segunda-feira, 4 de julho de 2016

roma-amor

eu que sempre tive um hábito incomum, desde a infância, de ler revistas e romances de trás pra frente. começando nos classificados, passando pelo horóscopo e passatempos e então as manchetes. acho que na minha infinita sabedoria infantil já sabia que certas notícias só descem depois de esquentar os motores do coração.

decidi ir a roma, amor de trás pra frente.

amarela, bela, velha, infinita. a cidade eterna - foi o que me disseram por lá. pouco me importavam as ruínas, a História com H grande. eu fiquei mesmo preocupada é com a quantidade de luas de mel que foram passadas ali, quantas promessas de eternidade sem perceber que tudo sempre vira ruínas - não menos bonito, mas...

eu tinha um encontro marcado em roma, aquelas coisas que você faz entre um misto de esperança, confusão e culpa. no hostel, esperei meu encontro chegar. tudo sempre vira ruínas. do lado de fora do coliseu tomando um café enquanto meu encontro ia ao banheiro, observei as ruínas das construções e as nossas, dei um sorriso amarelo igual roma. nem eu nem a cidade estávamos ficando mais jovens. mas o que eu podia esperar? era o amor de trás pra frente.

pela janela do café um cara da minha idade sorriu pra mim e seguiu seu caminho. ele voltou e me convidou pra ir com ele, disse que a gente tinha uma aventura marcada com a cidade. perguntei de onde ele era sabendo que nossa aventura também tinha hora pra acabar. ele disse 'dos seus sonhos' e dissipou com a brisa da tarde de roma. nunca mais o vi, mas passei o resto do dia sonhando.

não encontrei o amor em roma, mas aprendi que o que nunca vira ruína - isso eu aprendi com os italianos - é a beleza.

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