terça-feira, 23 de dezembro de 2008

férias.

'aaaaaaaaah, como é bom voltar pra casa depois de um semestre daqueles!' ela pensava.


e lembrava que esse talvez tenha sido o ano mais longo de sua vida. que 6 meses lhe acrescentaram mais que talvez 6 anos. que uma noite em claro poderia valer muitas notas boas, mas custar muita saúde. que procastinação é o passatempo de quem não tem nada a fazer. que dormir é necessário. que comer não é tão necessário assim. que algumas obrigações podem ser adiadas. que mentir um pouquinho às vezes nao faz mal a ninguém. que omitir faz menos mal ainda. que algumas coisas devem ser mentidas. que pra tudo - ou quase tudo - tem uma solução. que panetone e pisca-pisca podem ser vistos em qualquer época do ano. que nem todos os homens são idiotas. que nem todos os homens que são idiotas são gays. que nem tudo que reluz é ouro, e muito menos nem todo gay é bichona. que a perda de um grande grande amor pode doer uma noite... uma semana... um mês... ou nunca parar de doer. e que ainda assim se continua vivendo. que às vezes voce vai crescer metros, mas que nem todo mundo vai perceber. que às vezes a gente precisa fazer coisas que não quer, mas que vão fazer toda a diferença. que - sim, a gente vai sofrer por isso - a gente vai passar por tudo isso, mas só porque tem alguém especial pra segurar a mão.


e ela concordava com vinicius: tudo bem que morram todos os meus amores, mas eu sofreria infinitamente se perdesse todos os meus amigos. e talvez ela já não sentisse tanta paz em voltar pra casa.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

inveja

ela era só mais uma garota: mediana, não medíocre. tinha uma ânsia das coisas mais difíceis, das coisas mais bobas, das coisas mais descartáveis.

e ele não era só mais um cara. ele tinha mais problemas do que alguém desejava ter, tinha ãnsias de vômitos em função da medicação pesada.

'sabe, eu queria ser como voce. eu lembro de quando te conheci: uma menina ainda, na escola, com trancinhas e aquele uniforme que fazia todo mundo parecer feio. lembro da sua vontade de trabalhar com desenho - ainda acho que voce etá no curso errado... mas voce sempre se sai bem no que diz que vai fazer. lembro do seu cabelo estranhamente de duas cores que mudavam conforme seu humor. e também lembro do seu violão desafinado e da sua voz feia, haha.' ele listava, se deleitava com essas lembranças futeis.

'besta. se eu era menina, voce era o que? eu sou mais velha que voce' e sorriu, ajeitando o cabelo que cobria metade de sua face. 'e é fato que o uniforme azul enfeiava todo mundo - menos voce, voce sempre foi bonito da escola.' ela olhava pra ele: foi. 'agora eu... azul ou não eu ficava feia do mesmo jeito, eu nunca fui bonita.' ela nem se incomodava mais, a anti-beleza era até sua amiga agora.

'é, pode não ser bonita, mas sabe que eu conheço dezenas de garotas que queriam ser você? levar sua vida, ter o que você tem, saber o que você sabe, estar onde voce está...' ele enumerava

'estar com quem estou?' ela agora apontava ele. 'elas são tolas. ser quem eu sou... hmpf. o preço é alto.' ela agora parecia se queixar.

'é?' ele não entendia.

'nao sei se a inveja mata, mas nesse caso, mataria... ah, se mataria...'

sobre as alegrias e tristezas de ser uma jujuba de sabor diferente.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

amor: substantivo masculino, abstrato.


ela era uma garota conceitual, embora nao fosse um conceito. sua memória era assustadoramente sua amiga, apesar de ser uma garota tão distraída. e sentia uma necessidade incessante de nomear tudo, de classificar tudo, de saber tudo em minúcias, ...
estavam a garota e o garoto talvez no ponto mais alto da cidade, admirando o céu nublado ao longe. ora andavam em círculos, ora paravam.
'o que voce tá pensando?' o garoto perguntou ao perceber que a garota ia longe, mais longe que ele pudera ir.
'tô olhando as pessoas fazendo coisas ridículas lá embaixo' ela apontou dando risadinhas contidas, talvez para não mostrar os dentes (será que tinha algum pedaço de biscoito preso neles?) ele contemplou. 'as pessoas são tão pequenas daqui de cima, é tudo tão pequeno daqui da cima.' ela continuou.
'é.' ele pontuou, monossilábico como sempre. (silêncio) 'faz tempo que voce nao vinha aqui?' ele agora interrogou.
'uhum.' ela continuou admirando o quão grande era ser pequeno. um pequeno universo estava contido em cada um daqueles pontinhos que vagava pela imensidão dos gramados verdes lá embaixo. 'fazia tempo, acho que três anos ou mais...'
eles pausaram. o vento bateu forte, bagunçando ainda mais os cabelos milimetricamente desarrumados dele e lutando contra os cabelos dela. 'eu vou sentir saudade também, mas eu volto.' ele olhou ao longe.
'promete?' ela questionou, ainda se pergutnando internamente se ele voltaria pro mirante ou pra ela. ou pros dois, ao mesmo tempo, quem sabe...
e ela sorriu ao perceber a afirmativa dele com a cabeça e se contentou com isso, sentindo milhares de cristaizinhos se espalharem pelo seu peito com a explosão de sentimentos estranhos que ela nao sabia nomear.
e nem queria nomear.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

