terça-feira, 15 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
lacan explica
dois anos se passaram na L2, três ou mais, desde aquele dia em que você segurava minha mala em uma mão e na outra tinha minha cintura. um dia de finados, um domingo, um dia qualquer. (...)
ela repetiu pra si mesma 'aja naturalmente, aja naturalmente', como um mantra que conforme ecoava em seus pensamentos, parecia ter menos e menos sentido. 'seja você mesma' - e ela estranhou os próprios dizeres, se perguntando se ela sabia quem era. o coração ia na boca, e ela se sentia estúpida por isso, e entre uma inspiração e outra, pensou que isso era ser humano. não que isso a tenha acalmado, mas era melhor que explicação nenhuma. ela ajeitou as meias 3/4, na maior malandragem, pronta pra sair da sua bolha à prova de desejos.
***
dessa vez ela não se deixou à beira do abismo, não se recuou ao canto da gaiola como bicho ferido. só sorriu e tentou se permitir sair pouco a pouco daquela redoma invisível que a fazia intocável, entre uma palavra e outra, um gesto e outro, um sorriso e outro, uma mão e outra. 'o que você quer que eu faça?', e então ela sabia que já tinha colocado o corpo fora. e não que isso fosse ruim. os pensamentos iam se sucedendo, numa tentativa de tragá-la de volta pra redoma, a fortaleza de sorrisos e ironias que ela construiu por anos, e ela ia lutando unha a unha, sem desistir. 'o que você quer que eu faça?'
***
ela fechou os olhos, deixando os dedos enxergarem por ela. e falarem tudo aquilo que ela sabia que não podia ser dito em palavras. ainda assim dizendo, os desejos todos nas pontas dos dedos. ela sorriu timidamente, o cabelo cobrindo um pedaço do rosto. pequena.
***
ela nunca sabia o que fazer nessas horas. foi andando, olhando pra cima, sabendo que agora pisava em terra firme, mesmo que toda a névoa lhe fizesse sentir como se caminhasse em um outro plano. sentiu o cheiro doce lhe inundar as narinas, queimando seu corpo por dentro, desafiando as fronteiras entre toda a fragilidade de se estar fora da redoma e a segurança de se estar um nível imaginário acima. ela se riu, caindo sentada na cadeira do ônibus. as nuvens iam desenhando coisas que ela ja nao podia identificar no céu, ela respirou fundo, sentindo o aroma doce lhe incendiar por dentro. it feels like myself again.
ela, sujeita à tudo de novo, à flor do abismo e à beira da pele. ding ding ding.
ela repetiu pra si mesma 'aja naturalmente, aja naturalmente', como um mantra que conforme ecoava em seus pensamentos, parecia ter menos e menos sentido. 'seja você mesma' - e ela estranhou os próprios dizeres, se perguntando se ela sabia quem era. o coração ia na boca, e ela se sentia estúpida por isso, e entre uma inspiração e outra, pensou que isso era ser humano. não que isso a tenha acalmado, mas era melhor que explicação nenhuma. ela ajeitou as meias 3/4, na maior malandragem, pronta pra sair da sua bolha à prova de desejos.
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dessa vez ela não se deixou à beira do abismo, não se recuou ao canto da gaiola como bicho ferido. só sorriu e tentou se permitir sair pouco a pouco daquela redoma invisível que a fazia intocável, entre uma palavra e outra, um gesto e outro, um sorriso e outro, uma mão e outra. 'o que você quer que eu faça?', e então ela sabia que já tinha colocado o corpo fora. e não que isso fosse ruim. os pensamentos iam se sucedendo, numa tentativa de tragá-la de volta pra redoma, a fortaleza de sorrisos e ironias que ela construiu por anos, e ela ia lutando unha a unha, sem desistir. 'o que você quer que eu faça?'
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ela fechou os olhos, deixando os dedos enxergarem por ela. e falarem tudo aquilo que ela sabia que não podia ser dito em palavras. ainda assim dizendo, os desejos todos nas pontas dos dedos. ela sorriu timidamente, o cabelo cobrindo um pedaço do rosto. pequena.
