
'voce tá destruindo seu cabelo, sabia?' o pai falou enquanto passava a mão nos cabelos da filha.
'eu sei. mas quem se importa? todo mundo sempre disse que ele era feio mesmo...' ela arrumou a franja torta cortada por ela mesma.
o pai ficou quieto, lembrou das inumeras vezes que riu dos cabelos dela pela manhã, lembrou de como a mãe sonhava em alisar os cabelos da filha, lembrou do avô que dizia que não queria uma neta com cabelos tão negros. 'voce é uma garota esperta, minha filha, lembre-se disso. os cabelos vão e vem, mas a sua inteligencia eu espero que fique. não se destrua.'
'pai.' ela chamou antes de ele dar a partida no carro. 'me impeça, por favor.' ela pediu, sabia que seu pai atenderia toda e qualquer necessidade sua, até as mais idiotas.
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