sábado, 27 de julho de 2013

uma hora e meia.
enquanto eu não podia ir à estrada, resolvi deixar a estrada vir até a mim. sentada em um balcão com formato de lataria de kombi eu viajava sem sair do lugar. entre check ins e check outs eu me via mais só que todos os viajantes que passavam por mim. tudo passava, rápido ou devagar, mas passava por mim deixando rastros infinitos de memórias. e apesar de eu ser presença enquanto passavam, depois eu apagava como se nunca tivesse existido. todos os homens que viajam sozinhos me parecem incrivelmente solitários. ao mesmo tempo que me parecem incrédulos, me parecem crentes demais em toda a humanidade, ou como se quisessem muito acreditar em algo ou em alguém. todo mundo na estrada parece livre demais.
naqueles dias eu sentia um sono descomunal, que me tragava pro bréu dos devaneios que eu não podia controlar, entre sonhos e pequenos delírios noturnos. e a fome que me consumia, e o meu recente ódio pela minha própria figura gorda, que até alguns dias não tinha nada de mais. os quilos que mais pesavam eram aqueles da minha imaginação...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

deixa tua marca