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ela nunca sabia o que fazer nessas horas. foi andando, olhando pra cima, sabendo que agora pisava em terra firme, mesmo que toda a névoa lhe fizesse sentir como se caminhasse em um outro plano. sentiu o cheiro doce lhe inundar as narinas, queimando seu corpo por dentro, desafiando as fronteiras entre toda a fragilidade de se estar fora da redoma e a segurança de se estar um nível imaginário acima. ela se riu, caindo sentada na cadeira do ônibus. as nuvens iam desenhando coisas que ela ja nao podia identificar no céu, ela respirou fundo, sentindo o aroma doce lhe incendiar por dentro. it feels like myself again.
ela, sujeita à tudo de novo, à flor do abismo e à beira da pele. ding ding ding.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Esfinge
e então ela percebe que os olhos dele são verdes, castanhos e mel, embriaguez constante da natureza etérea e etílica dela e do resto do mundo. São olhos de mel, mas ela já não se deixa sentir o doce. As fotografias que ela tira por trás de seus olhos castanhos vão se sobrepondo, sem nunca se permitir ficar, e ela já não lembra mais do rosto dele. Mas ficam as sensações de alguém que agora enxerga com as pontas dos dedos e as palmas das mãos, de alguém que se esconde por trás do tato na esperança de que não se deixe iludir por ilusões de ópticas, (a)pegando-se ao concreto.
A mão dele repousa sobre sua coxa, e ela protegida pelo espaço de um tecido, acreditando que assim ele não pode tocá-la. Mas ela sabe que ele pode - e vai. Com os olhos embriagados e torpes, ainda assim fixos nos dela, ele se aproxima, passo a passo mas sem sair do lugar, e ela há milhas de distância de si, um medo dos diabos de cair em contradição. Sempre com armas engatilhadas, disfarces constantes. Ela sabe que ele a intimida, que ela saiu da zona de conforto da deriva, e agora tem de pegar no timão. E os olhos continuam verdes e mel, a barba se espalha pela sua mão - cinismo puro, ela sabe que vai de encontro a tudo isso que se oferece de bandeja para ela.
Por vezes ele apenas a encara, e ela permanece enigmática. Ele prova as maçãs do rosto dela, cometendo o pecado fundamental, e ela sorri porque sente cócegas por dentro, sem dizer nada pra que ele não saiba que pra decifrá-la não é preciso que a devore.
A mão dele repousa sobre sua coxa, e ela protegida pelo espaço de um tecido, acreditando que assim ele não pode tocá-la. Mas ela sabe que ele pode - e vai. Com os olhos embriagados e torpes, ainda assim fixos nos dela, ele se aproxima, passo a passo mas sem sair do lugar, e ela há milhas de distância de si, um medo dos diabos de cair em contradição. Sempre com armas engatilhadas, disfarces constantes. Ela sabe que ele a intimida, que ela saiu da zona de conforto da deriva, e agora tem de pegar no timão. E os olhos continuam verdes e mel, a barba se espalha pela sua mão - cinismo puro, ela sabe que vai de encontro a tudo isso que se oferece de bandeja para ela.
Por vezes ele apenas a encara, e ela permanece enigmática. Ele prova as maçãs do rosto dela, cometendo o pecado fundamental, e ela sorri porque sente cócegas por dentro, sem dizer nada pra que ele não saiba que pra decifrá-la não é preciso que a devore.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
navegar é preciso
sei que você me procura em outros cabelos, outros corpos, outros olhos, outras peles, outras artes, outros discursos. sei que você está à deriva nos gostares, de onda em onda querendo ver passar todos os mares. e você sabe que em toda essa tormenta teu barco sempre esteve preso a terra não-tão-firme, porto inseguro, pelo nó(s) que ninguém nunca teve coragem de desatar...
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
faz tempo que não escrevo, que não te escrevo, que não me escrevo. faz muito tempo de tudo e, os pessimistas diriam, que o tempo não faz nada. os dias agora são de 8 as 18 e entre trabalho e estudos, todos se salvaram. às vezes me pego espiando velhas fotos, procurando marcas que não tinha, sorrisos que perdi, gente que encontrei - procurando evidências do que fui. e se fui! E inevitavelmente eu te encontro, não entre as gôndolas, mas em algum lugar no fundo do meu peito, escondidinho embaixo de várias memórias de coisas que já não sou, muita poeira. a garganta se inflama, a gente também. eu gosto de você, menino, é coisa que não posso mentir. é coisa que não quero mentir. mas bang bang, a gente se acertou outra vez.
e entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
e entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
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