tua mão encostou na minha numa rua de nova iorque antiga. estremeci. voce sussurrou em frances no pé do meu ouvido que não há acaso, só encontros. e assim, encontramos o white horse tavern. voce falava sem parar e sorria, eu sentia o teu cheiro de longe - a atmosfera que nossos olhares criavam me engolia. não existia mais passado ou futuro, eu nao sabia se era 1940 ou 2016, voce e eu éramos atemporais. "a pain stabbed my heart as it did everytime i boy i loved took the opposite direction in this too big world of ours". (...)
voce me levou pela mão como se fosse da cidade. a verdade é que a cidade era nossa, voce era meu e eu era tua, perdidos na nova iorque antiga. voce me abraçou, me levantou no ar. voce suportou o meu peso, minha insustentavel leveza, e giramos ao redor do teu corpo na 13rd com a 10th. pegamos um taxi, 9th, 8th. New York Times.
(...)
à meia luz voce se mostrou inteiro. tua mão na minha no bar, nossas linhas da vida se cruzaram e não passaram batidas. nem mortos nem feridos, nós dois sobrevivemos.
terça-feira, 17 de junho de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
gnossienne
toujours lui
lui partout
... as notas ficaram soando, dançando na minha cabeça, trilha sonora daquela noite que eu nunca fui capaz de esquecer, aquele que eu nao conseguia lembrar. de repente eu me vi obcecada pela sua memória que eu nunca registrei, obcecada pela necessidade de preencher os espaços que o dia seguinte que não vivemos deixou. eu te inventei, tinta, papel e água, com as cores do meu pensamento. daquela noite que passou mas que talvez nunca tenhamos vivido. muitas coisas ainda me lembram você, e trazem de lembrança os sorrisos que voce não pôde me dar. eu te inventei e te inventaria de novo quantas vezes fossem necessárias com a ponta do meu pincel, com a ponta do meu lápis.
nunca esqueci aquela noite que eu não conseguia lembrar,
nunca esqueci teus beijos que tu nunca me deu. não lembro mas não esqueço,
sequer sei se te conheço.
lui partout
... as notas ficaram soando, dançando na minha cabeça, trilha sonora daquela noite que eu nunca fui capaz de esquecer, aquele que eu nao conseguia lembrar. de repente eu me vi obcecada pela sua memória que eu nunca registrei, obcecada pela necessidade de preencher os espaços que o dia seguinte que não vivemos deixou. eu te inventei, tinta, papel e água, com as cores do meu pensamento. daquela noite que passou mas que talvez nunca tenhamos vivido. muitas coisas ainda me lembram você, e trazem de lembrança os sorrisos que voce não pôde me dar. eu te inventei e te inventaria de novo quantas vezes fossem necessárias com a ponta do meu pincel, com a ponta do meu lápis.
nunca esqueci aquela noite que eu não conseguia lembrar,
nunca esqueci teus beijos que tu nunca me deu. não lembro mas não esqueço,
sequer sei se te conheço.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
no fim das contas nosso amor não passou de origami de papel levado ao vento, sempre prestes a ser amassado. frágil e tão destrutível. como aquele livro que tu me deu um dia, em uma língua que nunca vou ler sobre algo que eu nunca vou saber fazer bem, você ama me torturar com a ideia de que eu não vou ser o bastante. mas hoje eu sei que eu sou demais. demais pra você.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
de repente me bateu uma tristeza por toda a vida que escorre pelas mãos das pessoas ao meu redor, aqueles que nunca experimentam a adrenalina do descontrole - que é coisa cotidiana, que é a vida, afinal. como eu fiquei triste. porque a vida é tao preciosa e tão pequena, tão frágil mas tão intensa. como as ondas que se formam no mar, que nos arrastam mesmo que a gente as parta ao meio com a nossa presença insistente, que não sai do lugar ainda que todo o mar se mova na direção oposta. a vida é isso se assim você a vê: algo a enfrentar e não algo que te leve. a vida é inevitável e vai na direção em que ela quiser. ou o destino, sei lá. e nós somos só pequenos grãos de areia revoltos no fundo do oceano... que ou sedimenta e vira pedra ou se deixa levar pela corrente. o mar sabe o que faz. e a vida também.
eu quero é nadar.
