segunda-feira, 23 de agosto de 2010

sintéticos

a gente faz musica
a gente faz café
a gente faz comida
a gente faz drama
a gente faz parte
a gente faz comédia
a gente faz tempo
a gente faz amor
todo o tempo
o tempo todo

domingo, 22 de agosto de 2010

filosoficamente falando

ela arrumava as malas, ele escrevia mais algumas linhas. as cataratas do iguaçu eram o cenário de mais um plano. ele comprava as passagens, ela entrava em órbita. ele tinha um gato preto, ela era cheia de sorte. ele fazia luz com os dedos, ela brincava com as faíscas. ela fazia música cheias de defeitos, ele criava defeitos cheios de música. ela o desenhava em pequenos detalhes, ele a fotografava enquanto ela criava um mundo. ela mudou de cabelo outra vez, ele adicionou um recorte no seu casaco jeans. ela tomou uma dose de whisky sem gelo como nao fazia há muito tempo, ele tomou uma garrafa de cidra.

ah, a pos-modernidade.

conclusões

às vezes o amor pode ser tão conveniente. ou nunca ser. ou ser demais. ainda é amor e todos nós somos pequenos, pequenos, pequenos. ela voltou a ser incrivelmente livre, ele não voltou. no fim das contas ela seguiu em frente, dançando às terças-feiras, comendo chocolate aos sábados, dormindo até tarde numa segunda, vivendo diariamente.

(...)

entre um café e outro, ele sabia que o sorriso dela nunca amarelaria. e por isso ele a desejou mais.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

tudo de mim, mais de voce

a lucidez me atingiu feito bala perdida na calada da noite enquanto o álcool ainda percorria cada uma de minhas veias.






"manifesto em minhas linhas - de expressão ou de caderno, talvez aquelas imaginárias que formem o limite - a necessidade de colocar o pé no chão outra vez, de colocar o pé no freio pela primeira vez em tempo(s) de viver. manifesto em pobres palavras, aquelas menores e mais fracas, que ainda saem pelas lacunas que deixa o grande nó na garganta, que preciso engolir a verdade antes que eu morra engasgada. (...) não há, meu bem, maneira alguma de me prender à realidade quando tudo em você é tão onírico: teus cabelos, tua cara ingênua, tua felicidade instantânea e tão frágil quanto brinquedo de criança. liberto então, e porque não dizer, que ME liberto então, desvencilho-me daquela ligação invisível, imaginária que ainda me unia a você, que ainda me unia à não-humanidade. confesso que serei então uma pessoa melhor, mas somente porque você assim me ensinou."





sobre o amor, que é surreal demais pra uma pessoa que precisa tanto sentir o chão sob os pés quanto eu.
é que eu tenho medo de jamais experimentar algo tão belo quanto eu experimentei com você.

senhoras e senhores: fernanda duarte.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

estrelas

o sol se punha suave, as cores se misturavam de forma imperceptível: suavidade era a lei do universo. eu sabia que aquele era um momento único, que mesmo se o sol se pusesse da mesma forma, com as luzes na mesma intensidade, eu já não seria mais a mesma.o universo nao deixa nada a ser vivido, é tudo agora, no momento exato e nada além. despedidas suaves, saudades saudáveis. eu fiz um pedido pra primeira estrela da noite, eu pedi pra morrer.

mesmo as estrelas se apagavam no fim das contas. e o universo inteiro continuava a existir.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

nós na garganta

o nós fica entalado na garganta, o peito já não dói de esperança, só de certeza. o amor que era doce teve fim amargo: devia estar podre - ou vai ver é só a minha língua. já não interessavam os motivos e nem se houve ou não amor, tudo o que interessava é que já não havia mais querer e nem querido, nem amor e nem amado. um ano e meio ficou pra trás, a amargura não. nem as dores, nem as alterações de apetite, nem a falta de desejos e nem a falta de interesse generalizada: não há viagra pra impotência emocional.

"às vezes acontecem coisas com as pessoas que amamos e queríamos que as coisas fossem diferentes. é por isso que eu falo todas essas coisas agora." ele disse, por medo de perder. uma parte de mim havia morrido na última guerra, a outra voltara aos pedaços. eu perdi, todos perderam. a paz agora era mera formalidade para que os pecados fossem perdoados. não havia culpas ou culpados, réus ou juízes, bom ou mau. não havia nada a ser feito. coisas irreversíveis.

Algumas coisas na vida tinham de ser engolidas e só. eu engolia pouco a pouco, pra que o fel fosse menos amargo: pura ingenuidade. eu engoli, só não contei com a ânsia de vômito pós-deglutição. se eu pudesse,  seria mais, faria mais, sentiria menos. mas já não me canso de dizer que não há nada a ser feito. os amores morrem e um pedaço da gente também.

e não há nada a se fazer. especialmente quando você sente que nem os abraços são mais abraçados da mesma forma. se é indesejado e ponto. as mãos estão atadas e nem os abraços são mais os mesmos. e eu perco mais tempo, sabendo que não há nada a fazer, que não há amor a retribuir, que volto ao sul e à condição de sempre: eu e eu mesma, sem nada a preservar.

quis ligar centenas de vezes. quis dizer centenas, milhares de vezes. me contive em todas menos uma. era tudo perda de tempo, era tudo em vão: o presente me trouxe um não amor, uma angustia e mais uma impotência. eu poderia insistir em amar. resolvi que eu não faria nada.

não há nada a ser feito.