domingo, 26 de julho de 2015

25

tive a sorte de viver muitos romances desde que deixei seu amor pra trás. aos 25, eu já colecionava dezenas de histórias catalogadas em meus pequenos diários de viagem. eu estava sempre em trânsito mesmo em casa. meu coração ainda doía pelo acúmulo de quilômetros rodados e tantas batidas. eu tratava a vida como se fosse a diretora de um filme e sua roteirista, como uma atriz de improviso, e fazia dela meu rascunho, meu eterno rascunho onde eu nunca podia voltar pra fazer retoques. a vida-que-eu-não-escolhi andava me assombrando como um fantasma assim como o peso vazio dos desejos que não eram meus. o que teria acontecido se eu tivesse pegado o primeiro vôo pra LA assim que tivesse pisado em NY? o que teria acontecido então com o angustiante mês de julho, com as duas batidas de carro que tive em dois meses, com as amizades que estreitei porque o abismo que se abria em mim estava prestes a me consumir? o que teria acontecido com aquela viagem em setembro onde eu encontrei uma amiga que só conhecia pela internet e me hospedei com outra que ainda não era assim tão íntima? o que teria acontecido com toda a decepção de voltar pra casa de mãos abanando? o que teria acontecido com o albanês que conheci em um bar e que ainda hoje me manda músicas que nunca ouvi mas que amo? o que teria acontecido comigo? mas não aconteceu. nada disso, nem isso. só a vida.

o que teria acontecido se você e eu não tivéssemos partido meu coração eu não sei, mas eu acho que ele precisava urgentemente de uma reforma. obrigada.

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