terça-feira, 30 de novembro de 2010

crônicas da vida virtual

"no you can't find peace in company of me but you may find it out on the road"

ele navegou as ruas da cidade em que nasceu mas da qual já não tinha nenhuma memória, a última vez que tinha estado ali não sabia nem andar. correu em volta da praça sob a chuva fina que caía graciosa das nuvens cinzas enquanto ouvia uma música após a outra sem nenhuma ordem a não ser a da sorte. ele era apaixonado pela música, pela chuva, pela cidade que acabara de conhecer.

enquanto isso, ela sentava em um ponto mais alto da mesma praça, contemplando o céu por alguns segundos enquanto alguém tirava uma foto do momento. ela riu com a amiga enquanto via de longe os pombos, as árvores, a bandeira tremulando no alto da torre do relógio que marcava 3 da tarde. elas levantaram, caminharam em volta das árvores, viram as pessoas passearem com os cachorros. o homem com o cavalo.

ele andou pela rua que ficava ao lado de seu hotel, buscando um café pra sentar e escrever alguns cartões postais. encontrou uma livraria e foi irresistivelmente atraído para dentro, sugado pra dentro do espaço-tempo rompido que é um ambiente cheio de livros, desenhos e música tocando.

ela andou pela rua, observando tudo que podia, absorvendo tudo o que podia. parou ao lado de uma banca de jornais, admirando os chaveiros com nomes que pendiam do teto. desejou os chocolates, eventualmente comprou algum. desejou as flores no balde, não teve nenhuma, soube que não poderia carregar nada perecível a não ser ela mesma ali. viu uma livraria em frente: foi inevitavelmente atraída pela música tocando.

ele fez sua refeição favorita: milanesas com batatas fritas. ela fez sua refeição favorita: milanesas com cerveja. ele bebeu seu drink favorito: cuba libre. ela bebeu seu drink favorito: cuba, sem libre. ele se deitou no quarto de 100 reais por dia, ela se deitou de sapatos no leito de 15 reais por dia.

ela checou sua correspondência virtual, sem novidades. ele checou sua correspondência: uma nova mensagem.

ele a viu nas árvores enquanto caminhava outra vez na praça, com o cachecol colorido. ele acenou, ela sumiu. ele lhe escreveu uma mensagem:

ei, você está em todo lugar mas eu nunca te encontro.

ela não respondeu por alguns instantes. lugar certo, épocas diferentes. ele estava só um ano atrasado.

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