sábado, 7 de agosto de 2010

under pressure

como aconteceria de eu ser uma pessoa interessante? a arte me tinha secado dos dedos, os olhos estavam igualmente secos. meu coração mais árido ainda. cada segundo era dolorido de tal maneira que nem o remédio me trazia alívio. aos poucos ia arrumando a bagunça do quarto, dos olhos, do peito. da vida. compreendi que não poderia haver amor por tão pouco: no caso, eu.

lutei por meses, sobrevivi. aos poucos ia retornando à superfície, de olhos fechados. o telefone tocava vez ou outra, chamavam meu nome vez ou outra, nunca no tom que eu esperava. alguma coisa estava profundamente errada e eu tive medo: não dependia de mim. o coração apertou outra vez como se fosse implodir. eu estava me tragando, eu pra dentro de mim mesma.

se eu pudesse assassinaria todas as memórias de você, se eu pudesse, eu descansaria. se eu pudesse. mas eu só tenho 20 anos e uma ansia de viver tão grande que não cabe em mim: viver que clama por morte, eu me assassino um pouco mais a cada dia, respirando bem mais fundo. me recuso a qualquer mudança motivada por outrem, me recuso a assistir qualquer indicação - quero ficar em silêncio e ouvir minha própria voz.

(...) e ela diz que está tudo muito errado. e eu sei que eu jamais ousaria mentir pra mim mesma.

apesar de tudo, eu sabia que daqui a cinco anos eu estaria aonde voce sempre quis estar: jovem demais, linda demais, boa demais. irremediável. intocável. fevereiro tinha voltado no meu peito sem festa, sem quarto escuro. mas a dor ia fundo como da outra vez e eu precisava mais que nunca de um bálsamo com teu cheiro e teus gestos mais ingênuos: vem brilhar fora da redoma. eu tinha milhares de coisas a serem feitas, mas nenhuma delas estava a meu alcance naquele momento.

eu precisava de paciência antes de tudo.

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