sexta-feira, 1 de outubro de 2010

panamá

quando cinco são doze e a primeira chuva de setembro molha outubro, não importa de quantos nãos a razão é feita, eu sinto tua falta miseravelmente numa sexta-feira à noite: um crime, um pecado, um sacrilégio. os oceanos separam alguns continentes, um canal é o que nos distancia ao invés de mandar as mensagens. descansei minha cabeça no travesseiro tão macio quanto o teu colo, infelizmente faltavam dedos. (...) somos feitos de ar. e você, de terra, sepultou meu coração, colocando uma cruz - que ninguém sabia se era religião ou sinalização do mapa do tesouro.
o tédio acabou em minhas mãos, as férias agora eram mera formalidade, eu estudava de janeiro a janeiro e você comprava a sua próxima passagem para a-gente-sabe-bem-onde, de encontro marcado com um novo estilo de vida, de encontro marcado com uma nova perspectiva de eu. eu e eu éramos nós afinal de contas. a um oceano de distancia estava o velho continente, a um vôo de distância estava o lado latino da américa, a um canal de distância estava você:

(tive receio das linhas seguintes, deixei o cansaço me abater sem misericórdia: é sexta-feira)

um canal de distância, bastava dedos e coragem pra ligar.

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