naquela noite minhas unhas eram cinza chumbo e meus dedos pesavam mais de uma tonelada; um calafrio brincou de hide-n-seek no meu corpo, correndo dos braços para procurar abrigo na nuca, chegando por fim nos meus ouvidos que se levantavam em denúncia. the cold weather makes me sick: lovesick, homesick, buenos-aires-sick. eu já não sei se é o frio ou se o tremor da minha mandíbula tem algum outro significado subliminar. eu já não sei se são os 20 que me consomem ou se eu que consomo os anos, insaciável como sempre - eu trago tudo em mim: o verão, a região dos lagos, os churrascos, as pizzas, os rodízios, as viagens, as estradas, a família, os amigos, os livros, as palavras, o álcool, teu cheiro de cigarro barato, teu cabelo intocável, tua barba recém-nascida, uma vida toda pela frente, os doces, tua mão quentinha, tuas roupas cinzas, teus versos, minhas divagações e devaneios, a amargura do whisky sem gelo, uma prepotencia inerente aos 20 anos de idade, aquela vã, mas necessária.
eu não sou nada além de poesia, embriaguez e amargura - um whisky que ainda tem que curtir muito até poder ser consumido...
anti-epitáfio de um quase-amor
ResponderExcluirO fim é tanto. Quase esqueço
que bem mais é um recomeço.
Então, que o fim do que fomos
-esse avesso-
seja inteiro, não em tomos
e nos dê acesso
ao que não sou nem és,
mas somos.