deixei a energia da vida fluir, como quem deixa a represa arrebentar. disse a ele dos erros que descobri, em vão. Ele não me ouviu em nada, disse que era cabeça-dura demais pra tudo isso. Disse que não se permitiu mais me amar, disse que era objetivo. Eu li só incoerência. Eu quis que ele e a objetividade dele se explodissem, que ele e os amigos dele se explodissem. Deixei um pedaço de mim perecer: aquele que se permitia dar a ele alguma chance de ser o que ele nunca teve espaço pra ser - alguém que se permite sentir e se apegar. Ele disse que me amou muito, eu sabia que isso também não fazia sentido algum. Hoje sei que perdi meu tempo de estar nos bares, meu tempo de viajar, minha oportunidade de ter me matado. (...)
passei 6 meses dopada. Ele não pensaria em nada, só diria a mesma coisa sempre, como disco riscado: eu sou cabeça-dura, eu sou individualista, eu te faço mal. Diria que seu amor muda sem aviso, como se fosse uma música do George Harrison. Diria que quer realizar sonhos, que quer aprender - mas ele é cabeça dura demais pra isso. deixei a energia da vida fluir: dessa vez eu embarquei num barco a motor, quem quiser, só entrar.
terça-feira, 20 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quase
ela voltou mais cedo pra casa pensando nas pílulas em cima da escrivaninha que deixara pra trás, alguém lhe perguntou se estava bem, ela obviamente desabou sem motivos aparentes. o carro azul destruído na traseira de um ônibus fez seu coração parar pela primeira vez na vida., o telefone estava mudo. não há tragédia insuperável e não há páginas em branco de futuro, talvez as tintas de algumas canetas acabem mais cedo. Às vezes a gente só precisa recarregar as baterias.
ela teve certeza que Deus a perdoaria pela coragem excessiva. E teve mais certeza ainda que ele lhe daria uma outra chance...
ela teve certeza que Deus a perdoaria pela coragem excessiva. E teve mais certeza ainda que ele lhe daria uma outra chance...
quarta-feira, 14 de julho de 2010
unção dos enfermos
"nadie se curó se no se puso enfermo
y es tan frecuente cuanto extraño
se no puede hacerte daño
no te harás feliz"
"quero estar em meus poemas, quero estar em minhas frases. quero me escrever em todo o canto, não aguento mais essa solidão, quero que me toquem. não posso viver de solidez, quero me desmanchar antes que me destruam. nego todos os meus desejos por um mínimo de controle, sou patética, sou mais ridícula que todos aqueles que critico, só sou consciente: a ignorância é minha maior bênção. quero dormir antes que eu me entorpeça, quero desaparecer antes das 6 da tarde. tenho uma certeza imbecil que me denuncia, tenho que permanecer parada nos 5 minutos que seguem meus impulsos. sinto uma agonia sofrível de um amor que brinca de esconde-esconde nos meus pensamentos: o amor-próprio, diga-se de passagem. Meus delírios estão em franca evolução, posso prever o futuro. e tenho medo.
estou doente, miseravelmente doente."
y es tan frecuente cuanto extraño
se no puede hacerte daño
no te harás feliz"
"quero estar em meus poemas, quero estar em minhas frases. quero me escrever em todo o canto, não aguento mais essa solidão, quero que me toquem. não posso viver de solidez, quero me desmanchar antes que me destruam. nego todos os meus desejos por um mínimo de controle, sou patética, sou mais ridícula que todos aqueles que critico, só sou consciente: a ignorância é minha maior bênção. quero dormir antes que eu me entorpeça, quero desaparecer antes das 6 da tarde. tenho uma certeza imbecil que me denuncia, tenho que permanecer parada nos 5 minutos que seguem meus impulsos. sinto uma agonia sofrível de um amor que brinca de esconde-esconde nos meus pensamentos: o amor-próprio, diga-se de passagem. Meus delírios estão em franca evolução, posso prever o futuro. e tenho medo.
estou doente, miseravelmente doente."
segunda-feira, 12 de julho de 2010
tudo ou nada
me acostumei a viver de incerteza, entre palavras, traços, desenhos, pinturas, esculpindo teu rosto em todo lugar por anos a fio. me encontrei entre a cruz e a espada, entre as cores que iam do vermelho ao preto e branco, das cores que faziam o cinza. sei como é ser uma mulher desinteressante como ninguém, sei como desistir antes de tentar como ninguém, sei como me contentar com meias palavras: por falta de rumo me deixo levar até mesmo por horóscopos. meu corpo agora é humano e só, sem o remédio e o veneno correndo no meu sangue. Sei bem como o tudo e o nada nunca serão suficientes pra satisfazer minhas vontades exigentes demais, aprendendo a viver um dia após o outro, coisa sofrível pra quem não carrega relógios no pulso. aprendendo a viver no frio, coisa sofrível pra qualquer pisciano que sabe que o gelo se derrete no primeiro raio de sol.
