terça-feira, 26 de outubro de 2010

dois

a amargura deixava agora espaço na minha língua pros sabores mais simples: um gosto de fim de tarde, de céu nublado, de chuva na universidade, de conversa com conhecidos sobre intimidades. sem me dar conta que dois meses tinham se passado desde aquele dia em que resolvi amar um pouco mais - é impossível não se apaixonar diariamente pelas ruas de pedra, pela primeira chuva em 100 dias, pelas luzes.

as noites etéreas e o álcool nos copos certos mas nas doses erradas, do jeito que eu gosto. perder foi o jeito como me encontrei, um pedaço em cada parte do mundo. the way you make me feel/ you really turn me on. eu sentia de novo as borboletas no estômago, o sangue correndo em minhas veias, a satisfação pós-meia-noite que eu não sentia há 3 anos. brindei aqui, ali, em todo lugar. dancei aqui e la, em todo lugar. com a mesma prepotência de quem pensa que sabe tudo que eu exibia na universidade.

tomei um fôlego, tomei uma dose, tomei vergonha na cara. meu caso era de urgência na fila pra psicoterapia, mas dois meses se passaram. e eu passei com eles.  hoje eu sei que gosto de ser mulher, de fazer psicologia e que eu falo até dormindo. hoje eu sei que me encontrei quando perdi - a vergonha, o medo, as meias...

Um comentário:

  1. o rumo, o pudor e a hora de acordar (normalmente).
    bom mesmo é viver.

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