nem quis mais a melancolia como se morresse afogada e anseasse pelo ar, entendeu que o ar que lhe enchesse os pulmões apenas enchia os pulmões. o que ela precisava era ser preenchida de amor o tempo inteiro, confessou sua natureza de quem não bebia há séculos. o álcool sempre a deixa cética, dizendo que o amor é vendido nas vinhetas da televisão e que ela não tem dinheiro pra gastar nisso. ela prefere um penteado novo.
e quando ela acorda, sem ter certeza se está sóbria ou bêbada, fica pensando que não é uma pessoa tão adorável quanto nas mesas de bares em que sempre é convidada a sentar. maldita seja a ressaca moral. e assim ela diria todas as palavras do mundo de uma única vez ao concluir que o príncipe encantado não a encontrou porque suas botas nunca ficavam pra trás. (mas ele sempre poderia procurar embaixo da sua cama)
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