
'eu costumava pensar que ele era uma pessoa ruim... os olhos, os gestos, as palavras - ou seria a falta delas? - sempre me levaram a pensar nisso.' ela disse calmamente.
'é, às vezes as pessoas se enganam.' alguém respondeu, ecoando...
'é, não é bom julgar as pessoas, nem sei porque insisto nisso! nem sei!' ela agora brigava consigo mesma.
'...'
(sim, ela estava falando demais de novo)
'eu estava redondamente enganada...!'
'porque redondamente?' o outro agora queria saber e ela tambem.
'hm, não sei, acho que porque o redondo fecha... nao sei, nunca pensei nisso,...'
e mudaram de assunto, mas ela nunca parou de pensar nisso: ela esteve muitas e muitas vezes redondamente enganada, mas ela sempre se sentiu como uma bolha de sabão: podia estar redondamente enganada, mas no momento em que a tocassem ela se desmancharia.
monólogos da bolha assassina.
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