sobre alguém que é feliz porque pode saltitar.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
nove vidas.
sobre alguém que é feliz porque pode saltitar.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
os dias de verão.
naquela tarde eles ficaram deitados no chão do quarto dela por horas, inventando uma música nova, o corpo dele sobre o dela imóvel, os dedos da mão esquerda dela deslizando devagarinho pelo seu braço rígido fazendo aquele som que ela tanto gostava, os da mão direita fazendo cosquinhas no corpo dele - e ele rindo musicalmente em algo que lembrava a nota mi. eles estavam em harmonia, afinadamente apaixonados.
'me dá um blues, meu bem.' ela sussurrou na esperança de que nem ela mesmo ouvisse.
e ela fechou os olhos, ainda deitada sob ele, quietinha. ela não sabia o que fazer naquelas horas, nunca sabia. deixou a música levá-los pra um lugar qualquer onde toda angustia virava uma canção bonita. e no fim da tarde, exausta, ela sorriu ao perceber que havia escrito mais uma música.
ah, o bom e velho violão nunca a abandonava. nunca.
sobre uma menina e um violão numa tarde solitária em casa.
can(sei)
vivendo perigosamente
constatei perigosamente que a cidade estava cinza. as férias escolares haviam acabado e tudo que restava era o silêncio, doce silêncio da cidade de brasília. ele dava um beijinho em sua namorada pela manhã e eu dormia deliciosamente pela segunda noite seguida inabalável. acho que eu estava feliz - ou pelo menos não mais maníaca.
constatei também que meu pai havia levado o Guia de Recolhimento da União para pagar, o que significava que eu estava prestes a arranjar um emprego de 8 horas diárias e o que significava que eu abandonaria a faculdade logo logo. e com isso constatei perigosamente que um grande sorriso se abriu no meu rosto.
constatei pela terceira vez no dia, que nada mais me comovia. meu pai tinha uma enorme cicatriz no peito, meu irmão acabara de ser operado e minha mãe me ligou para dar notícias. e eu nada, inabalável como um monumento de concreto no maior vendaval que a cidade já viu. constatei entao perigosamente que minha família tinha criado um monstrinho que não conhecia. e senti pena deles...
olhei pro céu pela terceira vez naquela manhã. e constatei perigosamente que estava sóbria.
drummond me entenderia. só não sei se apoiaria muito minhas idéias tortas.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
'it's gonna be gone soon'
'enjoy it.'
outro dia eu te vi com uns caras num bar, rindo como sempre, falando besteira. bebendo. pensei que não bebesse. e voce parecia exausta, mas estava rindo mesmo assim, como sempre inabalável. isso me irritava, nada te atingia... por alguns momentos eu pensei que voce gostava de mim, voce demonstrava sentimentos. mas eu nao entendi de inicio, depois eu percebi que voce era assim com todo mundo o tempo todo, de tanto amar todo mundo voce nao amava ninguem. a verdade é que eu acho que todos preferem uma pessoa fácil, simples de entender. acho que as pessoas gostam mais daqueles filmes da sessão da tarde do que dos complexos em matéria de amor. e voce parece mais um filme conceitual, desses que ninguem entende e que no fim nao quer dizer muita coisa.
(...)
hoje eu sou feliz, tenho uma pessoa que me ama de uma forma simples. uma garota inteligente, bonita, que gosta das mesmas coisas que eu. ela é tão transparente, tão facil de ler. eu a amo de verdade, como nunca amei ninguem.'
'e?' ela lançou um de seus olhares pretensiosos, loucos.
'e voce é incorrigível.' ele completou decepcionadamente nervoso.
'talvez porque eu tenho estado certa esse tempo todo.'
talvez.
curto mesmo
ela respirou com vontade pela segunda vez seguida, talvez porque sua vida estivesse cheirando a girassóis aqueles dias.
sobre alguem que aprendeu o valor de se afogar e se mantem o maximo de tempo embaixo d'água só pra respirar melhor...
bom dia? dia e olhe lá
aaaaaaaah (estalar de ossos, tensao ainda sobre os ombros) bom dia sol, bom dia nuvens, bom dia vento, bom dia... bagunça do meu quarto (ergh!), e ...
'acordou? que bom, pode ir limpar a casa. hoje é dia de ir pra missa' minha mãe gritou de algum lugar da casa, ecoando a palavra missa.
é, bom dia mediocridade.