terça-feira, 4 de junho de 2013

the golden hour

o sol de fim de tarde passou entre as nuvens uma vez cinzas e pesadas fazendo-as ficar leves, prateadas, preciosas. não consegui mais distinguir o tempo (...) era como se ainda fosse inverno, era como se ainda fosse fevereiro, como se eu ainda te dissesse que aquela era a golden hour sem saber que, na verdade, aqueles eram os golden days que eu tanto tinha esperado e vivido na minha imaginação fértil. you're my golden god, babe. você andou pelas ruas da cidade durante toda aquela sexta-feira comigo a tiracolo, me olhando do alto dos teus quase dois metros, se curvando de esquina em esquina pra sussurrar no meu ouvido um i love you, babe que sempre soava surreal pra mim, que respondia com um i love you too, babe, que era pra não perder a chance de repetir pra mim mesma que eu amava. outra vez, eu amava outra vez. e eu sorria com os lábios e com os olhos, e você me dizia que não acreditava que eu poderia ser tão doce e gentil, tão bonita, tão inteligente, tão amazing. você disse i can't believe how lucky i am to have you in my arms now. eu sorri daquele jeito que tu gostava, puxei teu corpo pra junto do meu no meio da rua e te dei um beijo, você fez sonzinhos engraçados, como se ronronasse. por fim beijei a ponta do teu nariz gelado e você sorriu dizendo que não gostava do próprio nariz.
naquela manhã você me esperava na estação como disse que estaria. andando de um lado pro outro, pontual no seu jeans azul e no seu casaco de couro de motoqueiro. e eu atrasada como sempre, ofegante, com flocos de neve espalhados pelo meu cabelo. a primeira vez que te vi te vi de costas, e fui me aproximando enquanto você fazia uma de suas meia voltas em torno de si pra andar outra vez de um lado pro outro. voce virou e me acertou em cheio. meu coração parou de bater.
tudo que eu consegui dizer foi i'm sorry i'm so late, it started snowing and i couldn't find my way to the station, i'm sorry e voce abafou o som das minhas desculpas com um it's ok, babe, you're as beautiful as i expected e me beijou longamente enquanto eu fazia todo o esforço do mundo pra me manter nas pontas dos meus pés. desabei de volta pros meus 1,60 de altura. antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa voce disse que queria me entregar algo que era importante pra voce pra que quando eu fosse embora voce estivesse sempre na minha vida. e disse isso tirando o anel de aço que tinha em um dos dedos, me entregando nas mãos o anel que era grande demais pra qualquer um  dos meus dedos. voce me ajudou a tirar o cordão que eu usava e a colocar o anel ali, pra que eu o carregasse sempre junto a mim.
você não tinha dinheiro pro almoço, e constrangido em me dizer isso, se limitou a elegantemente dizer que não estava com fome. voce que trabalhou todo o dia  anterior no campo tirando os galhos secos das cercas dos campos alheios, que estava com as mãos cheias de pequenos cortes da tarefa, que era um operário simples, era um gentleman. como se espera que qualquer homem inglês seja. mesmo que voce ainda fosse um menino. eu realmente nao me importava naquele momento, enquanto dividia meu almoço contigo eu brincava com os teus cabelos dourados, com tua barba ruiva, e insistia pra que voce comesse mais, me perguntando se aquele nao seria o homem mais lindo que eu já tinha tocado na minha vida.
mal sabia eu que em alguns momentos, antes de me apresentar seu pai, nós veríamos o sol se esconder em roxo, azul e rosa no meio de uma pequena floresta que alcançamos por um caminho sem pavimento. era como se eu sempre tivesse estado ao seu lado, seu cheiro rapidamente se tornou familiar assim como seus beijos e o aconchego dos seus abraços que me engoliam. era como se nós sempre tivéssemos dividido aquela cama, como se soubéssemos o lado da cama a ocupar e a hora de ir dormir assim como a de acordar. nosso relógio biologico simplesmente funcionava igual.
naquela sexta-feira enquanto o sol se escondia por trás dos campos que beiravam a A20, a rodovia que liga paris ao interior da frança, me recostei no teu ombro e quando te olhava de canto de olho via que ainda que o sol já tivesse se posto você continuava brilhando. era sempre golden hour do teu lado.

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