sábado, 3 de agosto de 2013

and all that jazz

- as small talks, eu num frenesi raro de mim, como se estivesse de novo no auge de mim, sendo aquilo que eu queria e coisa e tal e de repente, assim, pof, eu caio em mim. aquele tédio assustador e ao mesmo tempo consolo, aquela sensação de estar na inércia, pairando no ar como uma folha que perdeu o chão mas continua no eterno movimento da vida. eu caí em mim. eu que até algumas semanas atrás era anestesia senti o calor do entusiasmo pela vida ser injetado lentamente em minhas veias, comprando livros sem parar, todos eles, e todas as tintas que eu precisava, lápis, borrachas, pinceis, papeis, tudo tudo tudo que sempre esteve ali na minha frente e ao meu alcance e o que me faltava era a força pra ir buscar, to come and get it. sentindo pela primeira vez que a vida se ofertava, se dava como eu me dava nas camas, de pernas e ventre aberto, fértil e esperando ser fecundada. Uma vida fértil como eu sonhava anos antes, em que eu mergulharia nos livros e desenhos e pinturas. E de repente eu caí em mim com o mesmo entusiasmo que eu pairava - ironicamente - e... junto com o desejo voraz de não só existir mas de viver me vem a sensação devastadora de que há tanta vida em todo lugar para experimentar e que uma só de mim e uma só vida não são suficientes pra desfrutar de todos os prazeres e dores do mundo devidamente, com o paladar aguçado, sem deixar um gosto camuflar o outro, sem engolir tudo às pressas. - e será que por isso eu era tantas e não era nenhuma, e será que por isso eu insistia em (me) matar e (me) morrer tudo que encostasse só pra que pudesse viver novas vidas?
E então eu tinha 23 e eu sentia o peso vazio dos primeiros sulcos que se abriam na minha face, as erosões do tempo no meu rosto, fruto dos meus excessos de choros e risos e da enxurrada sentimental na qual eu sempre me deixava carregar e na qual eu  insistia em ser carregada, sem nunca de fato segurar nos resgates que me ofereciam. Porque eu sou peixe, e talvez sereia, me sentindo confortável por um lado e extremamente sufocada pelo outro fosse na terra ou fosse no mar pelo simples fato de não conseguir ser nem plenamente mulher nem plenamente peixe, coisas dessa minha indecisão que sempre pesa escolhas, escolhas, escolhas demais. 
ah, e as small talks que pra mim poderiam dizer tudo, que eu queria que dissessem tudo aquilo que a gente não podia falar. Eu sinto tua falta, porra! E que crime há em amar assim, instantânea como café solúvel em água quente, forte e evaporando mas sem deixar tua sede na mãe, de uma vez, sem tempo de duvidar nem de ter certeza? Que crime cometo eu - que merece tais punições de mim mesma - quando tendo te visto uma meia dúzia de vezes, sem muitas palavras, e sinto que te amo assim, estranho, desconhecido, improvável e cheio de possibilidades livres das minhas pirações de insegurança, culpa e ciúme que insistem em fugir de qualquer tipo de compromisso? Que crime tenho eu, pesando tudo a minha volta, em querer viver de amores leves como as nuvens disformes que pairam sobre as nossas cabeças sem nunca despencarem quando nós queremos? Deixo que se precipite sobre mim, porque pra mim o único amor é o precipitado, que vem de repente, verão ou inverno, e que nos pega desprevenidos. que nos molha e que às vezes é celebração mas que às vezes é fastio, é excesso, e que me dá umas ânsias de vômito porque é demais - demais, demais pra mim! E eu não posso dizer nada disso se não exprimir em pequenas palavras, em small talks o que eu sinto, o que quero e às vezes nem quero dizer mas sinto que devo dizer e espalhar pelo mundo como coisa contagiosa - espalhar minha loucura e confusão pelo mundo como coisa contagiosa, que na verdade é apenas meu desejo de denunciar a loucura e confusão do mundo que nós criamos e criamos todos os dias. E então se eu posso dizer, sem saber já sabendo o que sinto, então não encontro palavras que se encaixem logicamente. e então eu me deixo escrever em palavras sem graça e... com toda minha ânsia de correr o mundo - eu quero ser uma garota independente -  e lá vou eu saltitando de destino em destino, plic plic plic, pingando no mapa mundi como chuva também, me precipitando sobre a vida como eu quero que o amor se precipite sobre mim, como eu quero que você se precipite sobre mim no verão, mas com um medo dos diabos de que tua chuva seja tempestade e que me leve pra longe de mim e que eu não consiga voltar se tua correnteza me abandonar à deriva de qualquer outra onda. 
e aí eu caio na estrada, caio em mim, caio caio caio, porque andar sobre dois pés às vezes me parece presunção demais da humanidade que quer sempre estar em um patamar que julgam acima da animalidade bestial e selvagem que eu tanto adoro. lutando contra as forças de toda natureza sempre... um tédio, uma luta que todo mundo já sabe bem o final. assim eu me explico pra quem queira entender porque me entrego - como quem sabe que tem culpa no cartório e fora dele - e estou sempre entregue, sempre entregue a essas torrentes de selvagerias emocionais... é a minha natureza. 
