como quase tudo na vida deles, foi uma daquelas conversas noturnas cheias de saudades e frases memoráveis.
'esquece freud, ...' ele disse, decepcionado.
ela riu como não fazia há algum tempo, escorregando na cadeira, se desmanchando em alegria. 'ah, o que sou eu sem voce?? morri de saudade, serio mesmo!' ela falou ainda entre as numerosas e escandalosas gargalhadas.
'e aí, o que andou fazendo?' ele perguntou.
'ah, eu dormi! acredita? é bom demais. de resto trabalhei, saí...' ela deu ênfase nas reticências.
'hm... sabe, eu acho que não é o momento ainda.' ele falou após um período de silêncio. 'talvez depois, mas o momento não era agora, ou melhor, antes.' ele pareceu sério demais, isso a assustou.
ela permaneceu imóvel, nenhum sorriso pendeu em sua face. 'o momento é nunca, meu bem.' e deu um daqueles sorrisos amargos que ele tanto odiava, um sorriso que agonizava. 'mas essa é a vida que eu escolhi e nós sabemos.'
'e nós sabemos.' ele repetiu como se fizesse um brinde ao estilo de vida dela.
mas nenhum dos dois ali sabia de nada, o melhor ainda estava por vir.
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