vejo uma mudança genuína nos teus olhos, que são só o meu reflexo. as roupas floridas denunciam minha nova obsessão por coisas vãs, mais uma que esconde o quão mórbida eu sou e eu continuo pintando os cabelos numa tentativa ridícula de entrar em combustão. hoje eu danço conforme a música e a companhia, já não alimento mais as bestas da raiva, penso um pouco mais antes de falar - ou não. ainda mudo de idéia conforme os ventos sopram - ou não. os porres de meio-fio, daytrips pra cidades próximas, rituais inteiros; deixo tudo pra ti, sem motivo algum e com todos os motivos do mundo, por saber que estamos ficando velhos e chatos como planejávamos ficar. o contrato foi cumprido, nossos olhos estão secos e cinco anos fazem de nós duas pessoas que eu gostaria de dizer que são melhores do que fomos ontem, mas que não posso dar certeza de nada. o futuro a Deus pertence, eu disse, e você me respondeu com o sorriso mais irônico que voce era ateu. Sabemos que estamos indo a lugar nenhum. Ninguém sabe quem são as pessoas... E as pessoas dificilmente saberao quem somos nós, os dois poetas mais miseráveis da nossa geração perdida.
Esperei pelo meu lirismo suave e doce, tive que lidar com a sordidez e desespero das minhas palavras. Eu nunca seria nada além disso, nem que eu quisesse muito - só se eu pretendesse viver em mentiras. "she's so... shiny hair, style column, Vera Wang. And I... I am the sex column right next to the ads for pennis implants". Ainda assim eu sabia que eu podia ser tudo o que eu já procurei naquelas páginas.
vejo uma mudança genuína nos teus olhos, que são só o meu reflexo. as roupas floridas denunciam minha nova obsessão por coisas vãs, mais uma que esconde o quão mórbida eu sou e eu continuo pintando os cabelos numa tentativa ridícula de entrar em combustão. hoje eu danço conforme a música e a companhia, já não alimento mais as bestas da raiva, penso um pouco mais antes de falar - ou não. ainda mudo de idéia conforme os ventos sopram - ou não. os porres de meio-fio, daytrips pra cidades próximas, rituais inteiros; deixo tudo pra ti, sem motivo algum e com todos os motivos do mundo, por saber que estamos ficando velhos e chatos como planejávamos ficar. o contrato foi cumprido, nossos olhos estão secos e cinco anos fazem de nós duas pessoas que eu gostaria de dizer que são melhores do que fomos ontem, mas que não posso dar certeza de nada. o futuro a Deus pertence, eu disse, e você me respondeu com o sorriso mais irônico que voce era ateu. Sabemos que estamos indo a lugar nenhum. Ninguém sabe quem são as pessoas... E as pessoas dificilmente saberao quem somos nós, os dois poetas mais miseráveis da nossa geração perdida.
Esperei pelo meu lirismo suave e doce, tive que lidar com a sordidez e desespero das minhas palavras. Eu nunca seria nada além disso, nem que eu quisesse muito - só se eu pretendesse viver em mentiras. "she's so... shiny hair, style column, Vera Wang. And I... I am the sex column right next to the ads for pennis implants". Ainda assim eu sabia que eu podia ser tudo o que eu já procurei naquelas páginas.
domingo, 11 de julho de 2010
adeus buenos aires
as fotos já se foram junto com os momentos
teus cabelos lisos e teu cigarro perderam o senso
o mais óbvio de nós dois
e o mais difícil de ser feito
que nunca seja dito
mas adeus, meu amigo
agora não te pinto nem em branco e preto
teus cabelos lisos e teu cigarro perderam o senso
o mais óbvio de nós dois
e o mais difícil de ser feito
que nunca seja dito
mas adeus, meu amigo
agora não te pinto nem em branco e preto
equinocio de inverno
há um ano deixamos a cidade pra trás, há um ano deixei meus afetos pra trás. Fiz meus cálculos, desconsiderei a companhia com aroma de cigarro dele, as caminhadas na brasília noturna e notívaga, obtive resultados promissores. Vivi o dia mais longo do ano à beira-lago, envolta em fumaça e música: dancei conforme a musica, do jeito que me ensinaram. E sabia que a música logo não faria sentido algum, sabia que o álcool era traiçoeiro, quis dizer uma dúzia de palavras e só pude usar meus braços pra dizer alguma coisa. A noite era uma criança e nós menores ainda, só pude rir de tudo o que o trânsito dos planetas nos tirava sem saber que na verdade ele trazia uma nova condição, um grande e gigantesco presente.
Os homens cultuavam Vênus, prostitutas e a razão. Em shorts e maquiagem, nos faltava pouco pra subjugar todos os homens do universo. Ela me sorriu, outro brinde foi feito: se não podemos deixar a cidade para buscar a estrada, que a estrada venha até nós.
Amém.
Os homens cultuavam Vênus, prostitutas e a razão. Em shorts e maquiagem, nos faltava pouco pra subjugar todos os homens do universo. Ela me sorriu, outro brinde foi feito: se não podemos deixar a cidade para buscar a estrada, que a estrada venha até nós.
