sábado, 23 de outubro de 2010

life in mars

Queria te falar da minha vida no novo continente, das ruinas que vi e vivi, dos olhos vermelhos e das doses a mais de álcool, sem família ou cama de hotel, sem roupas caras ou sapatos bonitos. eu vivo quando saio daqui, quando me deixo fluir com a vida, bem mais simples do que nós jamais imaginamos, cara pálida: cores, texturas, sabores, cheiros, pessoas, dentes, barraquinhas, carros e buzinas. minha fé cresce um pouco a cada dia, meus pulmões também. percebi que vivemos no limite, a mais de 400 dias por ano, ultrapassando a barreira do som, destruindo as estruturas do amor e de todas as outras coisas singelas, todas simples demais para nós.
Aos meus amigos minha gratidão e meus melhores desejos de uma vida cheia de coisas simples - ou cheia de uma simples coisa, que seja. Escrevo menos agora, ouço mais, vivo mais. Meu querer é simples, minha ambição é uma só. Sem pedidos de desculpa - algumas coisas dificilmente mudam. Mas percebo que estava errada e que viver de olhos fechados e se enganar só é facil na música dos beatles. minha consciência é meu sentido mais aguçado.
Não explodo mais com tanta facilidade, não falo mais tanto sem pensar, não tomo mais porres homéricos na minha cidade mas ainda atraio todos os caras gays. Algumas coisas dificilmente mudam. Mas hoje leio filosofia e penso em política genuinamente enquanto espero meu cabelo secar.
Queria te falar de toda beleza que eu vi, de toda vida que se passou diante dos meus olhos. Queria te falar das cores, do meu trabalho, do que eu descobri dentro e fora das páginas dos livros, dentro e fora da academia. Queria te falar de tudo isso, mas as palavras eram complexas demais. E eu quero uma vida simples.

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