domingo, 26 de janeiro de 2014

viver três estações esperando pelo verão, sempre o verão. e a vida toda que corre e corre, condição única da morte. tudo que morre um dia esteve vivo, e a vida dói tanto me escapando enquanto eu tento me agarrar a ela, sabendo que rio represado não é mais rio, que a vida contida não é vida, é morte. e aí eu me vejo procurando vida no túmulo que é teu corpo, os teus olhos vazios, vácuo. teu olhar ainda me atravessa como uma faca cega só pra me dar certeza do machucado. minhas paixões duram cada vez menos e são cada vez mais avassaladoras. e eu deixei de ser tão insistente, e ao mesmo tempo me tornei obcecada pela sensação de estar apaixonada. apaixonada pelas minhas paixões passageiras que se apagam como passos na areia com os movimentos da maré. da lua.
little brown sugar. voce me diz com um brilho no olhar que eu reconheço de outra vida. outra ou talvez uma, de quando tanto voce quanto eu estávamos vivos. de quando nenhum de nós dois se agarrava tanto à vida desesperadamente na esperança de que ela nunca acabasse. e assim nos tornamos áridos, secos. desertos. voce é tao contido, é represa, é barragem. e toda a vida que ameaça transbordar a qualquer momento mas nunca transborda, e eu não tenho mais tempo nem idade pra acreditar que eu sou gota d'agua nem tempestade.. nao posso me dar o luxo de esperar que tu me regue, que tu me carregue. que me inunde e me arraste, me devolva para o mar.
e enquanto isso eu me distraio com a tua boca distante, fresca, cheia de promessas e desejos nunca conjugados no presente, esperando uma palavra e quem sabe um beijo. voce me (a)paga em silêncios e é isso. copacabana, arpoador e ipanema. silêncio do leme ao pontal. sem o piano de escudo voce é só um homem de saúde frágil e sono leve, cheio de medos e cercado de seguranças. tu é europa e eu sou américa latina mas tu não consegue me colonizar.
ninguem sabe a duração de um momento, mas eu sei que aquela noite durou pra sempre.