sábado, 28 de janeiro de 2012

homem ao mar

ele tentou encontrar os olhos por trás do vapor que evanescia da xícara de chá que eu usava de pretexto para manter minhas mãos ocupadas. e eu permanecia enigmática, estática, sem fluir com a fumaça com aroma de frutas cítricas, eu permanecia. sem palavras, e sem silêncios, sem me deixar encontrar - perdida de tudo.
(...)
seus olhos eram quase verde, quase castanhos, quase mel. quase. uma doçura de quem parece estar rezando para que não lhe descubram os inevitáveis medos que eu bem conhecia. sem maiores incêndios apesar de toda a fumaça entre nós, não encontrei o fogo. mas sabia que algo queimava em algum lugar, bem no fundo. (...)

eu evitei olhar demais dentro daqueles olhos. eu ainda não estava pronta pra naufragar. nem pra me deixar molhar...

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