sábado, 29 de junho de 2013

aconteceu rápido demais pra que eu reagisse a tempo. fui tragada lentamente por um buraco negro com a forma da tua boca que eu já nem me lembrava mais não senti gosto algum. tive certeza que uma parte de mim morreu. nem a mesma ingenuidade nem a mesma espontaneidade dos meus 19 anos me acompanhavam mais. era sempre um gosto amargo na boca, um riso amarelo e um olhar melancolico, pesado como as nuvens - ilusorio. nao senti nada com teu abraço mecanico. eu estava anestesiada, em coma. e notei que nao tinha me recuperado das sucessivas quedas dos anos anteriores: caindo no real, caindo no real, caindo no real. e o real caindo em mim.
eu aprendi a viver como o resto do mundo: alheia, cínica, anestesiada. pra que suportar o peso da realidade fosse mais fácil, pra que ser esmagado por ela não doesse tanto. os ombros suportam o mundo. e o seu sorriso era mais frio que teu coração metálico, enferrujado, tetânico. ainda assim me deparei com a contradição de perceber que apesar de ter morrido, o fantasma de mim ainda me assombrava com os risos bobos, com o carinho nas pontas dos dedos.

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