Amém.
terça-feira, 6 de julho de 2010
cartas de despedidas - e despejos
Lembro do bar, da nossa primeira noite juntos pelo excesso do que fazer e a falta de vontade de fazer. Lembro que ainda era capaz de nadar mesmo com o peso que me puxava para o fundo, mas lembro que era porque eu deixava a correnteza me levar. Lembro de todos os trabalhos que nao serviam pra nada, do desperdício de tempo que a gente chamava de graduação e da desesperança que nos unia em algo que por ilusão apelidamos de amizade.
Lembro com tristeza profunda mas não com menos orgulho de tudo que já vivi. Me vem à cabeça o cheiro do cigarro dele, o toque de setembro, os cabelos longos e todo o resto de mim que tinha deixado pra trás quando resolvi deixá-los pra trás. Me vem à cabeça as risadas mais superficiais que já compartilhei, meus talentos não-usados, minhas fugas noturnas, minhas crises de ausência. As noites vazias, sem entender porque as companhias não eram mais sentidas.
Lembro das camas, dos motivos e das viagens. Lembro de um abraço recebido no meio do corredor da unversidade, ele tinha o cabelo manchado e a risada mais doce que eu já tinha visto. Estar com ele era sentir a brisa bagunçar os cabelos numa tarde livre qualquer. Lembro das tentativas de se morrer, lembro das ambulancias, lembro dos hospitais e dos carinhos recebidos numa roda de samba. Lembro do primeiro avião e da rodoviária, lembro da luz vermelha que já se apagou sem motivo algum: a gente sabe que tudo termina, mas que as vezes nao é justo.
Sei bem da sensação de estar sozinha, lembro dos 6 meses que vivi em coma: vazios, sonolentos, helplessness. Lembro da vez que você me fez chorar no estacionamento não pelo dito, mas pela minha ilusão de que você seria sensato. Lembro das férias de verão, do calor infernal, do prozac no café da manhã, da recepção que te fiz com os olhos vermelhos de saudade. Lembro do teu desgosto e das mentiras que ele dissera que você não devia me contar. Esse foi meu segundo grande desgosto. Lembro da maneira como tentei reunir os dois.
Lembro da letra de música que dizia que um grande amigo jamais deixaria o outro na estrada, sem saber que pegar um ônibus era o de menos, o pior mesmo era que eu que jamais te dei as costas, ficaria no acostamento a espera de um conserto.
Lembro do álcool, lembro das festas, lembro das curas. A certeza era amarga, a paz era necessária e eu só percebia o quanto as referências só me fariam mais perdida. Ele sorriu pra mim: se tu não puder ir até a estrada, eu trago a estrada até você. Eu sorri pela primeira vez em dias: Benvinda de volta.
Lembro com tristeza profunda mas não com menos orgulho de tudo que já vivi. Me vem à cabeça o cheiro do cigarro dele, o toque de setembro, os cabelos longos e todo o resto de mim que tinha deixado pra trás quando resolvi deixá-los pra trás. Me vem à cabeça as risadas mais superficiais que já compartilhei, meus talentos não-usados, minhas fugas noturnas, minhas crises de ausência. As noites vazias, sem entender porque as companhias não eram mais sentidas.
Lembro das camas, dos motivos e das viagens. Lembro de um abraço recebido no meio do corredor da unversidade, ele tinha o cabelo manchado e a risada mais doce que eu já tinha visto. Estar com ele era sentir a brisa bagunçar os cabelos numa tarde livre qualquer. Lembro das tentativas de se morrer, lembro das ambulancias, lembro dos hospitais e dos carinhos recebidos numa roda de samba. Lembro do primeiro avião e da rodoviária, lembro da luz vermelha que já se apagou sem motivo algum: a gente sabe que tudo termina, mas que as vezes nao é justo.
Sei bem da sensação de estar sozinha, lembro dos 6 meses que vivi em coma: vazios, sonolentos, helplessness. Lembro da vez que você me fez chorar no estacionamento não pelo dito, mas pela minha ilusão de que você seria sensato. Lembro das férias de verão, do calor infernal, do prozac no café da manhã, da recepção que te fiz com os olhos vermelhos de saudade. Lembro do teu desgosto e das mentiras que ele dissera que você não devia me contar. Esse foi meu segundo grande desgosto. Lembro da maneira como tentei reunir os dois.
Lembro da letra de música que dizia que um grande amigo jamais deixaria o outro na estrada, sem saber que pegar um ônibus era o de menos, o pior mesmo era que eu que jamais te dei as costas, ficaria no acostamento a espera de um conserto.
Lembro do álcool, lembro das festas, lembro das curas. A certeza era amarga, a paz era necessária e eu só percebia o quanto as referências só me fariam mais perdida. Ele sorriu pra mim: se tu não puder ir até a estrada, eu trago a estrada até você. Eu sorri pela primeira vez em dias: Benvinda de volta.
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