eu quero é nadar.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
o ano era 2009 e eu definitivamente tinha meu próprio Dean Moriarty, com quem eu começava a enlouquecer um pouco também, um dia de cada vez. M. A. simpatizou com meu jeito ingênuo, desbocado e sentimental demais de vi-ver o mundo ainda em 2008 quando eu tinha 18 anos e - oh my! oh my! - uma vida pela frente. Essa vida que me acreditavam promessa mas que para mim parecia o prenúncio de uma colisão entre ela e eu. Ao ouvir essa máxima de vida pela frente a imagem que invadia meus olhos e inudava meu corpo era de um trem vindo em minha direção, implacável, irrefreável e com vários vagões pra passar por cima de mim, entre mim, sobre mim. E um entorpecimento me abatia subitamente quando eu pensava nisso. E os anos que já tinham passado? Os anos que ficavam atrás de mim iam sendo enterrados e virando promessas, mas promessas de arqueologia. Fósseis que talvez um dia fossem resgatados.
Ah, eu sempre me perdendo em devaneios aparentemente desconexos. M. A. era um cara interessante, tão monótono que era interessante. Angustiado, tão agitadamente angustiado que frequentemente se via paralisado pelos seus dilemas, entre as tradições de conveniencia e seus desejos súbitos e espontâneos, sem planejamento. Ainda lembro a primeira vez que tive algum tipo de contato mais duradouro com ele. Eu ali, 17 anos, caloura na universidade, rabiscando as últimas folhas do meu caderno com pequenas caricaturas. Ele e alguns amigos, todos quase no final do curso, batendo papo no centro acadêmico de psicologia. M. A. tinha longos cabelos lisos, negros como as nossas visões de futuro seriam em alguns anos. Seus olhos eram puxados, bem japonês, todo caricato. Nessa época eu costumava iniciar interações sem contextos específicos, sem parágrafos, sem introduções. "Olha, seu amigo, ele é bem desenhável, tá vendo? Ele é uma caricatura..." e continuei rabiscando. Alguém sugeriu que eu desenhasse ele, oras. Rabisquei aqui e ali, uma dúzia de traços e finalizei o pequeno rascunho de M.A., pra quem eu timidamente entreguei o pedacinho de papel irregularmente rasgado apontando o que tinha feito. "Uaaaau, cara! Olha só que doido... sou eu, olha, olha!" e quando terminou a pequena exibição aos amigos guardou o pedaço de papel na carteira, prometendo grudar na parede de sua casa que eu sequer imaginava onde podia ser. Ele parecia ser tudo que eu queria ser: viva, espontânea e com uma grande pitada de i dont know and i dont care que os longos cabelos negros dele exalavam quando ele passava por mim, sem notar na minha presença inesperadamente discreta. Ele realmente não se importava com nada e nem podia se importar: estava tão ocupado com a monotonia de uma vida desregrada que não podia prestar atenção a nada. e eu de novo me equivocava: ele não era a vida que escorria dos atos espontaneos dele que me comoviam, mas toda a tensão que ele criava entre esse impulso de vida louco e maravilhoso que germinava no interior dele e o impulso de matar essa parte dele que queria viver demais, de calar essa parte dele que queria falar demais, de cegar essa parte dele que via demais, que fervia demais. e isso o tornava uma contradição ambulante das maiores que eu já tinha visto, e eu sentia a fragilidade do ser humano sempre que nos aproximávamos nos nossos íntimos contatos distantes... tanto a fragilidade da humanidade dele quanto da minha, e isso me fazia sentir mais humana, mais viva. mas também cada vez mais ávida pela morte, cada vez mais impulsiva e auto-destrutiva. O que é viver se não um exercício constante de morte? Quanto mais oxigênio o fogo respira, mais intenso ele queima e mais rápido consome tudo ao seu redor até que ele mesmo, vítima da própria tragédia, algoz de si mesmo, se extingue no vácuo que só ele poderia criar. Ahhhh, era uma cilada.
