"embora os movimentos sejam constantes algo sempre insite em parar na beira da estrada. sentimentos deixados pra trás adoram pedir caronas. as portas dos armários permanecem fechadas, as malas vazias e as camas arrumadas - mas tudo em movimento, nem que seja inerte.
(...)
eu gosto assim, natural, quente e amargo, forte e difícil de engolir. que se perde no ar quente e espalha seu aroma por todo o prédio. gosto de profundidade. obscuro, mas solúvel. eu gosto assim, quando no seu olhar encontro uma noite inteira, negra, que na verdade é no maximo castanha. e me surpreende porque no fim das contas cabe em qualquer forma. eu acho que o café assim não é pra qualquer um, é preciso lingua afiada e estômago para essas coisas (...) mas ainda assim eu gosto mesmo é quando seus restos me deixam ver meu destino no fundo do poço, no fundo do copo. e se no fim do gole nada me restar, eu sei que meu destino é o mundo inteiro. definitivamente o café assim não é pra qualquer paladar."
garçom traz um café...sem açucar.
ResponderExcluirporque de doce, já chega a vida.