ela falou bem baixinho mas com uma convicção avassaladora, como sempre fazia quando não tinha muita certeza do que estava falando:
'eu acredito que o amor passe pela vida de todas as pessoas como um bloco de carnaval. em algumas vidas ele passa acenando pra todos, em outra, é como caminhão de lixo. em algumas vidas ele passa despercebido, em outros, até parece que passa pulando pelado e brincando com todo mundo...' ela riu sacudindo a cabeça pros dois lados, rindo da imaginação. 'na minha, ele deve ter passado correndo, com medo de ser assaltado. acho que minha vida é uma dessas ruelas escuras e sórdidas onde ficam as prostitutas mais baratas...'

'não que isso seja ruim. ainda há a beleza cafetinada.'
315 norte.
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