e então me vejo ali, naquelas palavras que devem dizer tudo mas que pra mim já não dizem nada. minha loucura assusta como a loucura do amor dos outros por mim me horroriza e me espanta, como se eu fosse pega desprevenida sempre pelas admirações que não busquei. trabalhar, NYC e cair na estrada até LA passando por Frisco, Seatlle, ou aonde a estrada e minha carne me levar - porque também o coração é feito de carne, e então coisas maçantes da vida e aí paris, paris, paris! minha cura e minha doença, meu veneno e meu remédio... mais veneno, porque para ser remédio é preciso que seja tomado com a disciplina das doses homeopáticas, e a disciplina nunca foi virtude minha. E aí Paris e aí o que? Longas caminhadas pelo Musee d'Orsay, e pintar os amantes promissores na ponte dos cadeados em frente ao Louvre, e ficar marginal, ali em volta do Seine na madrugada quente-demais-pra-Paris bebendo vinho barato e divagando sobre toda a poesia que eu jamais vou escrever e toda a música que tu jamais vai tocar- ah que tristeza que a vida moderna é - e bebendo teus beijos em doses vertiginosas que me fazem rodar mais que a roda gigante da Place de Concorde. e depois teu peito nu e quente, lacrimejando gotas de suor, chorando o calor ao qual eu estou tão acostumada e que eu amo sem moderações. e depois teus tintilos improvisados pelo piano, teus dedos passeando rápido demais pelas teclas fazendo aquelas coisas que me fazem estremecer como se cada nota que você tocasse na verdade fosse um toque em uma diferente parte do meu corpo desconexo. aqui, sol, lá. mi mi mi mi. sem dó de mi, nenhum. fa fa fa fa. si si si si. tudo si, nada de não e essas coisas, no balanço das cordas que eu não sei tocar. e aquela minha expressão facial ingênua que eu não aprendi a disfarçar - e nem quero, sei lá, e depois a minha expressão forçada de quem não quer parecer presa fácil, de quem não quer parecer indefesa como sabe que realmente é. Dó. E tocar umas músicas bestas que eu escrevi em Montmartre, e pintar as gentes que passam sem cobrar nada, só em troca do precioso tempo delas, em troca de todas as outras preciosas possibilidades que eles deixam escapar enquanto se entretem comigo, só pelo preço e pagamento de ser escolhida entre tantas maravilhosas e brilhantes possibilidades, só pelo preço de ser a escolha. e depois é culpa que cai sobre mim, eu que nunca devia ser escolhida e que nunca devia desafiar ou desbancar minhas amigas, as possibilidades infinitas da vida, porque entre tudo que vive nesse mundo e tudo que já morreu é isso que eu também sou: possibilidade. e que pode vir a nunca ser escolhida. é a vida, e ainda assim eu sou possibilidade, independente de escolhas... 
e aí voce talvez me acharia excitante, e viva, e me trataria não como um bibelô que você carrega pelo braço enquanto desce a St. Michel, mas como vida, como movimento, como música - que só é música porque se move, que te contagia mesmo que você não a toque, ela sempre vem e toca você, que sorri como uma criança. (...) e ahhh, eu olharia outra vez pro teu rosto só pra ver se eu realmente entendi o que vi naquele dia quando você não conseguiu me atravessar com um olhar e ficou preso aqui dentro em algum lugar de mim, como uma flecha que estanca a ferida que ela abriu, e sem a qual eu sei que irei definhar e definhar... até que eu seja só sangue que escorre sem pulsar. eu em mi e você, sol. aquela felicidade dos teus olhos que eu não esqueço, aquele brilho repentino e infantil quando tu me viu cruzar os umbrais do bar fingindo não te ver, e depois você na conserva do whisky pra me conversar, o olhar torpe de quem já tinha entrado numa estrada sem volta, o olhar embriagado de quem queria me derrubar - na cama - numa queda de (a)braços. e eu obviamente caio na tua, na verdade tu não me derruba porque - é... - eu já tinha caído há tempos. Ne me quite pas e essas coisas bonitas em notas improvisadas, because maybe you're gonna be the one that saves me and after all you're my wonderwall. e aí eu vivo nesse eterno suspense, que é o que me mantém de pé, o que me mantém suspensa no ar e vivendo, de te querer perto de mim e continuar te afastando, pra que a tensão continue no ar, pra que eu ainda alce vôo sem paradas planejadas e sem destino, mas com todos os destinos do mundo. e como eu não gosto de brincar com o coração dos outros, e nem de brincar com os outros em si e fazer leviandades e sabe-se lá, atacar a seriedade de tudo aquilo que ninguém mais leva a sério além de mim e uma outra dúzia de loucos eu vou brincando com as palavras, e com as cores e as notas das poesias que eu nunca te escrevi, dos quadros que nunca te pintei e das músicas que nunca te cantei. 

e ah... 

o teu riso nervoso com um copo de whisky na mão e o piano, o mundo e o meu coração na outra - e você nem sabendo que tinha que equilibrar tudo isso, e aí me faz cair, pof. e a gente brinda a distância à distância, mas é assim mesmo porque a gente sabe que meu sentimento é grave, mas não são as leis da física, coisas da ciência, que dizem que dois corpos exercem atração um sobre o outro? e a gravidade dos nossos sentimentos, assim ferimentos fatais como tudo que vive e está marcado pra morrer, nos atrai, irremediavelmente, até que a gente se canse de colidir e exploda, você dentro de mim. boom. e eu já nao sei me explicar. 

meu sentimento é improviso. i love you (-) and all that jazz


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