assim pessoas. O lirismo era uma maldição na contemporaneidade e tudo soava adversativo (maaaas... ooooou...). Fez então 1 mês de silêncio pelos homens, que eram a personificação da morte última com sua falta de auto-controle. Enquanto os prédios desabavam, a chuva se precipitava e o clima se tornava imprevisível a clareza era de que só a Terra tinha algum poder legítimo: do pó viemos, e a terra nos há de comer no final das contas.
Por definição, escolheram o apartamento no condomínio de luxo, o carro zero km, os programas de fim de semana, o trabalho exaustivo e a família feliz depois infinitos bons momentos descartáveis. Por indefinição, escolhi a poesia como forma de me fazer viver. E vida só é vida se houver a certeza de morte...
Por indefinição, escolheu a vida, a única certeza que nucna se confirma. O futuro se abrevia, o passado fica imenso nos olhos conforme constata-se que há horizontes para todos os lados e que ir em frente ou correr em círculos vai resultar na mesma estática. A rua se desmancha na chuva, os carros perdem o controle, os governadores perdem o controle e a correria continua desembestada numa vida que mais se parece um boteco, onde tudo é consumido sem que se sinta sede. A pressa é estúpida, pensou enquanto lhe justificavam a velocidade com que se sobrevivia atualmente daquele lado do mundo como a maneira mais eficiente de viver, de adiar a morte ou de qualquer coisa do tipo. Contraditório.
Por indefinição a terra tremeu. Seu coração despedaçou com a tragédia assim como os blocos de concreto. Braços, pernas, esgoto, pessoas desconhecidas mas ainda assim pessoas. O lirismo era uma maldição na contemporaneidade e tudo soava adversativo (maaaas... ooooou...). Fez então 1 mês de silêncio pelos homens, que eram a personificação da morte última com sua falta de auto-controle. Enquanto os prédios desabavam, a chuva se precipitava e o clima se tornava imprevisível a clareza era de que só a Terra tinha algum poder legítimo: do pó viemos, e a terra nos há de comer no final das contas.
Por definição, escolheram o apartamento no condomínio de luxo, o carro zero km, os programas de fim de semana, o trabalho exaustivo e a família feliz depois infinitos bons momentos descartáveis. Por indefinição, escolhi a poesia como forma de me fazer viver. E vida só é vida se houver a certeza de morte...
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