bad medicine?

'sabe, acho que voce é meu cloridrato de venlafaxina.' ela disse um pouco tímida.

'é, te faço vomitar, te deixo tonta e com a boca seca.' ele respondeu.

'é, mas eu não posso viver sem. os efeitos colaterais valem a pena, voce não tem idéia do quanto isso me faz bem.' ela agora justificava a drogadição.

e aquilo que os outros chamavam de doença ela chamava de cura.

sábado, 6 de dezembro de 2008

cloridrato de venlafaxina

A venlafaxina (como cloridrato de venlafaxina) é um antidepressivo da classe dos inibidores selectivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina. Não está relacionada quimicamente com os antidepressivos tricíclicos ou tetracíclicos
eles estavam ali, poucos metros de distancia fisica. ela não estava atrasada dessa vez. abaixou a cabeça e se aproximou dele, que também fingiu que não a vira.

(...)

e eles se abraçaram longamente sem dizer uma única palavra.

'eu senti tanta saudade de voce!' ela quebrou o silencio sem quebrar o abraço.

'eu também.' ele respondeu.

e se abraçaram mais forte ainda, como se nunca mais fossem se separar. de novo em silêncio.

pela primeira vez ela ficara em silencio por mais de 5 minutos, porém isso significava muitas coisas.

'i could die right now, ..., i'm just happy!' Eternal Sunshine of The Spotless Mind.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

anybody seen my baby

'ele disse que se sentia preso e que nao sabia mais

pra onde estava indo ou de onde tinah vindo

que não era como ele tinha planejado

que ele teve a cahve pra porta mas não quis abrir


e eu sei, parte de mim diz pra seguir em frente

a vida acontece de alguma forma

mas nao sei, nunca funcionou antes

mas desta vez e ufarei qualquer coisa

qualquer coisa pra me sentir melhor


(...) voce é a unica que me conhece

e que nao ignora que as alamas tambem sangram


eu sei que parte de mim diz pra ir em frente

que tudo tem sua época

mas não sei, cada dia é igual ao anterior

mas dessa vez, farei qualquer coisa só pra me sentir melhor.'


Just Feel Better, Santana feat. Steven Tyler


'... e voce me amou um dia?' ela perguntou. os segundos agora eram longos e ela nao sabia se por causa do álcool em seu sangue ou por causa dele.


'sim, sempre. mas não tem como explicar, você é como uma parte de mim, entende?' ele respondeu vagarosamente, cada palavra era dura de ser proferida.


'voce mudou tanto...' ela constatava e nao entendia, nao sabia se gostava, nao sabia.


'mudei...eu abandonei o cigarro e os velhos hábitos' ele realmente parecia mais homem agora.


ela ficou calada, de repente ela entendeu que o que amava nele eram os defeitos. cada um deles.


e que mesmo que fosse fraca pra aguentar os defeitos, era forte demais pra que a perfeição dele a tocasse.
sobre meninos e jujubas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

isis, a deusa da lua

a garota saíra da sala de aula com algumas idéias estranhas.

'ei, vamos no Centro Acadêmico conversar?' ela disse bastante sorridente, parecia ainda em clima de férias permanentes.

'hm... não sei.' a outra hesitava, talvez por medo da garota esquisita e de cabelo de duas cores que a chamava.

'vamos!' e a puxou pela mão.

ao entrar na pequena sala, ligou o som.

'ei, vamos falar de energia?' a garota do cabelo de duas cores perguntava.

'porque não, né?' e assim a energia fluiu pela primeira de muitas vezes. uma energia chamada amizade :)