M.A. nasceu no mesmo ano que o irmão mais velho que eu nunca tive. E não foi o irmão mais velho que eu não tive e nem o que tive. Ele simplesmente não foi - e nem ficou. Nunca saberei dizer se me apaixonei por M.A., só posso afirmar que o amei, amei, amei com todos os motivos e sem razão nenhuma. Eu realmente tinha o meu próprio Dean, e lembro como se fosse hoje daqueles dias em que eu naufraguei. Eu estava à deriva mas eu sabia que navegar era preciso - pra onde quer que fosse. Quem poderia condenar meus rodeios quando eu só estava mesmo perdida, sem rumo, sem bússola que me apontasse o norte da vida? Até mesmo o mundo dá voltas - porque eu haveria de fazer diferente?
Ah, eu sempre me perdendo em devaneios aparentemente desconexos. M. A. era um cara interessante, tão monótono que era interessante. Angustiado, tão agitadamente angustiado que frequentemente se via paralisado pelos seus dilemas, entre as tradições de conveniencia e seus desejos súbitos e espontâneos, sem planejamento. Ainda lembro a primeira vez que tive algum tipo de contato mais duradouro com ele. Eu ali, 17 anos, caloura na universidade, rabiscando as últimas folhas do meu caderno com pequenas caricaturas. Ele e alguns amigos, todos quase no final do curso, batendo papo no centro acadêmico de psicologia. M. A. tinha longos cabelos lisos, negros como as nossas visões de futuro seriam em alguns anos. Seus olhos eram puxados, bem japonês, todo caricato. Nessa época eu costumava iniciar interações sem contextos específicos, sem parágrafos, sem introduções. "Olha, seu amigo, ele é bem desenhável, tá vendo? Ele é uma caricatura..." e continuei rabiscando. Alguém sugeriu que eu desenhasse ele, oras. Rabisquei aqui e ali, uma dúzia de traços e finalizei o pequeno rascunho de M.A., pra quem eu timidamente entreguei o pedacinho de papel irregularmente rasgado apontando o que tinha feito. "Uaaaau, cara! Olha só que doido... sou eu, olha, olha!" e quando terminou a pequena exibição aos amigos guardou o pedaço de papel na carteira, prometendo grudar na parede de sua casa que eu sequer imaginava onde podia ser. Ele parecia ser tudo que eu queria ser: viva, espontânea e com uma grande pitada de i dont know and i dont care que os longos cabelos negros dele exalavam quando ele passava por mim, sem notar na minha presença inesperadamente discreta. Ele realmente não se importava com nada e nem podia se importar: estava tão ocupado com a monotonia de uma vida desregrada que não podia prestar atenção a nada. e eu de novo me equivocava: ele não era a vida que escorria dos atos espontaneos dele que me comoviam, mas toda a tensão que ele criava entre esse impulso de vida louco e maravilhoso que germinava no interior dele e o impulso de matar essa parte dele que queria viver demais, de calar essa parte dele que queria falar demais, de cegar essa parte dele que via demais, que fervia demais. e isso o tornava uma contradição ambulante das maiores que eu já tinha visto, e eu sentia a fragilidade do ser humano sempre que nos aproximávamos nos nossos íntimos contatos distantes... tanto a fragilidade da humanidade dele quanto da minha, e isso me fazia sentir mais humana, mais viva. mas também cada vez mais ávida pela morte, cada vez mais impulsiva e auto-destrutiva. O que é viver se não um exercício constante de morte? Quanto mais oxigênio o fogo respira, mais intenso ele queima e mais rápido consome tudo ao seu redor até que ele mesmo, vítima da própria tragédia, algoz de si mesmo, se extingue no vácuo que só ele poderia criar. Ahhhh, era uma cilada.
M.A. nasceu no mesmo ano que o irmão mais velho que eu nunca tive. E não foi o irmão mais velho que eu não tive e nem o que tive. Ele simplesmente não foi - e nem ficou. Nunca saberei dizer se me apaixonei por M.A., só posso afirmar que o amei, amei, amei com todos os motivos e sem razão nenhuma. Eu realmente tinha o meu próprio Dean, e lembro como se fosse hoje daqueles dias em que eu naufraguei. Eu estava à deriva mas eu sabia que navegar era preciso - pra onde quer que fosse. Quem poderia condenar meus rodeios quando eu só estava mesmo perdida, sem rumo, sem bússola que me apontasse o norte da vida? Até mesmo o mundo dá voltas - porque eu haveria de fazer diferente?
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